Quando você pensa no Rio de Janeiro, qual a primeira imagem que vem à sua cabeça? Difícil dizer, certo? Mas a verdade é que, pelo menos aquelas vendidas pelos cartões-postais, contam com as praias paradisíacas da cidade (Copacabana, Ipanema, Barra ou Grumari), as montanhas famosas, como o Corcovado ou o Pão-de-Açúcar ou, ainda, símbolos arquitetônicos, tal e qual os arcos da Lapa.
Há, no entanto, muito mais do que isso na cidade dita maravilhosa. Um exemplo é a Pedra de Guaratiba, bairro de classe média-baixa e baixa da zona oeste do Rio de Janeiro. Até pouco tempo, o lugar era visitado por centenas de pessoas interessadas em almoçar ou jantar em um dos famosos restaurantes da região especializados em frutos do mar. A pesca era muito forte por lá.
Hoje, no entanto, a atividade econômica diminuiu muito naquela área, pouco conhecida até por quem nasceu e sempre viveu no estado. A Baía de Sepetiba, que banha o bairro, sofre com enorme poluição, o que impediu que a população local continuasse a praticar a pesca. É lá onde estão a Fundação Xuxa Meneghel, da apresentadora da Rede Globo, e também a igreja Nossa Senhora do desterro, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Mas a Pedra de Guaratiba, como sabem os amigos da Thalamus, também abriga a creche Tio Beto, um dos projetos criados pelo grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais. Apoiado pela Thalamus, ele é um dos programas integrantes da Cruzada do Menor, importante conjunto de projetos sociais em todo o estado Fluminense. Na Tio Beto, mais de cem crianças são atendidas diariamente e são preparadas para ingressar no ensino público tradicional.
Neste mês, a creche trouxe uma excelente notícia: criou, em sua sede, uma horta para reduzir os custos com legumes e verduras e, é claro, para contribuir com a sustentabilidade do planeta. Como explica o jornal do Núcleo de Responsabilidade Social do grupo 3 Irmãos de junho, as crianças têm pouco hábito de comer esses alimentos, e a ideia da horta serve também para fazer uma reeducação alimentar na garotada.
O jardineiro, senhor Emílio, ajuda os pequenos a regar as sementes e a acompanhar o crescimento dos vegetais. Depois, eles também participam da colheita. A expectativa é grande de que o novo cardápio seja aceito, já que todos fazem parte desta iniciativa. Atualmente, já há colheita de aipim, beterraba, feijão, pimenta, alface, chicória, rúcucla, mostarda e cebolinha. Deu até água na boca!
E, para completar, é preciso lembrar da festa junina que a creche Tio Beto vai promover no dia 4 de julho, entre as 11 e as 16 horas. Realizada na Estrada dos Cabuís, número 117, a creche vai caprichar nas comidas típicas do arraiá de São João e, claro, nas brincadeiras e quadrilha, que não pode faltar. Terá, ainda, um sorteio de uma bicicleta para os adultos presentes, o que vai contribuir nos gastos da instituição.
Jardim Vovó Carmen festeja
Publicado em 16/06/2009
Já falamos sobre este assunto no último ano, mas nunca é demais lembrar. Chega o mês de junho, e a primeira celebração que se pensa é a Festa Junina. Uma das mais agradáveis de toda a temporada, ela acontece em todos os cantos do Brasil, com costumes locais e em inúmeros endereços. Cada cidade tem centenas de comemorações, basta escolher em quais ir.
Historicamente relacionadas com a festa pagã do solstício de verão, celebrado no dia 24 de junho, a festa Junina é parte obrigatória do calendário de diversos países e não apenas do Brasil, como pode-se imaginar. Na verdade, ela é muito importante em países do norte da Europa, como Dinamarca, Estônia, Finlândia, Noruega e Suécia. Mas também é encontrada na Irlanda, Grã-Bretanha, França, Itália, Malta, Portugal, Canadá, Porto Rico, Estados Unidos e Austrália.
A famosa quadrilha nacional tem a origem do nome em uma dança de sacão francesa, a “quadrille”. Ela veio ao Brasil graças ao interesse da classe média e das elites portuguesas e brasileiras do século XIX, já que era a última moda em Paris. Mas, ao longo dos anos, ela se popularizou no país e se fundiu com danças brasileiras. As conseqüências logo surgiram, como o aumento no número de pares e o abandono de passos e ritmos tradicionais franceses.
Muito embora tenha sido trazida pelas elites, a quadrilha floresceu nos braços do Brasil rural e se tornou típica, principalmente no nordeste. Dá vem o vestuário campesino. Ela, a partir de então, se tornou um fenômeno popular e rural, e nunca deixou de ser, mesmo com a influência do movimento nacionalista e dos estudos folclóricos.
Enquanto a Creche Tio Beto ainda fará a sua Festa Junina, a Obra de Missão Social Jardim Vovó Carmen, outro projeto criado pelo Núcleo de Responsabilidade do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais, já realizou a sua. E foi um grande sucesso. No dia 6 de junho, a sede da instituição de ensino localizada em Botafogo, bairro carioca, e que também faz parte da Cruzada do Menor, recebeu a celebração.
Os recursos financeiros arrecadados durante o evento superaram as expectativas e vão ajudar muito no trabalho desenvolvido pela instituição. Além disso, os convidados se divertiram com as danças típicas apresentadas pelas turmas. Já na quadrilha dos adultos, os homens ficaram tímidos, mas as mulheres fizeram as honras da casa. A festa cumpriu seu objetivo de integrar a comunidade, divertir e socializar as crianças e arrecadar fundos para o projeto.
Este ano, a sucata tem sido uma grande companheira dos alunos. Neste mês de junho, as crianças fizeram diversos objetos com elas a partir dos temas “Meios de Comunicação”, “Formas Geométricas” e “Cores”. Este tipo de trabalho desenvolve a criatividade das crianças, e foram construídos telefones sem fio, televisores, celulares e computadores. Uma grande farra!
Plantando (muito bem) o Amanhã
Publicado em 29/05/2009
No segundo domingo de cada mês de maio é celebrado um dos dias mais importantes do ano: aquele em homenagem às mães, responsáveis por cuidar com zelo e parcimônia dos filhos. Não é errado afirmar, por exemplo, que são elas as maiores incentivadoras de jovens que sonham em seguir uma vida agradável, capaz em virtude da base fornecida pela família. E, afinal de contas, elas merecem, pois carregam os bebês durante longos nove meses em suas barrigas com um sorriso estampado no rosto.
Em todos os cantos do Brasil diferentes manifestações de carinho e afeto se espalharam pelas praças públicas e ambientes domésticos. Naquele dia, os shoppings fizeram promoções especiais, assim como as lojas e todo o comércio. Era comum ver famílias inteiras almoçando ou jantando em restaurantes, e também festas nas casas com maior número de pessoas. E fez um belo dia de sol na maior parte do Brasil, o que contribui significativamente para melhorar o humor de uma cidade.
O Shopping Nova América, mantenedor do Plantando o Amanhã em parceria com a Cruzada do Menor, decidiu entrar no clima e inovar: para reforçar o aprendizado de vendas e técnicas de jardinagem dos jovens que cursam a oficina de jardinagem do projeto, foi criado um stand durante o Domingo das Mães. Dentro do shopping, os alunos puderam comercializar as plantas e arranjos florais feitos por eles próprios. O retorno de vendas foi muito positivo e, enquanto diversas mães eram agraciadas com o belo presente, a Cruzada celebrou bastante o sucesso dos jovens.
Mas o curso de jardinagem do Plantando o Amanhã teve outras surpresas e atividades ao longos dos meses de abril e maio em parceria com os alunos da oficina de auxiliar de creche, fornecida pelo mesmo projeto. No dia 18 de abril, por exemplo, os adolescentes visitaram a exposição Burle Marx 100 anos a Permanência Instável, sobre a história e obra de um dos maiores artistas e paisagistas que o Brasil já teve.
Quatro dias depois os mesmos jovens tiveram uma nova e agradável surpresa a palestra de Edmour Salani, capacitador e autor de livros sobre Gestão Estratégica de Atendimento, no Shopping Nova América. Ali, o olhar dos rapazes e moças sobre campanha de marketing foi ampliado, o que ajuda substancialmente no momento de abrir o próprio negócio ou administrar uma creche, por exemplo.
Para abrir bem o mês de maio, os adolescentes apoiados pela Cruzada do Menor foram ao Pão de Açúcar, um dos pontos turísticos mais belos e conhecidos da cidade do Rio de Janeiro, na Urca, para comemorar o Dia Nacional da Alegria. A equipe do Bondinho, cartão-postal carioca, patrocinou o passeio no qual os jovens também aproveitaram atividades recreativas e saborearam um ótimo e farto lanche. Programas inesquecíveis, para ninguém colocar defeito!
Cruzada do Menor a mil por hora
Publicado em 29/05/2009
A Creche Tio Beto é um dos principais projetos abraçados pela Cruzada do Menor. Os leitores e amigos da Thalamus sabem, há tempos, que a associação apóia financeiramente a iniciativa do Núcleo de Responsabilidade Social do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais. Situada na conturbada região de Pedra de Guaratiba, a instituição de ensino é um sopro de esperança para crianças entre dois e quatro anos que vivem em risco social. E elas não são poucas.
Depois de preparadas com técnicas especiais de aprendizagem, elas são encaminhadas para o sistema público de ensino, onde poderão dar seguimento no currículo escolar e, mais à frente, tentar ingressar em uma universidade para mudar o futuro comum a ampla parcela da população que vive às margens da sociedade não apenas no Rio de Janeiro, mas em todo o país.
Agora, uma excelente notícia bateu à porta da creche: o projeto Reciclavida, cujo objetivo é capacitar mulheres da comunidade de Pedra de Guaratiba através da costura e do artesanato, ganhou um reforço de peso com a adesão da subprefeitura de Campo Grande e do Atelier Art Casa da Cultura como parceiros. Juntos, eles disponibilizaram um stand no Calçadão de Arte, em Campo Grande, para que os produtos criados pelas moças sejam vendidos. Cerca de 50% de todas as manufaturas expostas foram compradas, o que é um excelente número.
Além disso, o mês de junho promete outras novidades para a creche Tio Beto. A parceria do projeto com o Instituto Criança é Vida e com a Mantecorp, empresa do setor farmacêutico, pretende transformar este mês em exemplo para a saúde das crianças da instituição, seus familiares e funcionários. Por meio de oficinas sobre saúde bimestrais, o pessoal vai saber melhor como cuidar do corpo e quais as medidas necessárias para prevenir doenças, por exemplo.
O universo cultural também está muito presente na rotina diária da Tio Beto, mas também das outras três creches apoiadas pela Cruzada do Menor. Nos últimos cinco meses, os alunos estudaram com afinco o universo de grandes nomes da história nacional: Braguinha, Carmem Miranda, Beth Carvalho, Cartola, Pixinguinha e Monteiro Lobato. No geral, as crianças fizeram uma união entre os projetos sociopedagógicos dos artistas.
No Plantando o Amanhã, em Del Castilho, os alunos fizeram uma bela representação de Carmem Miranda, cantora nascida em Portugal e criada no Rio de Janeiro que fez enorme sucesso nos Estados Unidos depois de ser protagonista do Cassino da Urca em suas épocas áureas. A Tio Beto, por sua vez, encenou o Trenzinho do Braguinha. Para isso, o aluno João Victor foi o condutor e passou por diversas “estações”, onde encontrava seus amigos caracterizados como outros artistas.
Mas o trabalhou não parou por aí. Na creche Cantinho dos Eucaliptos, em Nogueira (região serrana do Rio de Janeiro), uma apresentação de teatro encantou os país e funcionários presentes. O que chamou mais a atenção, no entanto, foram os livros confeccionados pelas crianças da Casa Emilien Lacay, em Jacarepaguá. Ele mostrou como as atividades foram desenvolvidas.
Aquasis protege natureza cearense
Publicado em 22/05/2009
O Nordeste é uma das regiões mais bonitas do Brasil e, ao mesmo tempo, uma das que mais sofrem com a seca e a falta de água. Apesar de ter uma natureza espetacular, também é grande o número de desmatamento da Mata Atlântica e a perda de espécies em virtude da caça ilegal e do fim de habitats. Mas há organizações não-governamentais que trabalham diariamente para reverter esta situação.
Um exemplo é o Aquasis, associação civil e filantrópica sem fins lucrativos criada em 1994 por membros das Universidades Federal e Estadual do Ceará como professores, funcionários e alunos além de voluntários e profissionais liberais. Como diz o texto do site, “com a missão de promover a pesquisa e ações voltadas para a preservação da biodiversidade e o uso responsável dos recursos naturais do Nordeste do Brasil, estimulando mudanças de atitude para a construção de uma sociedade sustentável”.
A Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis) tem diferentes áreas de atuação: mamíferos marinhos, bioeducação, biodiversidade, gestão ambiental integrada e programa de administração. O primeiro deles visa monitorar as populações de mamíferos marinhos, como botos e baleias, no estado do Ceará.
O segundo, por sua vez, é uma das principais frentes da instituição, já que ajuda as novas gerações à se conscientizarem sobre a importância da conservação. Para tanto, são realizadas palestras em escolas e empresas, e eventos relacionadas à datas especiais como o Dia Mundial de Limpeza de Praias e campanhas diversas. Além disso, o público também é recebido no Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos da Aquasis, para ver exatamente como é o trabalho diário da equipe.
O projeto de biodiversidade, por sua vez, tem duas linhas de atuação: conservação da fauna ameaçada de extinção e levantamento e conservação da fauna cearense. O primeiro consiste em identificar os animais que correm riscos de desaparecer da natureza e criar projetos para protegê-los (é o caso, por exemplo, da bela ave Soldadinho-do-Araripe). Já o segundo tem o objetivo de analisar a fauna cearense de tetrápodes (anfíbios, répteis,mamíferos e aves) a partir de diversos tipos de levantamento, como bibliográficos e de campo.
A gestão ambiental integrada significa exatamente o que parece: tentar influenciar o poder público e ajudar na criação de unidades de conservação em locais críticos e de profundo valor ecológico, além da confecção de planos de conservação e também de manejo, necessários para o uso correto do solo. Os famosos zoneamentos ecológico-econômicos (ZEE) também fazem parte do projeto.
Para conhecer um pouco mais deste interessante projeto, clique aqui. O site da entidade também traz relatórios sobre as atividades, fotografias de belas paisagens em todo o nordeste (com ênfase principal no Ceará) e, ainda, matérias que saíram em diversas mídias diferentes acerca de preservação ambiental e a contribuição da Aquasis.
No embalo do AfroReggae
Publicado em 22/05/2009
O Grupo Cultural AfroReggae é uma das principais instituições brasileiras, reconhecida em diversas partes do mundo e também entre os políticos, formadores de opinião, empresários e comunidades do país. Surgido em 1993, começou sua trajetória com o jornal Afro Reggae Notícias, responsável por divulgar a cultura negra a jovens interessados em diversos tipos de música, como soul e hip hop além, é claro, do Reggae.
No mesmo ano foi criado o Núcleo Comunitário de Cultura, na favela de Vigário Geral (RJ), que inaugurou uma série de atividades, como oficinas de reciclagem de lixo, capoeira e futebol. Desde essa época, a missão já era bem definida, como diz o site: “oferecer uma formação cultural e artística para jovens moradores de favelas de modo que eles tivessem meios de construir suas cidadanias e com isto pudessem escapar do caminho do narcotráfico e do subemprego, transformando-se também em multiplicadores para outros jovens”.
Em 1997, um passo definitivo marcou a história do grupo: foi erguido o Centro Cultural AfroReggae Vigário Geral. A partir daí, o projeto começou a ter um desenvolvimento sustentado, com excelente infra-estrutura e cada vez mais e novos profissionais gabaritados. Justamente por não seguir uma mão única de projetos, mas sim adotar tipos diversos de projetos, o trabalho cresceu e hoje se encontra em quatro comunidades fluminenses.
Embora as atividades sigam diferentes cursos, a música ainda é a principal ferramenta de inclusão social e influências externas do grupo. Trata-se da banda AfroReggae, que tem importante capacidade artística e é reconhecida em diversos cantos do planeta, com shows em vários continentes. É ela, principalmente, quem atrai a maioria de jovens para o projeto. Há, inclusive, diversas bandas que nasceram a partir da principal: Makala Música e Dança, Afro Lata e Afro Samba.
Os talentos foram tantos e descobertos em tão pouco tempo que o grupo criou uma produtora para gerir a carreira de todos- a Afro Reggae Produções Artísticas (ARPA). Agora, as bandas possuem sustentação comercial e a produtora ainda contribui com os outros projetos da equipe, já que 30% da arrecadação dos eventos produzidos vai diretamente para eles.
E o trabalho dá muito o que falar. Além da marcante presença de José Junior, coordenador executivo do AfroReggae e eleito pela Veja São Paulo umas das cem mais importantes personalidades brasileiras, o grupo tem presenças marcantes na mídia e parcerias das mais variadas. Nas últimas quinta e sexta-feira, por exemplo, o núcleo de Vigário Geral recebeu a visita de funcionários da Adidas, como a Assessora de Comunicação, Alice Lima, o fotógrafo Mark Hunter e o responsável pelo blog da empresa, Marcio Machado.
Além disso, neste sábado (dia 23 de maio), a banda AfroReggae representou o Brasil no Africa Day Music Concert, em Johannesburgo, capital da África do Sul. Ao lado dos músicos de maior prestígio em todo o continente, o grupo empolgou o público do Mary Fitzgerald Square com suas batidas e suingue. Trata-se da primeira vez em que um grupo de fora do país anfitrião se apresenta. Eles estão hospedados no tradicional bairro de Soweto, onde o ex-presidente Nelson Mandela foi criado.
Brinque na rede
Publicado em 15/05/2009
O Banco Real, atualmente integrante do Grupo Santander Brasil, é uma das empresas que mais investe em sustentabilidade ecológica no país. E não se trata apenas de marketing verde. A premissa é séria, assim como os patrocínios em iniciativas do gênero e o uso de papel reciclado em todos os comunicados. Além disso, os funcionários recebem instruções sobre cuidados ambientais como usar o mínimo possível as impressoras.
Uma das ações do Banco Real, e que tem certa semelhança com o Zeko, personagem da Thalamus de forte apelo ambiental junto à garotada, é o site “Brincando na Rede”. Com oito anos de vida, o espaço é destinado às crianças brasileiras e faz um enorme sucesso. Para início de conversa, ele é guiado por pequenos animais de nossa fauna desenhados e animados. Há diversos personagens muito divertidos, como o polvo, o jabuti e o papagaio.
Ao navegar pelo site, as crianças aprendem bastante sobre a fauna brasileira e inúmeras práticas saudáveis para cuidar da natureza. Há jogos divertidos e muitas curiosidades que auxiliam no aprendizado rápido e indolor. Uma diversão garantida é aprender a fazer um presente com a mão a partir de material reciclado. A pessoa que o receber vai, com certeza, ficar super feliz e o meio ambiente agradece pelo reuso de materiais.
A dica desta semana é um aviso de porta, daqueles que se colocam nas maçanetas. Para isso, é preciso apenas de um papelão, que pode ser a tampa de uma caixa de sapatos, um lápis, régua, cola, tesoura, material para colorir e enfeites como fitas, adesivos, recortes de revistas, miçangas e lantejoulas. Para seguir os passos sem a menor chance de erro e fazer um presente que não agride a natureza e ainda chama enorme atenção, clique aqui.
Agora em maio, o site Brincando na Rede tem uma surpresa super especial. Ela atende pelo nome de Roberto, personagem principal do novo curso de sustentabilidade criado exclusivamente para os pais dos pequenos e que também têm espaço neste cantinho virtual. Ele é ninguém menos do que um cidadão comum, que começa agora a despertar para os problemas ambientais decorrentes das atitudes insustentáveis dos homens. Ao clicar no Roberto, que está hospedado durante um tempo na homepage da página, a criança entrará em uma página com uma explicação do processo daí, ele poderá redirecioná-la aos seus pais. Esta é a ideia.
Há também um concurso na capa do site que qualquer um pode participar. A pergunta a ser respondida é a seguinte: o que a sustentabilidade tem a ver com você?”. As respostas deverão ser enviadas entre os dias 14 e 21 de maio. Depois disso, a turma escolherá as 20 melhores e os vencedores irão ganhar 500 pontos para a “Lojinha de Trocas”, enquanto as cinco primeiras receberão também um brinde educativo. Não perca tempo e se inscreva logo. O resultado sai no dia 28 de maio. Seja criativo!
Ao todo, o Brincando na Rede tem hoje cerca de 330 mil usuários cadastrados e 40 livros infantis em sua biblioteca virtual. Todas as crianças são estimuladas a participar ativamente do site, através de respostas para perguntas como : “Você sabe?” (de conhecimentos gerais), Enigmas, Humor e Desenhando na Rede para incentivar as atividades motoras.
O empreendedorismo da Endeavor
Publicado em 19/05/2009
O calendário marcava o já longínquo ano de 1997 quando um grupo de ex-alunos da Universidade de Harvard percebeu uma falha no mercado: não havia uma cultura desenvolvida para o surgimento de novos negócios e tampouco programas que, de fato, fossem capazes de apoiar estratégias empreendedoras.
Foi com esta ideia na cabeça que os amigos se uniram para criar em países subdesenvolvidos a estratégia que deu muito certo nas décadas anteriores nos Estados Unidos. Os países escolhidos para iniciar o projeto chamado Endeavor Initiative Inc., em outubro daquele ano, foram Argentina e Chile.
Com sede em Nova Iorque, a Endeavor hoje se encontra em muitos países, e cada unidade é mantida por parceiros e administradores locais. Hoje, há escritórios na África do Sul, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Egito, Índia, Jordânia, México, Turquia e Uruguai. Em nosso país, as atividades foram iniciadas no ano de 2000 e tem um objetivo principal: fomentar o empreendedorismo no país.
Por enquanto, a missão tem sido cumprida à risca. Entidade sem fins lucrativos, a Endeavor conta com escritórios no Rio de Janeiro e São Paulo e visa promover o desenvolvimento sustentável do Brasil a partir da noção de que a criação de negócios é fundamental para o crescimento econômico de um país. Como diz o texto do site, a organização pretende apoiar empreendedores de alto impacto, que são aqueles capazes de ter “grandes ideias e planos ambiciosos. Eles possuem o potencial para criar empresas prósperas que empregam centenas, até mesmo milhares de pessoas, e geram milhões em receitas, impostos e salários”.
O Instituto tem duas frentes bem definidas de atuação para atingir suas metas. A primeira é a “Geração de Exemplos”, a partir da qual a Endeavor apóia empreendedores inovadores de forma personalizada. Trata-se de uma ponte entre estes grandes empresários em potencial, e os maiores líderes econômicos do Brasil. Isso significa que nomes de peso no cenário nacional, como Antônio Ermírio de Moraes, prestam uma espécie de consultoria gratuita e voluntária para aqueles selecionados.
Para completar, há também a “Disseminação de Conhecimento”, já que a Endeavor compartilha todas as informações aprendidas em seu site na internet, em debates gratuitos, workshops e pelo livro “Como fazer uma empresa dar certo em um país incerto”. O portal da entidade é, de fato, muito completo. Nele, há artigos, vídeos e divulgação de eventos em todo o país sobre a cultura empreendedora. Existem também inúmeros textos e entrevistas com pessoas importantes do mercado, capazes de divulgar as maiores experiências possíveis.
Quem estiver interessado em um conhecimento ainda mais amplo, o livro acima citado conta com lições de 51 dos mais bem sucedidos empreendedores do Brasil. Trata-se de um resumo muito bem apurado e lições aprendidas após cinco anos de atuação da Endeavor. À época do lançamento,mais de três mil empreendedores brasileiros passaram por lá. Há desde o ressurgimento da Brahma, até a fundação de uma enorme potência: a Natura. Imperdível.
Hollywood verde
Publicado em 08/05/2009
Qual a primeira imagem que passa em sua cabeça quando a palavra Hollywood vem à tona? Impossível citar apenas uma, dirão muitos. E eles têm razão. O maior pólo cinematográfico do planeta tem mesmo inúmeras histórias a contar. Antes de mais nada, é preciso lembrar que Hollywood é um distrito da cidade de Los Angeles, uma das principais da Califórnia, nos Estados Unidos. O fato, porém, é que a enorme concentração de estúdios e empresas ligadas à indústria da sétima arte fez deste pequeno espaço um dos mais conhecidos nos cinco Continentes.
Os primeiros produtores de cinema chegaram à região no início do século XX, basicamente em busca de luz natural Hollywood tem muito sol e poucas chuvas. Na época, a iluminação artificial era extremamente cara. Hoje, e já há bastante tempo, o local produz alguns dos filmes de maiores sucessos de bilheteria do mundo, assim como diversas obras-primas (e muitos descartáveis, também). Ao movimentar bilhões de dólares e ter os melhores e mais sofisticados equipamentos, é o sonho de atores e técnicos de todos os cantos.
Mas, apesar de gastar tanto dinheiro e muita energia, Hollywood também começou a pensar em preservação ambiental. Já não era sem o tempo. É o que diz a última edição do programa “Cidades e Soluções”, criado, apresentado e editado pelo jornalista André Trigueiro, na GloboNews. O mesmo é explicado pelo blog do programa em texto escrito pela repórter Tamira Ledebeff, que foi conferir de perto o que a maior indústria de cinema do mundo faz para conservar a natureza.
Ainda não são grandes as medidas de conservação, mas já é um primeiro passo. De acordo com Ledebeff, diversas ações já são tomadas no viés de preservação. Em deles é usar muito mais serviços eletrônicos, como o e-mail, e menos papel impresso. Mas há também atitudes que vão além, como a reciclagem de materiais espalhados por todo o set de filmagem (local onde as cenas dos filmes são gravadas).
O “Cidades e Soluções” visitou a Associação de Mídia Ambiental (EMA), entidade sem fins lucrativos que atua diretamente na propagação de idéias ecológicas dentro dos maiores estúdios de produção da área. E já é possível perceber o quanto eles se preocupam com o tema já na entrada: só é usada luz natural, que ilumina o local construído para aproveitá-la ao máximo com a ajuda de janelas enormes, e o piso de escritório é feito de bambu.
“A ONG é uma parceria dos estúdios na busca de empresas e fornecedores que trabalhem com recursos sustentáveis, e dá às produções o “green seal of approval”, o “certificado de sustentabilidade”, explica Tamira em seu texto. A organização também trabalha diretamente com roteiristas e produtores para incluir aspectos de conservação diretamente nos filmes e programas de televisão.
O programa também visitou o estúdio da Sony, o primeiro da região a obter o certificado ISO 14001, entregue apenas a empresas que são comprovadamente responsáveis ambientalmente. Todos os sets de filmagem dela, hoje em dia, usam garrafas reutilizáveis para a água. Nunca mais copos de plástico. Pelo visto, Al Gore e Leonardo DiCaprio encontraram alguns seguidores entre seus pares.
Organizações Sociais ganham novas atribuições
Publicado em 08/05/2009
Um projeto de lei para lá de polêmico foi o centro das discussões no Rio de Janeiro durante as últimas semanas. A ideia do executivo carioca que pretende criar organizações sociais para gerir setores públicos esquentou o debate nas mesas de bares, jornais, universidades e, em última instância, na própria Câmara dos Vereadores. Afinal, é no mínimo curioso que áreas municipais como educação, saúde, cultura e meio ambiente sejam controladas por entidades sem fins lucrativos.
Segundo notícia da Agência Brasil, no dia 29 de abril, há sindicalistas e parlamentares contra a iniciativa por temerem uma privatização mascarada. Na ocasião da matéria, o projeto passou em primeira discussão na Câmara com alguns adendos, como a necessidade de fazer uma pequena concorrência para a escolha das OS algo que no projeto original não existia. Além disso, apenas creches e programas de reforço escolar poderão entrar neste novo filão, assim como novas unidades de saúde. Com isso, os atuais hospitais e escolas de ensino fundamental continuam geridas pela prefeitura do Rio de Janeiro.
O presidente da Comissão de Educação da Câmara, vereador Reimon (PT) foi bastante claro ao dizer na matéria da Agência Brasil o que pensa sobre a proposta. Para ele, não se deve delegar a outras pessoas as responsabilidades básicas do município, algo que propõe o projeto de lei. Neste dia 29 de abril, diversos servidores lotaram a galeria da Câmara para protestar contra o assunto.
Poucos dias depois, a reportagem do G1 publicou uma matéria sobre a votação final do projeto de lei. Com 38 votos a favor dentro de 51 possíveis, a proposta para mudar a administração de setores públicos municipais foi aprovada. Desta forma, entidades sem fins lucrativos receberão recursos financeiros da prefeitura para cuidar destes patrimônios e terão metas de produtividade a cumprir.
A partir de agora, resta esperar que o prefeito Eduardo Paes, responsável por entrar com um pedido de urgência na acareação do projeto, sancione a lei algo que, provavelmente, não vai demorar a acontecer. Mas ele tem novos desafios pela frente, já que alguns sindicatos, como o de profissionais da educação, pretendem entrar na justiça com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN).
O Partido Verde emitiu uma nota à imprensa dizendo que apóia o projeto, mas entende que o mesmo necessita de algumas mudanças. Segundo Alfredo Sirkis, um dos membros do PV na bancada municipal, afirmou que a experiência bem sucedida de São Paulo ao transmitir a administração de unidades de saúde e equipamentos culturais para organizações sociais ajuda a iniciativa.
De acordo com ele, era uma proposta inclusive de Fernando Gabeira, enquanto candidato à prefeitura, e não é porque estão na oposição do governo que irão remar contra a ideia e aderir à mobilização que vê no projeto uma “privatização” maquiada. A bancada do PV, no entanto, propôs modificações que foram aceitas pelo prefeito. Entre elas está a necessidade de que a organização social tenha um prazo mínimo de existência.
A Páscoa na Cruzada
Publicado em 30/04/2009
A páscoa já passou, é verdade, e junto com ela foram as imaginações e brincadeiras das crianças. Mas não há motivos para tristeza. Ano que vem tem muito mais, e nesta temporada ainda tem outras celebrações tão importantes quanto, como a festa Junina, o Dia das crianças e o Natal, é claro. Mas vale a pena lembrar dos momentos felizes e conferir como foram as comemorações nos projetos da Cruzada do Menor.
O primeiro ponto de parada neste nosso passeio é a Casa Emilien Lacay, em Jascarepaguá. Este ano aconteceu uma novidade para lá de especial que espalhou muita alegria e solidariedades entre os membros do projeto: a Semana de Conzinha Experimental. Nela, uma nutricionista ajudou os meninos e meninas a confeccionarem seus próprios ovinhos com uma receita caseira. Além disso, a Sra. Ruth Levi doou 150 ovos de páscoa e quatro quilos de bombom para a Casa.
Os alunos da Creche Tio Beto, projeto criado e mantido pelo Núcleo de Responsabilidade Social do grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais, com auxílio da Thalamus, fizeram uma bela apresentação teatral sobre a ressurreição de Jesus. É claro que este momento emocionou a todos os presentes, entre funcionários, familiares e doadores.
E também teve espaço para chocolate na festa, como não poderia deixar de ser. Ele ficou a cargo das Sras. Lourdes Amatti e Sandra, que doaram 146 ovos. O mesmo fez Renata Becskowski, representante do grupo mantenedor, que levou 146 ovinhos. Foi uma festa enorme, para ninguém botar defeito. Todos saíram muito felizes e sonhando com a celebração do próximo ano.
No projeto Plantando o Amanhã, destaque para o Shopping Nova América, um dos mantenedores do projeto. Os funcionários da instituição, em Del Castilho, promoveram uma oficina na Fábrica de Chocolate, um espaço na praça de eventos, para que os pequenos fizessem seus próprios ovos. É claro que foi uma verdadeira bagunça, recheada com altas doses de animação. As famílias também doaram 163 caixas de bombons e guaraná para a festa.
Para finalizar, vale contar um pouco da confraternização realizada no Cantinho dos Eucaliptos, em Nogueira, distrito de Petrópolis (RJ). Mantida pela Pousada dos Eucaliptos, a escolinha recebeu um coelho de verdade, que foi a grande atração do dia. A Sra. Flávia Carvalho doou 100 ovos e Leda Lage contribuiu financeiramente para a compra de chocolate. Como é deliciosa a páscoa.
Movimentação intensa
Publicado em 30/04/2009
O ano de 2009 anda mesmo movimentado para a Creche Tio Beto. Ainda bem, afinal trata-se de um projeto muito bem organizado pelo Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais com o fundamental apoio da Cruzada do Menor. A Thalamus tem enorme orgulho de ajudar, pouco que seja, na manutenção desta escolinha que prepara crianças oriundas de camadas carentes da sociedade para entrar na Rede de Ensino Público estadual em igualdades de condições com os colegas de classe e mais bem preparados para a vida.
Desta vez, o sonho de transformar o futuro das comunidades de Pedra de Guaratiba, onde ocorre o projeto, e fortalecer as redes sociais da Fundação Xuxa Meneghel deu um fôlego ainda maior para a Tio Beto e a parceria que já dura dois anos. A partir de agora, novos alunos capacitados pela fundação criada pela apresentadora da Rede Globo de Televisão em conjunto com a empresa Microlins realizam um trabalho social na creche a fim de obter o certificado de conclusão.
Só este ano já foram quatro pessoas formadas no Centro de Formação Profissional Microlins para a creche Tio Beto e passaram um pouco do conhecimento adquirido durante os anos no curso. “Ao todo, já recebemos 18 voluntários. É uma iniciativa muito bacana. Além da oportunidade de esses voluntários conhecerem melhor e participar da história da própria comunidade, eles ainda se sentem úteis. A pessoa doa sete horas fazendo o que tem prazer. Já tivemos voluntárias monitoras, cozinheiras, recreadoras. Todos são sempre muito bem-vindos”, garantiu uma funcionária da Tio Beto para o boletim eletrônico da Cruzada do Menor.
Plantando o Amanhã
A agenda também anda muito movimentada no Plantando o Amanhã, projeto mantido pela Cruzada do Menor e Shopping Nova América em Del Castilho. Só em abril muitas atividades aconteceram. No dia 16, os alunos assistiram ao espetáculo musical História de Pássaro a convite do Instituto Invepar, Linha Amarela S.A. e Cepetin. Foi uma diversão garantida.
No dia 22, o hipermercado Wal Mart realizou uma grande festa na quadra do projeto e houve muitas brincadeiras e, é claro, deliciosas guloseimas. Além disso, o programa passou a oferecer quatro aulas de educação física semanais para os meninos e meninas que passam seus dias por lá, o que ajuda no físico e no desenvolvimento psico-motor de cada um.
Como se não bastasse, o Plantando o Amanhã realizou, no dia 30 de abril, uma oficina para lá de importante: Oficina de Reciclagem de Alimentos, com as cozinheiras Jandira Souza e Simone Arthur. O objetivo é fortalecer e otimizar o cardápio das famílias de todos os alunos atendidos pelo projeto.
Resumo da Cruzada
Publicado em 21/04/2009
Conhecidas pela busca incessante de lucro e, é claro, pelo auxílio no desenvolvimento de cada país, as empresas podem ser muito mais do que simples entidades privadas com fins lucrativos. É o que mostra o Programa Rede Empresarial pela Sustentabilidade, cujo objetivo é levar o movimento de responsabilidade social para o país inteiro. Como afirma o site do Instituto Ethos, “sua missão é contribuir para a internalização de valores e práticas na cultura de gestão e processos gerenciais, que propiciem a contribuição para uma sociedade sustentável e justa”.
São diversas as formas de atuação da rede, como seminários, oficinas, encontros temáticos e palestras. Presente em estados como Bahia, Distrito Federal, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Goiás, ela visa a consolidação de redes empresariais que fortaleçam o movimento de responsabilidade social nas regiões em que o Instituto Ethos atua.
Aberta para empresas associadas à entidade acima citada, ou não, ela também recebe dentros acadêmicos, jornalistas, organizações não-governamentais e outros participantes do movimento criado pela rede. Em 2008, ao todo, foram realizados 102 encontros de mobilização espalhados pelas diversos estados em que atuam. Agora em 2009, outras 81 reuniões já estão previstas.
Alguns exemplos do que vêm por aí seguem abaixo:
- Dia 05 de maio: Instituto Ethos promove o encontro “Investimento social privado: o papel das empresas na transformação social”, com a presença de André Degenszajn, funcionário da Gestão do Conhecimento GIFE. Será na Fundação CDL, em Uberlândia.
- Entre os dias 5 e 7 de maio: A associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE) realiza a Conferência Internacional ISWA Beacon. Promovida regularmente pela International Solid Waste Association em diversos países, é a segunda vez que chega ao Brasil. O objetivo do encontro em São Paulo é divulgar e incrementar soluções para os resíduos sólidos através da divulgação de informações sobre investimentos nesse setor
- Dia 09 de maio: Workshop Conversa Sustentável, no Hotel Blue Tree Towers Morumbi Convention Center, em São Paulo. Os temas em análise serão: sustentabilidade, gestão, tecnologias e varejo. O evento é destinado a gerentes, consultores, empresários, estudantes, instituições, fundações e entidades de classe.
- O relatório de sustentabilidade da Global Reporting Initiative (GRI) é o mais completo do mundo e serve como comunicação do desempenho social, ambiental e econômico das organizações. O UniEthos, o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas e a BSD firmaram uma parceria para se credenciarem a realizar o curso oferecido pela GRI. Em 2008 foi criada a primeira turma.
Cidade Separada
Publicado em 21/04/2009
A discussão incessante da qual participamos hoje, seja em instituições de ensino, nos jornais, em locais públicos ou privados e que norteiam a vida de inúmeras pessoas, em especial dos cariocas, não teve início nestes ou naqueles anos. O fato é que há uma imprecisão absoluta na tentativa de datar o processo de exclusão e marginalização social que se percebe com tanta clareza na dualidade cotidiana do Rio de Janeiro; processo este, no entanto, advindo de algumas possíveis circunstâncias e causas, como trata de afirmar o excelente livro de Zuenir Ventura, “Cidade Partida”
O livro do jornalista Zuenir Ventura, para que se estabeleçam relações diretas com a época em que foi lançado condição sine qua non para a total compreensão de sua história e o entendimento exato das atribuições feitas pelo autor -, aparece nas livrarias após um ano da Chacina de Vigário Geral, crime hediondo que chocou a população brasileira e mundial em 1993. Trata-se de uma intrigante história da notória discrepância entre dois mundos, separados por substantivos de simples composição, como asfalto e favela, e pela total negligência e falta de suporte político e econômico para um dos lados. Pois nada mais concreto e realista do que o nome que o autor dá a este livro, antes de tudo uma grande reportagem sobre um tema específico, ainda que repleto de significados e adjacências: a Cidade Partida.
Por mais que a tendência absolutamente natural seja frear a conduta separatista dentro de uma mesma cidade que nada mais é do que um complexo conjunto societário de misturas culturais e etnias diversas -, ela se torna extremamente clara após a realização deste livro. Isso porque o autor, identificado com a cultura e costumes da “cidade legal”, esta mesma caracterizada pelo asfalto e urbanização, pelas normas e leis subjugadas por um Governo Estadual e Municipal, passou dez meses vivendo justamente do outro lado, na parte marginal de uma mesma cidade, na favela de Vigário Geral. Pois é com certeza e indignação que se percebe, sem qualquer máscara, a realidade de uma cidade partida diretamente em seus pilares de sustentação político-econômico-social.
Neste momento, torna-se pertinente, com o perdão e a licença, que se retorne brevemente a algo anteriormente mencionado. Esta discussão, ou melhor, as causas desta discussão, se é que elas podem ser dimensionadas de forma satisfatória, data de época ainda mais antiga. Pois é exatamente assim que Zuenir Ventura começa seu relato. É na década de 50, conhecida como “Os Anos Dourados”, que o autor busca inspiração e circunstâncias para o decorrer da história ao atentar para notáveis razões de futuros desentendimentos.
Se é desde a reforma promovida no início do século XX pelo então prefeito do Rio de Janeiro Pereira Passos que a histórica separação entre a classe dominante minoritária e as classes marginalizadas ampla maioria tem início, já nos anos 50 percebia-se claramente o progressivo aparecimento de novas favelas e, em conseqüência, insatisfações e incoerências governamentais no sentido de promover igualdade e contemplação dos direitos humanos. A partir daí, a separação efetiva entre uma Cidade Legal cidade de leis e regras amparadas pelo Governo - e a Cidade Real cidade excluída do mapa e dos serviços oferecidos pelo governo e dona de um poder paralelo em ascensão - passava a apresentar claros contornos. Isso pode ser explicado, por exemplo, no momento em que se percebe que ali já era clara a pré-disposição das políticas públicas em favorecer a parcela de maior poder aquisitivo da sociedade.
Para este primeiro momento do livro, Zuenir dá o nome de “A idade da inocência”. Mas é a partir da segunda parte de relatos, intitulada “O Tempo dos Bárbaros”, que a história ganha seus contornos mais contemporâneos e, portanto, mais realistas e inacreditáveis. É a partir daí que o livro se torna impiedoso na árdua tarefa de diagnosticar a realidade de uma população marginalizada, em contraponto direto com a minoria amplamente favorecida, da qual faz parte o autor. Uma das mais brilhantes realizações deste livro é um fato curioso e enriquecedor, ao mesmo tempo em que se torna ilustrativo de diferentes caminhos: de um lado a vida dos moradores de Vigário Geral, a difícil batalha pela sobrevivência e a constatação de que a maioria destes moradores prefere viver longe do crime; e, do outro lado, o Viva Rio, movimento criado por moradores da faixa mais favorecida da cidade.
O autor percebe que a vida dos moradores de Vigário Geral é, de fato, negligenciada pelo Governo Público, que não fornece qualquer tipo de elemento básico para mudar este quadro, desde a falta de saneamento básico até a total segregação do espaço por eles habitado. Zuenir procurou mostrar termos, expressões e maneiras de encarar a vida que fazem parte apenas da cultura da favela, desde bandidos a moradores, o que completa ainda mais a noção de Cidade Partida, uma vez aquele universo tão distinto e distante dos habitantes da Zona Sul está a apenas alguns quilômetros da orla das praias mais famosas dos cariocas - como Ipanema e Copacabana - e do Centro desta cidade, da qual, teoricamente, fazem parte a favela e o asfalto.
A constatação a que chegamos hoje, mais de uma década após a publicação do livro, no entanto, é de que as autoridades continuam extremamente negligentes em relação às classes menos favorecidas, e a separação entre favela e asfalto acontece de forma ainda mais acentuada. Neste sentido, permanece também o Poder Paralelo em comunidades como a de Vigário Geral, constituída em sua maioria por trabalhadores. A esperança é de que isso mude rapidamente com o auxílio de organizações como a Thalamus, que trabalha diariamente para que os dois lados distantes de uma mesma cidade possam se unir cada vez mais, em busca de uma melhor condição de vida para todos.
Resumo da Cruzada
Publicado em 17/04/2009
Depois de meses exaustivos de trabalho com pouco descanso, nada melhor do que um feriado para renovar as energias e organizar melhor os dias que virão pela frente. Há pessoas que preferem ficar em casa e curtir um pouco a cidade vazia, como ir a restaurantes ou salas de cinema. Há outros que preferem curtir a praia, ficar o dia inteiro debaixo do sol e pegar algumas ondas. Mas, como são muitas as opções, também existem os que optam pela montanha, com um clima mais frio e programas mais calmos.
Quem vive no Rio de Janeiro, por exemplo, tem todas essas opções a poucas horas de carro. Para quem gosta de temperaturas mais amenas, uma excelente pedida é a Pousada dos Eucaliptos, em Nogueira. Esse belo distrito de Petrópolis, na região serrana do estado, é um dos locais mais agradáveis para relaxar durante alguns dias longe do caos da metrópole. Dono de casas clássicas e um centro muito receptivo, com muitas árvores e pessoas simpáticas, Nogueira é o lugar ideal para casais apaixonados e leitores vorazes.
Entre as inúmeras pousadas da região, a dos Eucaliptos chama especial atenção dos clientes pela beleza e cuidado dos funcionários. O ambiente conta com chalés, suítes e alojamentos, além de um bem arrumado restaurantes, piscinas cobertas e fechadas, salão de jogos com sinuca e muito mais. Quem estiver interessado em passar um feriado por lá, basta entrar no site. Há pacotes para o dia 1 de maio e também para o recesso de Corpus Christi.
Não custa dizer que toda a renda da pousada é revertida para a Creche Cantinho dos Eucaliptos, responsável por atender diariamente cerca de 100 crianças entre dois e cinco anos de idade da região, todas oriundas das classes menos favorecidas da sociedade. Esta instituição de ensino é um programa da Cruzada do Menor, que também recebe a Creche Tio Beto, organizada pelo Núcleo de Responsabilidade Social do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais.
Criada em 1999, a creche foi criada com incentivos do BNDES que visavam fomentar empregos e gerar recursos para manutenção da mesma. O principal patrocinador, como mencionado, é a Pousada dos Eucaliptos, além de parceiros estratégicos como Sesc Petrópolis, Colégio Bom Jesus Menino, Supermercados Bramil e Carbografit.
Como se não bastasse, a Pousada ainda recebeu uma excelente notícia no último mês: ela foi escolhida para sediar o primeiro torneio de bridge da cidade, um jogo de cartas praticado no mundo inteiro. Conhecido como o “xadrez das cartas”, trata-se de um jogo que exige raciocínio, indução, dedução, memória e estratégia. O evento aconteceu no final de semana dos dias 13 a 15 de março e contou com 26 jogadores.
Projeto Meninos a Postos
Março também foi interessante para o Projeto Meninos a Postos. Os alunos participaram da mostra Sociedade Viva (Violência e Saúde), exibida no Centro Cultural da Saúde e da exibição do filme Violência entre Adolescentes quando a Criatividade Torna-se a Arma da Paz. Após a visita, os integrantes do programa que conta com apoio da Petrobrás Distribuidora debateram sobre a participação dos jovens na sociedade, os direitos do cidadão e as suas conquistas com o coordenador do projeto, Leonardo Sabóia.
Ethos e responsabilidade social
Publicado em 17/04/2009
É difícil imaginar uma estrutura social em que o trabalho seja comunitário, não haja qualquer agressão ao meio ambiente e a produção de comida e energia seja feita pelos próprios moradores? Parece sonho, mas não é, mesmo em pleno século XXI recheado de fluxos de informações, altas tecnologias e metrópoles cada vez mais interligadas. Esta ideia é possível e real graças ao conceito conhecido como Ecovila e discutido em reportagem Neuza Árbocs, da Agência Envolverde, e publicada também pelo Instituto Ethos.
A reportagem informa que, independente da denominação (comunidade sustentável, alternativa ou ecovila), já existem cerca de 15 mil grupos de pessoas que vivem desta maneira ao redor do globo terrestre. Vivendo de forma absolutamente equilibrada com a natureza, eles são exemplos do que podem ser aplicados nas cidades grandes. Vale lembrar que, segundo Marcelo Ribeiro, membro da ecovila Terra Una, em Minas Gerais, existem comunidades sustentáveis que vivem dentro de metrópoles e se juntam a elas, como a Casa dos Hólons, em São Paulo. Ribeiro também deu entrevista para a reportagem.
Já que a matéria de Neuza falou sobre ecovilas, era preciso destacar a história deste conceito. Foi o que fez a repórter, que pesquisou muito o início desta nova febre mundial. O termo foi criado em um encontro em 95, no Reino Unido, em um local que reúne mais de 500 pessoas no norte da Escócia. Foi lá que, em 1962, três amigos resolveram estacionar o trailer na região, uma área então degradada na Escócia.
Lá existem jardins, hortas orgânicas e uma floresta em vias de restauração. Toda a água utilizada pela comunidade é tratada em tanques anaeróbicos e devolvida limpa ao meio ambiente e a energia é basicamente captada pelo vento.
Muito diferente da ideia de isolamento que tende a ser criada pelas pessoas que não vivem em ecovilas, um dos pontos-chave deste tipo de comunidade é a interação com a vizinhança, em uma tentativa de aumentar os esforços de preservação ecológica. Tudo através de um bom sistema de permuta. Algumas fazem, inclusive, suas próprias moedas e fornecem aulas para que todos entendam a filosofia dos negócios justos sem uma economia onde o lucro a qualquer preço é a principal solução.
Os locais também podem receber visitantes que comprovam, com os próprios olhos, os enormes benefícios de uma comunidade que vive em harmonia com os preceitos ecológicos. Isso ajuda o planeta e, é claro, às gerações futuras que tanto precisam dos esforços da atual para ter as mesmas oportunidades de aprendizado e vida. Aqui no Brasil há alguns bons exemplos, assim como ao redor do mundo. É preciso sempre olhar para a natureza e pensar que a raça humana faz parte do meio ambiente.
Resumo da Cruzada
Publicado em 10/04/2009
Chegou uma das épocas mais incríveis de todo o ano: a Páscoa. Época de confraternização e trocas de doces, trata-se de um feriado católico celebrado quarenta dias após o carnaval aliás, outra festa inesquecível. Como não poderia deixar de ser, a Creche Tio Beto realizou uma festa muito animada em sua sede, na região Pedra de Guaratiba (RJ), nesta última quinta-feira (09 de abril). O evento foi um grande sucesso e contou com a presença expressiva de país e familiares dos alunos daquela instituição de ensino.
Mas esta não foi a única alegria das crianças entre dois e seis anos que têm aulas na Tio Beto, um projeto criado e mantido pelo Núcleo de Responsabilidade Social do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais, e que faz parte da série de iniciativas apoiadas pela Cruzada do Menor. Vale lembrar que a Thalamus também apóia a pequena escola há alguns anos.
No dia 24 de março, os alunos receberam uma visita mais do que especial: a artesã Pretinha, conhecida internacionalmente pela sua técnica de transformar lacres de latinhas de alumínio em cerca de 240 itens de vestuário e acessório feminino. Na ocasião, ela deu uma verdadeira aula gratuita de reciclagem para aproximadas 25 mulheres da Creche Tio Beto. Para o site da Cruzada do Menor, ela disse o seguinte:
- Foi a primeira vez que ministrei uma oficina. Espero ter passado bastante conhecimento porque também gostei muito.
O curso serviu para celebrar os seis meses de sucesso do projeto Reciclavida, cuja principal meta é capacitar moças de baixa renda que vivem nas comunidades do entorno da creche através da costura e artesanato. Hoje, a empreitada já conta com trinta mulheres, que aprendem a fazer arte com matéria-prima que seria jogada no lixo e ganham uma nova fonte de renda.
Cantinho dos Eucaliptos
Não foi apenas a Creche Tio Beto que teve motivos para comemorar dentro da Cruzada do Menor. As 47 crianças do Cantinho dos Eucaliptos, programa em Nogueira, na região serrana do Rio de Janeiro, celebraram os 166 anos da cidade de Petrobrás, completos em março. A festa teve apoio do Sistema Integrado de Transporte, responsável por viabilizar a visita dos alunos ao Museu Imperial de Petrópolis, um dos mais belos do Brasil. Em homenagem ao aniversário, vale dizer que o local apresentou a peça teatral infantil Dom Ratão, fato que fez a festa da criançada presente.
Emilien Lacay
Para finalizar este pequeno apanhado de notícias da Cruzada do Menor no mês de fevereiro, é importante dizer que a Casa Emilien Lacay, um programa em parceria com a Associação Beneficência Francesa, em Jacarepaguá, vai lançar em abril um curso gratuito de consultoria para os responsáveis das crianças da instituição de ensino e que estão desempregados. Tudo para realocá-los no mercado de trabalho e fortalecer a auto-estima.
O curso terá a duração de dois meses e deve capacitar cerca de 15 pessoas a partir da colaboração das voluntárias Carla Almeida, consultora de Recursos Humanos, e da psicóloga Roseli Ferreira. Depois que a oficina terminar, os participantes serão encaminhados a vagas de trabalho em empresas que apóiam o projeto.
Ethos e responsabilidade social
Publicado em 10/04/2009
Esta semana, além do Instituto E, a Thalamus decidiu contar um pouco mais sobre as organizações não-governamentais que atuam e são reconhecidas pelo público brasileiro. É o caso, por exemplo, do Ethos, uma das principais entidades do país e com absoluta colaboração para o equilíbrio social do país. Sediado em São Paulo, é um local disposto a “mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade justa e sustentável”, como explica o site.
O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social foi criada em 1998 por empresários e executivos que vieram da iniciativa privada. Trata-se de um espaço destinado ao conhecimento, troca de experiências e criação de práticas de gestão e que visa aumentar a prática de sustentabilidade e coesão social. É, sem dúvida, reconhecido internacionalmente pelos projetos desenvolvidos com entidades de todo o planeta.
Ao todo, o instituto tem 1367 associados que possuem um faturamento anual correspondente a 35% do PIB nacional. Eles empresam cerca de duas milhões de pessoas e a principal característica é estabelecer padrões éticos de relacionamento com funcionários, clientes, comunidade, acionistas, poder público e com o meio ambiente.
Ao todo, o instituto trabalha com cinco linhas de atuação: Ampliação do movimento de responsabilidade social empresarial; aprofundamento de práticas em SER; influência sobre mercados e seus atores mais importantes, no sentido de criar um ambiente favorável à prática da RES; articulação do movimento de SER com políticas públicas e Produção de Informação.
O primeiro item visa engajar empresas de todo o Brasil e a mídia para o tema de Responsabilidade Social Empresarial, além de coordenar a criação do comitê brasileiro do Pacto Global da ONU. Já o segundo tópico promove uma Conferência Internacional anual para mais de mil participantes, constituição de redes de interesse e promoção da publicação de balanços sociais.
O terceiro item, por sua vez, pretende desenvolver critérios de investimentos socialmente responsáveis com fundos de pensão no Brasil, além de criação de programa de políticas públicas e SER. O quarto tema divulga relatório de SER em espaços públicos e eventos, além da promoção da participação de empresas na pauta de políticas públicas do Instituto Ethos.
Por último, mas não menos importante, está a pesquisa “Empresas e Responsabilidade Social Percepção e Tendências do Consumidor” e a produção e divulgação de conteúdo e um site de referência acerca do assunto. Há também o intercâmbio de informações com entidades internacionais atuantes diretamente na área escolhida pelo Ethos.
Instituto e
Publicado em 07/04/2009
Não é errado dizer que o Brasil possui uma boa safra de organizações não-governamentais dispostas a lutar em favor do meio ambiente e da igualdade social. Infelizmente, no entanto, o Poder Público não acompanha esta tendência e insiste em negligenciar problemas sérios e urgentes como os acima citados. Mas, entre as entidades sem fins lucrativos que fazem trabalhos magníficos, podem ser citadas a FASE, o Instituto Ethos, o Ibase e o Imazon, entre outros.
Além delas, há uma outra organização muito interessante e que alia a defesa do meio ambiente com o esporte. Trata-se do Instituto E (uma iniciativa dentro da marca E-brigade, que patrocina diversos atletas e profissionais habituados as trabalhar em contato com a natureza), criado e sediado no Rio de Janeiro. Seu principal objetivo, como diz o site, é promover a vocação do Brasil: um país de desenvolvimento sustentável.
O Instituto “visa sensibilizar e conferir visibilidade a temas, projetos e parceiros envolvidos com o desenvolvimento social, ambiental, cultural e econômico, atuando nas esferas da educação, do empoderamento e da mobilização social”, explica o texto oficial. Orientada por cartilhas essenciais da conservação e do equilíbrio humano como a Carta da Terra, Agenda 21, Objetivos do Milênio, Convenção da Biodiversidade e Protocolo de Kyoto a entidade busca atender aos direitos de todo ser humano, como o livre acesso à informação e ao fluxo de idéias.
Para atingir a comunicação criativa pregada como ferramenta, o Instituto E firmou parcerias com organizações muito respeitadas, como a Unesco, a WWF-Brasil, Instituto Sociambiental (ISA) e a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas). Um dos principais projetos do Instituto é o e-brigade, um movimento de sensibilização ambiental destinado, principalmente, aos jovens. Ele atua, principalmente, ao lado de entidades da sociedade vicil através do apoio a ações ecológicas e educacionais.
Há também os e-brigaders, pessoas notáveis e com muita disposição para seguir os preceitos das cartas e protocolos internacionais. Entre eles estão o velejador Beto Pandiani, o jornalista Gabriel Moojen, o alpinista Guilherme Rocha, o fotógrafo Gabriel Leitão e a triatleta Manuela Vilaseca.
O site do Instituto é uma verdadeira viagem pelo mundo ambiental. Além de explicações sobre as principais ferramentas de apoio à natureza em todo o mundo, com textos detalhados acerca do Protocolo de Kyoto e da Carta da Terra (criado e assinado durante a Rio-92), a página na internet apresenta os cincos e’s uma criação da própria entidade.
São eles: Earth, Envieronment, Energy, Education, Empowerment. No primeiro tópico, o texto explica que a Carta da Terra é uma espécie de Código de Ética a ser seguido por todos os habitantes do planeta. É, mais ou menos, uma Declaração dos Direitos Humanos para a ecologia. O segundo tema fala sobre a Convenção da Biodiversidade e os principais locais a serem preservados.
O terceiro, por sua vez, se relaciona ao Protocolo de Kyoto e às necessidades de reduzir o envio de gases estufa para atmosfera, sob risco de ocasionar as mudanças climáticas. Já a Declaração do Milênio, baseada na educação, foi assinada por diversos países em 2000 e visa o cuidado com as pessoas e com o patrimônio natural. O último fala sobre a Agenda 21, grande documento que direciona o olhar das pessoas para uma mudança no estilo de vida. Uma visita ao site é imperdível.
Brinquedos para as crianças da Creche Tio Beto
Publicado em 07/04/2009
Já faz um bom tempo, todos sabem, que a Thalamus apóia, com muito orgulho, o belo trabalho realizado pelo Núcleo de Responsabilidade Social do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais na Creche Tio Beto. Criada e mantida por eles e uma das instituições que fazem parte da Cruzada do Menor, a Tio Beto ajuda crianças que vivem em risco social na região de Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro.
A pequena escola, que sempre promove festas para os familiares das crianças, como celebração do Natal, dia do Meio Ambiente, Dias da Mãe e Pai e Festa Junina, também conta muito com a colaboração de doadores interessados em ajudar os profissionais a manterem os projetos de cunhos educacionais e pedagógicos. Lá, os pequenos e pequenas têm aulas de tudo, e são preparados para ingressar no método tradicional de ensino a partir do momento em que atingirem a idade máxima para permanecer na Tio Beto.
Agora, neste início de ano, uma bela notícia chegou para a instituição de ensino de Pedra de Guaratiba: um grupo de colaboradores da Ancar Gestão Integrada de Shopping Centers decidiu doar brinquedos e material pedagógico para as 98 crianças da creche. Parceira da Cruzada do menor em diversos projetos, a empresa tem 35 anos de experiência no mercado e ajudou muito a fortalecer o trabalho dos profissionais que atuam na Tio Beto com muita vontade de modificar as estruturas sociais do país.
Neste momento, vale a pena falar do voluntariado na Ancar Ivanhoe, já que faz parte da realidade da companhia há muitos anos. Desde sua criação, ela investe em projetos sociais, desde apoios financeiros até a participação direta de seus diretores, colaboradores e parceiros.
Um dos exemplos é uma instituição também muito conhecida do público da Thalamus: o Plantando o Amanhã, projeto apoiado pela Cruzada e pelo Shopping Nova América, em Del Castilho também no Rio de Janeiro. Eles atendem crianças, adolescentes e idosos há dez anos e já recebeu o Maxi Awars, prêmio apresentado nas Nações Unidas, na categorias “Community Service”.
Além disso, há também o trabalho com a Junior Achievement, outras organização muito comentada pela Thalamus. Trata-se de um programa internacional que visa incutir o espírito empreendedor na cabeça dos jovens e atende a sete milhões de estudantes em todo o planeta. Em 2000, a Ancar levou a Junior Achievement para o Rio de Janeiro. Desde então, mais 60 mil jovens no estado já foram beneficiados.
Para completar, vale dizer que a Cruzada do Menor foi a única Ong beneficiada no Fort Lauderdale International Film Festival (FLIFF), entre os dias 5 e 13 de abril de 2008, no cinema Paradiso Theatre, nos Estados Unidos. Considerado um dos maiores festivais do cinema independente naquele país, a mostra fez uma retrospectiva do cinema brasileira e passou alguns filmes nacionais.
Garanta a educação de uma criança em 2009
Publicado em 11/03/2009
As creches, Cruzada do Menor Creche Tio Beto e Obra de Missão Social Jardim Vovó Carmen, passam por uma das fases mais dificeis de suas bem-sucedidas histórias. Durante muitos anos, os projetos contaram com uma reserva financeira capaz de mantê-las em funcionamento, com apoios e parcerias. Em 2009, no entanto, os problemas chegaram com força total. A crise financeira que assola o mundo e a alta do custo de vida trouxe a evasão de alguns parceiros.
Hoje, com a ajuda econômica da Thalamus, da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro e de apoiadores como o Núcleo de Responsabilidade do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais, possui condições de custear 145 crianças entre 2 e 6 anos nas duas instituições. Isso significa que, sem novas injeções de recursos, 70 crianças poderão deixar as creches por falta de recursos utilizados na aquisição de material didático, alimentação, pagamento de salários, impostos, contas de luz, gás e água, telefone...
É possível, no entanto, modificar esta realidade. Para tanto, foi criada a campanha “GARANTA A EDUCAÇÃO DE UMA CRIANÇA EM 2009”. Ela é simples e eficiente. Na página da campanha aqui no site lançamos um termômetro que vai de 0 a 70, cada ponto representando uma criança que necessita de sua ajuda, o mercúrio está subindo até atingir a nossa meta.
No orçamento Cruzada do Menor Creche Tio Beto e Obra de Missão Social Jardim Vovó Carmen, a manutenção de uma criança durante um ano sob os cuidados de profissionais experientes e atenciosos corresponde a R$ 4.200,00 (quatro mil e duzentos reais). Por mês, são necessários R$ 350,00 (trezentos e cinquenta reais) por criança.
Portanto, este é o nosso pedido: seja solidário. “Adote” uma criança individualmente ou junte um grupo de amigos e faça uma contribuição conjunta; a soma de pequenos valores também ajuda, e muito, a atingir o objetivo final.
A Thalamus garante que os projetos são muito sérios. Em Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a Creche Tio Beto faz parte da Cruzada do Menor e atende a 125 crianças entre dois e seis anos. Todas vivem em situação de risco social, dentro de uma das áreas mais pobres da cidade. Já em Botafogo, um dos bairros nobres cariocas, a Obra de Missão Social Jardim Vovó Carmen, cuida com zelo de 90 meninos e meninas, também oriundos das camadas mais baixas da sociedade.
Campanha de doação de sangue
Publicado em 04/03/2009
O Carnaval, uma das épocas mais esperadas do ano, chegou ao fim. O período de folia e diversão em todo o país é a festa mais democrática que existe na cultura nacional, e todos podem participar, de uma forma ou de outra. Mas, na semana dos confetes e serpentinas, o número de doações de sangue diminui muito no Hemorio cai pela metade, para ser preciso. Isso acontece, é claro, pelas viagens e outros compromissos no feriado. Mas, paradoxalmente, é também uma época em que os hospitais precisam muito de estoque de sangue, pois infelizmente aumenta o número de acidentes.
Este ano, novamente, o Hemorio principal banco de sangue do estado do Rio de Janeiro e que o distribui para centenas de hospitais públicos fez a campanha “Vista a fantasia da solidariedade”. A madrinha do projeto é a modelo Luiza Brunet, também muito identificada com o Carnaval. Todas as Escolas de Samba do estado também aderiram à idéia desde 2004, quando ela foi lançada, assim como personalidades que se destacam na Sapucaí.
Agora, no entanto, a campanha acabou e surge uma outra, já amplamente conhecida pelos amigos e colaboradores da Thalamus: A Doar Sangue é Doar Vida. Desde 2006, duas vezes ao ano (sempre em março e setembro), a Associação promove, em parceria com o Hemorio, um mês inteiro de doações para aumentar o estoque da instituição. Neste primeiro semestre de 2009, a data escolhida para o início do projeto foi o tradicional 12 de março.
Neste dia, vale lembrar, a equipe da Thalamus estará de prontidão na sede do Hemorio para receber os doadores voluntários. A cada semestre, diversos colaboradores, amigos e leitores da Associação topam a proposta e vão ao local para ajudar o projeto e, claro, salvar vidas. E é sempre bom lembrar o lema da campanha: “Mais um”. Ou seja, se cada doador levar mais uma pessoa apenas para repetir o gesto, o estoque de sangue irá se multiplicar rapidamente. E quem não puder comparecer no dia 12, lembre-se: durante todo o mês, a campanha continua.
Não custa lembrar que a campanha é uma homenagem a Fernanda de Moraes Barboza. O estacionamento Rio gare, na rua Frei Caneca, 89, é gratuito para doadores e o Hemorio fica aberto das 7hs às 18hs. Não custa dizer que o organismo repõe todo o sangue doado no mesmo dia. Para tanto, é preciso ingerir bastante líquido, como sucos e água.
Não esqueça, é claro, de descansar durante dez ou quinze minutos após a doação e de tomar o lanche oferecido pelo Hemorio. Não fume durante uma hora e nada de bebidas alcoólicas durante o intervalo de cinco horas. Nenhum esforço físico com o braço que doou o sangue é recomendado até o dia seguinte. Lembre-se: a doação é prevista para maiores de 18 anos e menos de 65, sempre para pessoas com mais de 50 quilos.
Dívidas em Petrópolis
Publicado em 13/02/2009
A serra do Rio de Janeiro é, sem sombra de dúvidas, uma das regiões mais bonitas do estado. Para lá vão desde famílias interessadas em descanso, até amigos voltados para a diversão, passando por casais apaixonados em busca de um clima frio para relaxar e ver um filme na televisão. Mas, para além dos visitantes, a região também possui um atrativo extra: os moradores de lá, com sua própria cultura e jeito de ser.
A Thalamus, como bem sabem os amigos, parceiros e leitores, ajuda o distrito de Araras com o projeto de inclusão digital algo que levará aos jovens da região o mundo virtual, ferramenta indispensável nos dias atuais, tanto para consultas quanto para aquisição de conhecimento. Conhecida por ser um dos locais com menor sensação térmica do Rio de Janeiro, Araras também é famosa pela beleza de sua Mata Atlântica, de suas lindas montanhas e, claro, uma festa junina inesquecível.
Mas, infelizmente, o belo lugar também apresenta problemas graves políticos. De acordo com o jornal “Tribuna de Petrópolis”, o novo presidente da Companhia Municipal de Petrópolis (Comdep), Anderson Juliano, está bastante preocupado com as finanças da estatal. Ele explica, por exemplo, que a Comdep tem dívidas correspondentes a um quarto do orçamento de toda a cidade: 113 milhões de reais.
As dificuldades não param por aí. Ainda segundo a reportagem, Juliano afirmou que novos cobradores chegam à sede da companhia a cada dia, o que representa uma dívida ainda maior do que ela estudada até então. O levantamento de gastos é, realmente, surpreendente: em dezembro de 2000, a estatal precisava pagar 21 milhões de reais. Em apenas sete anos, a dívida quintuplicou.
O assunto é tão sério, explica Juliano, que se fosse uma empresa privada, ela já teria fechado ou pedido a concordata. Dos 90 veículos que a empresa possui, 20 estão fora de uso e outros cinco são usados para compactar o lixo domiciliar em Itaipava, Pedro do Rio e Posse. “A coleta nesses distritos, que é feita pela companhia, poderia estar sendo realizada diariamente não fosse o descaso da administração passada”, disse, para o tribuna de Petrópolis.
Para tentar resolver o imbróglio, o novo presidente da Comdep promete entregar um relatório para o tribunal de contas. Juliano explica que a Comdep vai pagar 70 mil reais pelo conserto de oito motores de caminhões, o que irá ajudar no desempenho da coleta de lixo na cidade. Trata-se de um grande avanço. Afinal, em 2008, a empresa gastou 674 mil reais apenas com aluguéis de veículos, entre eles carros de primeira linha para uso do presidente e diretores.
Agora, o novo chefe está averiguando se os contratos foram cumpridos. Caso tudo tenha sido regular, ele sabe que terá de arcar com os custos. Mas lamenta que o dinheiro não tenha sido usado para consertar diversos carros importantes. Além disso, a Comdep também alugava máquinas que já possuía, mas que estavam quebradas por descaso ou mau-uso.
Embora seja repleta de belezas naturais e, de fato, seja um ponto de parada obrigatória para turistas cariocas ou de outros cantos do Brasil e do mundo, ela também apresenta problemas parecidos com aqueles de outros cantos do Brasil: desigualdade social, impunidade, corrupção e descaso do Poder público.
Brinquedos para as crianças da Creche Tio Beto
Publicado em 13/02/2009
Já faz um bom tempo, todos sabem, que a Thalamus apóia, com muito orgulho, o belo trabalho realizado pelo Núcleo de Responsabilidade Social do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais na creche Tio Beto. Criada e mantida por eles e uma das instituições que fazem parte da Cruzada do Menor, a Tio Beto ajuda crianças que vivem em risco social na região de Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro.
A pequena escola, que sempre promove festas para os familiares das crianças, como celebração do Natal, dia do Meio Ambiente, Dias da Mãe e Pai e Festa Junina, também conta muito com a colaboração de doadores interessados em ajudar os profissionais a manterem os projetos de cunhos educacionais e pedagógicos. Lá, os pequenos e pequenas têm aulas de tudo, e são preparados para ingressar no método tradicional de ensino a partir do momento em que atingirem a idade máxima para permanecer na Tio Beto.
Agora, neste início de ano, uma bela notícia chegou para a instituição de ensino de Pedra de Guaratiba: um grupo de colaboradores da Ancar Gestão Integrada de Shopping Centers decidiu doar brinquedos e material pedagógico para as 98 crianças da creche. Parceira da Cruzada do menor em diversos projetos, a empresa tem 35 anos de experiência no mercado e ajudou muito a fortalecer o trabalho dos profissionais que atuam na Tio Beto com muita vontade de modificar as estruturas sociais do país.
Neste momento, vale a pena falar do voluntariado na Ancar Ivanhoe, já que faz parte da realidade da companhia há muitos anos. Desde sua criação, ela investe em projetos sociais, desde apoios financeiros até a participação direta de seus diretores, colaboradores e parceiros.
Um dos exemplos é uma instituição também muito conhecida do público da Thalamus: o Plantando o Amanhã, projeto apoiado pela Cruzada e pelo Shopping Nova América, em Del Castilho também no Rio de Janeiro. Eles atendem crianças, adolescentes e idosos há dez anos e já recebeu o Maxi Awars, prêmio apresentado nas Nações Unidas, na categorias “Community Servioce”.
Além disso, há também o trabalho com a Junior Achievement, outras organização muito comentada pela Thalamus. Trata-se de um programa internacional que visa incutir o espírito empreendedor na cabeça dos jovens e atende a sete milhões de estudantes em todo o planeta. Em 2000, a Ancar levou a Junior Achievement para o Rio de Janeiro. Desde então, mais 60 mil jovens no estado já foram beneficiados.
Para completar, vale dizer que a Cruzada do Menor foi a única Ong beneficiada no FortLauderdale International Film Festival (FLIFF), entre os dias 5 e 13 de abril de 2008, no cinema Paradiso Theatre, nos Estados Unidos. Considerado um dos maiores festivais do cinema independente naquele país, a mostra fez uma retrospectiva do cinema brasileira e passou alguns filmes nacionais.
Metrô doa recursos para Cruzada do Menor
Publicado em 06/02/2009
O reveillon de Copacabana é um dos mais conhecidos do mundo. Sobre isso, não há dúvidas. Nas areias da “Princesinha do Mar” e no calçadão que a limita se reúnem milhões de pessoas, brasileiros ou estrangeiros, à espera do primeiro dia do novo ano. Há décadas é assim e, provavelmente, continuará da mesma forma. A partir das 24 horas, um espetáculo com os mais belos fogos de artifício da cidade toma conta da paisagem durante cerca de 30 minutos, e todas as televisões ao redor do planeta mostram as imagens em cadeia nacional.
Pessoas de todos os lugares do Brasil e, principalmente, do estado do Rio de Janeiro escolhem Copacabana para viver os últimos momentos de cada dia 31 de dezembro na companhia de familiares, amigos, e infinitos corpos desconhecidos, que sorriem de branco a cada troca de olhares. É, sem dúvida, um dos maiores espetáculos da Terra, com muita confraternização, paz e alegria. Isso sem falar, é claro, nos desejos e sonhos para a nova temporada, tantos que se esbarram pelo ar.
A partir das 18 horas do último dia do ano, no entanto, as ruas nas redondezas do famoso bairro são fechadas e o trânsito fica absolutamente inviável. É preciso, portanto, escolher outros meios de locomoção. Um dos mais procurados pela população, e não poderia ser diferente, é o metrô. Milhares de pessoas descem para o subsolo e embarcam nos trens das mais variadas estações, mas com três destinos em comum: Arco Verde, Siqueira Campos ou Cantagalo, os pontos de parada do Metrô Rio em Copacabana.
Em 2008, o reveillon foi muito especial. Em parte, é claro, pela beleza da festa, a empolgação dos milhões de anônimos que se esbarram e se abraçam a todo momento, além da alegria que exala através da maresia. Mas, fora isso, o dia 31 de dezembro será lembrado como aquele em que o Metrô Rio firmou uma parceria com a Cruzada do Menor, entidade sem fins lucrativos que coordena projetos de inclusão social e preservação ecológica. Entre eles, como sabem os leitores da Thalamus, está a Creche Tio Beto, projeto capitaneado pelo Núcleo de Responsabilidade Social do grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais e apoiado pela associação.
O acordo foi o seguinte: toda a renda líquida obtida com as viagens de ida para o reveillon de Copacabana seria destinada para o Plantando o Amanhã, iniciativa da Cruzada e do Shopping Nova América. Ao todo, foram realizadas 95 mil viagens, em um total de 139 mil reais. Agora, as crianças, jovens, idosos e suas famílias do projeto serão beneficiadas graças à solidariedade da equipe do Metrô Rio.
De acordo com notícia no site da instituição, a doação em dinheiro vai colaborar no aprimoramento dos serviços que o Plantando o Amanhã oferece às pessoas matriculadas. Além disso, o público beneficiado com a campanha foi mostrado em todas as peças publicitárias, como outdoors espalhados em vários cantos da cidade, além de revistas e divulgações nas bilheterias e estações de todas as linhas.
A mãe de Pedro Rodrigues, que tem apenas três anos, ficou muito emocionada ao ver o filho no metrô que usa todos os dias para ir ao trabalho. “Mostrei a foto para todo mundo do trabalho e da família. Comprei cinco bilhetes só para recordação. Estou muito orgulhosa do meu filho. Foi uma campanha linda e com certeza vai beneficiar muitas pessoas. Obrigada, Metrô!”, disse Sirlene Rodrigues para a reportagem da Cruzada do Menor.
O Shopping Nova América foi outro que apoiou a campanha e divulgou todas as peças publicitárias de diversas formas: no e-mail de marketing, em seu site, cartazes, displays nas recepções e rádios do estabelecimento. Houve também dez veiculações na mídia impressa e eletrônica. Trata-se de uma excelente notícia, que vai ajudar a Cruzada a iniciar o ano de 2009 com muita alegria e empolgação, cheia de boas oportunidades pela frente.
Fórum Social Mundial chega ao fim
Publicado em 06/02/2009
Um dos maiores encontros organizados no mundo aconteceu em Belém, capital do Pará, na última semana. Entre os dias 27 de janeiro e 1º de fevereiro, a cidade foi palco do Fórum Social Mundial 2009, conferência já muito famosa, e não apenas no Brasil. Trata-se de um espaço de debate e construção de alianças entre os mais diversos atores sociais em busca de uma única causa: uma sociedade mais justa e igualitária.
Com o lema “Um outro mundo é possível”, o evento foi organizado por um Conselho Internacional que reuniu 129 países e serviu como facilitador de encontros e de formulações de ações alternativas no combate aos impasses sociais. Nesta edição, também entraram, como afirma reportagem da não-governamental WWF Brasil, a defesa da natureza, dos recursos naturais e povos tradicionais e o acesso universal aos bens comuns da humanidade.
Até agora, quatro edições do mega evento já foram realizadas em Porto Alegre, outra no Quênia e duas descentralizadas, com ações simultâneas em diferentes países. Desta vez, belém foi escolhida para sediar o evento em virtude de sua localização e da comemoração do Dia da Pan-amazônia, celebrado em 28 de janeiro. Cerca de duas mil atividades estiverem à disposição dos particpantes, divididas entre painéis de debates, seminários, oficinas e manifestações culturais.
Uma das atividades promovidas foi o Projeto Diálogos, consórcio financiado pela União Européia e do qual faz parte o WWF-Brasil. As ações foram organizadas pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e, claro, falou sobre a sua área de atuação e influência: a BR-163, uma das mais questionadas no país. Ao todo, o Fórum Social Mundial de 2009 recebeu 133 mil participantes de 142 países. Um número expressivo informado pela organização do evento e veiculada pela revista Carta Maior. Ao todo, envolvendo participantes e trabalhadores, o encontro reuniu cerca de 150 mil pessoas.
No último dia, foi realizada a Assembléia das Assembléias, como é chamado o encontro. Nele, foram apresentadas algumas propostas de campanhas globais a serem lançadas ainda em 2009, sempre com o intuito de promover a igualdade e a conservação da natureza. Ainda não há certeza sobre o próximo encontro, em 2011. Mas, sem sombras de dúvida, será em uma país da África, e não novamente no Brasil.
Uma das propostas mais marcantes foi a realização de uma semana de protestos contra a guerra e o capital entre os dias 28 de março e 4 de abril. Ela chega para agregar ainda mais valor aos já tradicionais dias internacionais da mulher e dos trabalhadores rurais, além da cúpula do G8, em julho, das Américas, em abril, e do Clima, em dezembro.
Provavelmente, a comemoração dos 60 anos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), também deverá ser palco de mobilizações e protestos de muitos dos participantes do Fórum Social Mundial. O encontro está marcado para o dia 4 de abril, na França. E no dia 30 há previsão de ações contra os crimes cometidos por Israel em Gaza, e de apoio à Palestina.
Para completar, as organizações que questionam a dúvida externa dos países em desenvolvimento levantaram uma proposta: que todos os governos façam auditorias e provem que as cobranças são ilegais. Desta forma, o pagamento seria interrompido e, mais, seria exigida uma reparação dos abusos cobrados em juros. Não deixa de ser uma ideia interessante. Resta saber se terá eco entre os políticos envolvidos.
Mudanças Climáticas têm novo site
Publicado em 30/01/2009
Não é à toa que o novo presidente norte-americano, Barack Obama, teve como uma de suas principais bandeiras durante a campanha para o principal cargo do planeta o combate ao aquecimento global. O problema é grave e real, como os leitores da Thalamus já perceberam, e exige uma mudança de postura imediata por parte de todos. É também por isso, por exemplo, que há diversas reuniões e conferências sobre preservação ecológica espalhadas pelos cinco continentes, criadas pelas Nações Unidas, governos ou entidades não-governamentais. Não é um tema da moda. Ele veio para ficar.
Estas breves afirmações já são mais do que suficientes para garantir a necessidade de criação de novos veículos de imprensa para a divulgação de assuntos relevantes ao meio ambiente. Pois foi o que fez a Embaixada do Reino Unido no Brasil, em parceria com o British Council (braço do Conselho Britânico no país) e a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI): criou um site especializado em mudanças climáticas, rico em conteúdo e qualidade de seus profissionais.
Destinado especialmente a jornalistas, pesquisadores e pessoas e organizações que atuam como fonte de informação à imprensa, o portal avisa, em seu texto de introdução, que “as mudanças climáticas são um tema que extrapola os muros da ciência ou os interesses de grupos e que já produzem alterações na política, na economia e na vida cotidiana das pessoas (onde mais claramente os impactos já vêm sendo percebidos)”.
O site, é bom dizer, partiu de uma análise de mídia chamada “Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira: uma análise de 50 jornais, no período de julho de 2005 a junho de 2007”. É possível baixar o arquivo e ler na íntegra dentro do portal. O resultado da pesquisa, no entanto, mostrou que era necessário criar um espaço destinado primordialmente aos profissionais do jornalismo, que ainda não conseguem (de forma geral) notar a relevância do tema para as sociedades contemporâneas.
Segundo, ainda, o texto de introdução, o jornalismo tem como funções intrínsecas:
agendar os temas prioritários para as democracias contemporâneas;
prover informação contextualizada sobre esses mesmos temas;
atuar como fiscal ( "cão de guarda” ou watchdog, para usar expressão anglo-saxônica) dos formuladores e executores de políticas públicas, colaborando para elevar o nível público de transparência (accountability) dos mesmos.
A estrutura do site é interessante: o menu principal traz conceitos e definições do aquecimento global e um bem desenvolvido relatório da crise. Há também um espaço para as políticas públicas e da sociedade civil, além de causas, efeitos e soluções para as mudanças no clima. Um especial com a situação das crianças neste cenário também é muito relevante, assim como um texto que explica a função do novo jornalismo.
Para completar, o conteúdo é brilhante. Há sempre um artigo escrito por um convidado especial, escolhido a dedo e sempre com excelentes histórias para contar. O exemplo mais recente é o do ambientalista e político Fábio Feldman, um dos mais importantes nomes de conservação no cenário brasileiro. Em seu texto, Feldman explica a criação do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, em 2000, para “internalizar a discussão que há algum tempo já vinha ocorrendo em âmbito internacional, a fim de preparar os interlocutores brasileiros presidente da República e seus ministros para que participem das negociações externas sobre a questão”.
Há também um espaço destinado à entrevistas. E belos papos já foram lá publicados, como com o jornalista, apresentador do Jornal das Dez, da GloboNews, e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, André Trigueiro. Para ele, é necessário “dar visibilidade ao problema (…). A calibragem tem que ser dada sem alarmismo, de modo a manter a mobilização e a consciência que remetem a uma nova atitude”.
Já Marcos Sá Corrêa, editor da revista Piauí e diretor do site O Eco, o brasileiro ainda não vê a crise ambiental como deveria. E os motivos para isso estão na própria criação da cultura nacional. “Uma das razões para isso está fundamentalmente entranhada na nossa história. A população foi criada achando que aqui é um berço esplêndido. O símbolo brasileiro era a exuberância das nossas florestas, as riquezas naturais inesgotáveis, a extensão do território virgem”.
O portal também conta com uma agenda dos principais eventos sobre o tema em todo o mundo, e dá sugestões de pautas para a imprensa. Portanto, se você não é jornalista, visite o site e aprenda muito mais. Mas, caso tenha escolhido o dom da palavra e da escrita para informar como profissão, então é seu dever passar horas e mais horas de olho no conteúdo. Todos os dias.
Em favor da Amazônia
Publicado em 30/01/2009
Em Belém, capital do Pará, reside uma das organizações não-governamentais mais importantes do país. O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) é reconhecida internacionalmente por seus esforços no combate ao desmatamento da maior floresta tropical do planeta. Nascido em 1990, o instituto de pesquisa tem como principal missão “promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia” a partir de apoio à políticas públicas, formação profissional e estudos.
Ao todo, a Ong já publicou 290 trabalhos técnicos, dos quais 129 viraram artigos em revistas científicas ou capítulos de livros, 87 artigos técnicos, 36 livros completos e 11 livretos, entre outros. Sempre, é claro, com foco na ciência e na relação saudável da natureza com os seres humanos. Para tanto, o Imazon desenvolve diagnósticos socioeconômicos dos usos de solo na floresta; desenvolve métodos para monitorá-los; realiza projetos de campo e elabora cenários para as mais diversas atividades econômicas.
Como explica o site, o trabalho é desenvolvido da seguinte forma:
Interdisciplinaridade: Permite uma abordagem holística e transversal dos vários temas que influenciam a sustentabilidade da Amazônia. Os estudos incluem análises econômicas e sociais, geográficas, ecológicas, políticas, legais e institucionais.
Busca de soluções: Os estudos estão direcionados à solução de problemas de uso e conservação dos recursos naturais na Amazônia.
Abordagem empírica: O Imazon enfatiza a observação e a coleta sistemática de dados primários sobre o uso e a conservação dos recursos naturais na Amazônia.
Método científico: O Imazon conduz análises objetivas e isentas baseadas em métodos científicos comprovados na literatura especializada.
O esforço dos profissionais da Ong, capitaneados por Adalberto Veríssimo, já ajudaram na elaboração de diversas políticas públicas, nas mais variadas esferas: zoneamento e regularização fundiária; criação e implantação de unidades de conservação; aperfeiçoamento dos sistemas de comando e controle e melhoria na aplicação de leis ambientais, entre outros. Para completar, é comum ver o Imazon ser convidado para integrar comissões técnicas de assuntos relacionados à Amazônia.
A cada mês, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulga os números do desmatamento no maior bioma brasileiro. O mesmo faz o Imazon, de forma independente e utilizando suas próprias metodologias. Quase sempre, os números são diferentes daqueles divulgados pela fonte oficial, o que auxilia no debate de idéias e na forma de observar o plano governamental para frear a derrubada ilegal de árvores.
No site da entidade, é possível acessar os documentos mais recentes criados pela equipe, além daqueles mais vistos. Entre eles está o famoso “Quem é dono da Amazônia?”, que explica como um número altíssimo de terras sem donos oficiais no bioma (nas mãos de grileiros e posseiros) ajuda a aumentar o status do desmatamento. Afinal, quando a multa chega à propriedade, os madeireiros já saíram há tempos.
Uma visita mais acurada pela página também leva o internauta aos tópicos de cada programa elaborado pelo Imazon, além de uma enorme gama de publicações prontas para o download. Para quem deseja ver imagens, deve buscar na seção de mapas e viajar no mundo das imagens de satélite e de georreferenciamento. Um prato cheio para quem curte a natureza.
Curso imperdível
Publicado em 23/01/2009
Juca Ribeiro é carioca, nasceu na Penha há 45 anos e cresceu na Baixada Fluminense. Não é errado dizer que ele já andou bastante por todo o Rio de Janeiro, e conhece a cidade na ponta dos dedos. Desde muito cedo, ele decidiu se envolver em projetos sociais, como voluntário. E isso fez toda a diferença em sua carreira, já que, além de ajudar, aprendeu muito. E sempre de graça, como gosta de dizer.
Sociólogo formado e detentor de um MBA em Responsabilidade Social no Terceiro Setor pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Ribeiro é aluno de mestrado em Políticas Sociais na Universidade Federal Fluminense. Dono de um currículo invejável, decidiu criar, em 2005, um curso de Formulação e Gestão de Projetos Sociais na Baixada Fluminense. Com mensalidades simbólicas, começou ali a devolver o que a vida lhe deu. Agora, quatro anos depois, Juca firmou uma parceria com a Faculdade Moraes Junior/ Mackenzie para ministrar o seu curso durante o ano de 2009. A primeira turma começa os trabalhos em março, com duração de dois meses. As matrículas já estão abertas. “A Thalamus também vai oferecer duas bolsas para pessoas interessadas em participar do curso. Mas, para tanto, é preciso satisfazer certos critérios. O principal deles é que a pessoa tenha capacidade de reproduzir nas suas instituições de origem as lições aprendidas no curso. Quem desejar mais informações sobre como se candidatar a esta bolsa, ou curiosidades sobre o curso, pode me telefonar no 95571099”, diz Juca.
Confira, abaixo, um bate-papo na íntegra com Juca Ribeiro.
Thalamus: Caro Juca. Obrigado por atender a Thalamus. Você está preparando um curso que será lançado em março, chamado “Formulação e Gestão de Projetos Sociais”. Qual a proposta?
Juca Ribeiro: A proposta do curso é capacitar e preparar gestores do Terceiro Setor e de organizações empresariais no sentido de estarem aptos a formular projetos tanto na área social, quanto na empresarial. Ele será lecionado aos sábados, sempre entre 9:30hs e 12:30hs. A primeira turma começa agora em março.
Thalamus: Qual será a metodologia adotada:
Juca: A ideia é formar turmas pequenas para valorizar a relação professor/aluno. Além disso, os conteúdos serão absolutamente práticos, com muito pouco de teoria. Desta forma, pretendo garantir que, no final do curso, cada aluno possa realmente desenvolver a aptidão e capacidade de formular e gerir projetos. Serão 40 horas de duração, dentro de dois meses.
Thalamus: O que, exatamente, será ensinado no curso?
Juca: Os alunos vão aprender passo a passo como formular um projeto social e como gerenciá-lo, também do mais básico ao mais complexo. Eles vão aprender a definir objetivos, metas, apresentar um projeto, fazer orçamento e organograma de execução físico-financeira. Também vou ensinar a ter controle sobre os gastos e como lidar com o processo de conflitos dentro das equipes, por exemplo.
Thalamus: E esta será a primeira vez que você dará o curso?
Juca: Na realidade, comecei a oficina de forma independente em 2005, e até hoje já tive cinco turmas. Inclusive construí o primeiro curso popular de formulação do Rio de Janeiro. Daí, a faculdade Moraes Junior/ Mackenzie, aqui no Rio, resolveu incorporar o curso de forma diferenciada e adaptada aos objetivos institucionais e acadêmicos. Portanto, a turma que será iniciada em março curso é a primeira pela Moraes Junior.
Thalamus: De onde surgiu a ideia para desenvolver uma oficina com esta vertente?
Juca: Existe essa carência no mercado, mas sobretudo existe um mercado caro de capacitação no eixo Rio-São Paulo. Em 2005, resolvi criar a primeira turma na Baixada Fluminense, na Associação Comercial e Industrial de São João de Meriti, a um preço irrisório. Porque, na realidade, esses cursos são muito caros e sou militante de movimentos sociais há 20 anos. Aprendi tudo de graça. Então não acho justo explorar a miséria e se auto-beneficiar.
Thalamus: Quem desejar se inscrever no curso, o que é preciso fazer?
Juca: Basta ligar para Moraes Junior, no telefone 21698200, e fazer matrícula. Ela custa 200 reais, um preço bem interessante e, no fim das contas, um excelente investimento. Os alunos vão ganhar um CD-Rom com bastante conteúdo, absolutamente completo. As matrículas estão abertas e em março acontece a primeira turma. Mas, quem não conseguir se inscrever já, não precisa se preocupar. Ao todo, teremos quatro oficinas este ano.
Troféu Beija-Flor chega ao XII aniversário
Publicado em 23/01/2009
Uma das organizações do Terceiro Setor mais conhecidas em todo o país, o RioVoluntário é famosa pelos trabalhos prestados em favor do voluntariado. Não é à toa que, a cada ano, ela promove um evento para premiar as pessoas que mais dedicaram esforços em prol da igualdade social sem receber salários ou benefícios para isso. Os leitores da Thalamus conhecem bem o troféu Beija-Flor, vencido em 2007 por Bibi Corção, voluntária da nossa associação.
Em 2008, é claro, não poderia ser diferente. Ainda mais após um ano conturbado, com crise econômica mundial e eleições nos diversos cantos do planeta. Com este pensamento, o RioVoluntário convidou a atriz Cissa Guimarães para atuar como Mestra de Cerimônia da XII edição do Troféu Beija-Flor, que aconteceu no Teatro Sesi com toda pompa merecida. Realizado na semana do Dia Internacional do Voluntário, como já é de praxe, a entidade transformou o palco do local escolhido em um espaço de homenagens, na manhã do dia 9 de dezembro.
Apesar de cedo, muitas pessoas marcaram presença, como personalidades, artistas, empresários e instituições que se destacaram ao longo da temporada nas causas sociais e ambientais. Luiz Chor, vice-presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) abriu o evento com destaque para a importância do Troféu Beija-Flor já que o voluntariado é um gesto muito belo, e merece ser reconhecido por todas as classes do país.
Logo depois, um dos momentos de maior emoção do dia aconteceu. Heloísa Coelho, diretora-executiva do RioVoluntário, subiu ao palco para agradecer a presença de todos em mais uma edição do evento. Mas, antes de sair, convocou Wanda Engel, uma das fundadoras da instituição e, sem dúvida, grande voluntária dos últimos onze anos. Ela, visivelmente feliz, recebeu o título de sócio Benemérito, a partir de uma decisão unânime dos conselheiros da organização não-governamental.
Ao todo, foram seis homenageados especiais e doze instituições vencedoras do Selo de Instituição Social Parceira do RioVoluntário, além dos dez voluntários eleitos como os principais do ano entre cem inscritos. Entre as organizações que receberam a honraria estão a Associação Ressurgir, Vida no Crescimento e na Solidariedade, Casa de Apoio a Criança com Câncer e a Associação Científico-Terapêutica em prol do Desenvolvimento Holístico do Ser (ATHOS).
Outro momento muito marcante da premiação ocorreu quando o voluntário Ricardo Ginzalez Rocha Souza, do Instituto Novo Ser, recebeu o seu troféu. Os convidados ficaram muito emocionados com o discurso, a luta e o ideal de Ricardo, que venceu problemas físicos para ajudar ao próximo. Ele faz instalação e capacitação de sistemas de comando de voz para pessoas com comprometimento motor e da fala.
Por essas e outras, o Troféu Beija-Flor foi muito comovente. Todos os presentes ficaram encantados com os esforços de cada pessoa representada no palco do Teatro Sesi, e impressionados com a capacidade que cada indivíduo possui de mudar o mundo, de alguma forma. Com absoluta certeza, todos saíram de lá com uma ponta a mais de esperança e energias renovadas para continuarem na árdua tarefa de promover equilíbrio social no Brasil.
Vale lembrar que o troféu foi inspirado na fábula do Beija-Flor e que o RioVoluntário o criou desde a sua fundação. As homenagens especiais, feitas nas categorias Mídia, Evento, Empresa, Instituição, Redes e Especial também sempre estiveram presentes e ajudam a ressaltar a importância do voluntariado nas diferentes esferas econômicas e sociais. É muito difícil escolher aqueles que melhor contribuíram para o benefício de comunidades carentes, já que todos merecem muitos aplausos e agradecimentos por cada gota de suor derramada. Elas, sem dúvida, são fundamentais para um futuro mais justo e repleto de paz.
Exemplo a ser seguido
Publicado em 16/01/2009
Em tempos de crise ambiental, muitas empresas e entidades do Terceiro Setor se mobilizam para influenciar as pessoas a adotarem atitudes de cuidado com a natureza e os recursos naturais. É o caso, por exemplo, do braço brasileiro do British Council (Conselho Britânico), destinado a promover a educação nos países em que se encontra e intercâmbios com o Reino Unido. Além de todas as atividades que habitualmente realiza, o British criou uma equipe e um website destinados apenas ao aquecimento global: o De Olho no Clima.
A proposta do trabalho é realmente incrível. Voltado para o público jovem (geração que, de fato, terá o poder no futuro para modificar a realidade e promover políticas públicas baseadas no bem-estar da natureza), o projeto engloba diversas atividades muito bem elaboradas e executadas. É difícil olhar o site cheio de informações e não ter interesse em navegar por ele. Ao longo dele, é possível encontrar explicações completas sobre efeito estufa, mudanças climáticas, causas e conseqüências, além de agenda com os principais eventos relacionados ao tema no Brasil e uma enorme gama de links correlacionados. Para completar, há ainda um clipping com as principais notícias da semana referentes a meio ambiente publicadas nos principais jornais brasileiros e mundiais.
O mais interessante, no entanto, são as atividades planejadas pela equipe do de Olho no Clima, em parceria com a sede do British Council da Inglaterra e as filiais dos outros países. No início do ano passado, por exemplo, três jovens entre 14 e 18 anos foram escolhidos como embaixadores do clima do país. Esse processo aconteceu em todas as nações-membro do G8+5 (grupo das oito maiores economias do mundi, mais Índia, Brasil, México, China e África do Sul).
Ao todo, 39 jovens se encontraram no Reino Unido para um encontro com o ministro do Meio Ambiente local e para redigir uma carta sobre os sonhos desta geração para o futuro. Ela foi entregue aos principais líderes políticos mundiais, pelos próprios autores, durante a Conferência de Kobe, no Japão, em maio passado. Ao longo do ano, os três jovens brasileiros (Guilherme Pastore, Laila Soares e Guilherme Vogaciano) foram convidados para palestras e participantes em workshops em diversos cantos do planeta. Trata-se, sem dúvida, de uma experiência muito rica e cheia de aprendizado.
Logo depois, foi criado o Embaixadores do Clima Módulo Escolas. Diversas escolas do Rio de Janeiro, São Paulo e Recife se inscreveram e as melhores foram escolhidas para participar do projeto. A cada bimestre, um tema era escolhido (agronegócio, água, energia alternativa e etc) e os alunos participantes, com o auxílio de um professor, deveriam produzir um projeto. Os vencedores ganhavam uma viagem para o Reino Unido ou algum lugar do Brasil, dependendo do módulo. Eles, assim como os embaixadores individuais, tiveram aulas com os mais renomados cientistas brasileiros e estrangeiros na sede da British Council.
Depois, foi a vez dos amantes de cinema e televisão terem uma chance de viajar para Londres. Qualquer pessoa entre 18 e 29 anos poderia fazer um vídeo de apenas um minuto, sem importar a qualidade, com uma idéia sobre alguma iniciativa real feita pela comunidade em que vive para reduzir o impacto da ação humana nas emissões de carbono. Os três vencedores teriam oficina de edição, roteiro e câmera no Canal Futura. Logo depois disso, eles fizeram um vídeo de três minutos cada um, e depois esperaram a votação popular. A grande vencedora foi a piauiense Patrícia Klein, de 22 anos. Ela foi à Inglaterra e produziu reportagens muito interessantes em projetos verdes por lá.
Para finalizar, talvez o mais legal tenha sido o Cape Farewell. Trata-se de um barco, guiado por um artista inglês, David Buckland, que sai todo ano para uma viagem de duas semanas em volta do Ártico. O objetivo é mostrar os efeitos do aquecimento global de perto, para artistas, cientistas e estudantes do mundo todo. Em 2008, dois brasileiros foram pela primeira vez: Victor Cury e Amanda Bergman, jovens de 17 anos, cariocas, e estudantes da Escola Parque. Esta sim é uma viagem inesquecível. Acompanhe tudo pelo site. Sempre há uma novidade.
Desafio Intermodal
Publicado em 16/01/2009
Há três anos, a ONG carioca Transporte Ativo promove um evento que chama a atenção da mídia. Criada em 2003 pelo designer Zé Lobo, a entidade incentiva todos os tipos de transportes movidos a propulsão humana em favor da saúde individual e, claro, do planeta. Reconhecida internacionalmente por seus esforços e vencedora de diversos prêmios, a TA tem no currículo um sem número de atividades em favor do meio ambiente e do bem-estar. Uma das mais conhecidas foi realizada pela terceira vez, no Rio de Janeiro, no dia 18 de dezembro de 2008: o Desafio Intermodal Carioca.
A intenção é mostrar qual o meio de transporte mais eficiente para atravessar a cidade na hora de maior movimento: logo depois do trabalho. A partir daí, é possível repensar a mobilidade das pessoas em uma das maiores metrópoles brasileiras, que conta com 141 quilômetros de ciclovias. As regras são simples: diversos veículos saem do mesmo local, ao mesmo tempo e com um destino comum, bem no meio da hora do rush. Neste caso, o trajeto foi da Central do Brasil até a Praça Antero de Quental, no Leblon. Todos passaram pela estação do metrô Cantagalo,em Copacabana e, claro, respeitaram as regras de trânsito e de segurança.
De acordo com comunicado da TA, “Quem usa a bicicleta, economiza tempo, dinheiro e saúde.(...) Mais infra-estrutura viária, estacionamentos e campanhas de sensibilização levarão cada vez mais pessoas a buscarem a praticidade da bicicleta. Essa situação gerará benefícios para todos os cidadãos, tanto os que ficam presos no engarrafamento dentro de seus carros, quanto, principalmente, a maioria dos habitantes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro que se deslocam a pé e de ônibus”.
Os resultados foram surpreendentes. Em primeiro lugar e, portanto, transporte mais útil, ficou a bicicleta pilotada por um homem, seguida pela bike da ciclovia e magrela com uma moça ao volante. Em quarto veio a moto, seguida pelo metrô com integração no ônibus. As últimas posições foram ocupadas pelo carro, depois o ônibus e, por último, o táxi. Ou seja, chega-se mais rápido em casa de bicicleta, e ainda faz um exercício excelente para a saúde.
Não custa lembrar, baseado neste trabalho, que a cidade do Rio de Janeiro acaba de receber um sistema de aluguel de bicicletas semelhantes ao que existe em diversas cidades européias, como Paris. Alguns postos estão espalhados pela cidade (ainda são poucos, mas irão aumentar) e é tudo automático. Basta ligar para a central, fazer um cadastro e pronto, pode alugar uma bike. Basta pegar um código e devolvê-la em outro posto. Os custos ainda não são baixos, mas é uma excelente alternativa. E vem debitado de seu cartão de crédito.
Não custa lembrar que os automóveis são alguns dos principais responsáveis pela emissão de gases estufa para a atmosfera, que por sua vez são os culpados pelo aquecimento global. Portanto, andar de bicicleta, skate ou outro transporte que não emita carbono contribui diretamente para um planeta mais verde e melhor qualidade de vida da população, sem riscos de eventos naturais extremos, derretimento das calotas polares e por aí vai.
Poznan e lixo na Alemanha
Publicado em 09/01/2009
Nos últimos anos, a Thalamus tenta chamar a atenção dos leitores e parceiros para um grave problema ambiental que afeta o Brasil inteiro: a destinação correta dos resíduos sólidos. No país, a grande maioria dos municípios não tem uma correta infra-estrutura sanitária, fato que polui os lençóis freáticos e afeta diretamente a biodiversidade. Para tentar indicar possíveis caminhos e melhorias deste quadro, escrevemos uma série de reportagens em 2007 chamada de “Os casos do lixo” e montamos um “Manual do Síndico”, disponível para download no site do Zeko. Com ele, os condomínios descobrem passo a passo como é simples enviar os resíduos para a reciclagem.
Uma das melhores medidas para solucionar o problema do lixo foi anunciada pela reportagem de Rogério Ruschel, na última edição da Folha do Meio Ambiente. Escrito diretamente da cidade de Leverkussen, na Alemanha, o texto retrata uma experiência inédita e de muito sucesso: uma central de coleta seletiva no meio do município recebe os resíduos sólidos levados por cada habitante. Criado pela empresa AVEA, o Centro dispõe de 38 caixas coletoras, cada uma responsável por armazenar um tipo diferente de material.
A matemática é simples: as pessoas chegam até o Centro, abrem a mala de seus carros, pegam as sacolas plásticas e elas encaminham até a caixa certa. Caso haja confusão, existem instrutores para direcionar os clientes. E não parece ser muito fácil, já que existem cinco tipos de sobras de informáticas, sete diferentes metais, e por aí vai. Mas, por incrível que pareça, a população sabe exatamente o que deve fazer. De acordo com Ruschel, que esteve na cidade em companhia dos quatro jovens embaixadores ambientais da Bayern-Pnuma 2008, há uma explicação para isso. Essa rotina é, nada mais, do que o resultado de dez anos de educação e informação de acordo com Hamid Shakoor, gerente da Avea.
O grande truque é que os cidadãos são pegos pelo bolso, explica Rogério Ruschel. Além de pagar uma taxa fixa para a coleta de um determinado volume de lixo seco ao ano, os moradores da região precisam investir ainda mais se quiserem uma coleta separada. Portanto, se desfazer de uma poltrona velha ou um guarda-chuva quebrado custa caro. E, na cidade alemã, não é permitido jogar lixo nas ruas ou em terrenos baldios, como vemos no Brasil. Portanto, levar o seu próprio lixo para o Centro de Coleta acaba saindo mais barato, e ainda ajuda o meio ambiente. Os números são fantásticos: mais de 90% da população de 165 mil habitantes de Leverkussen têm o hábito de carregar os seus próprios resíduos sólidos.
Poznan
Na mesma edição da Folha do Meio Ambiente, há uma reportagem bem interessante sobre a postura brasileira na Conferência das Nações Unidas realizada em Poznan, na Polônia, em dezembro. O balanço é interessante para notar qual será a postura do governo neste ano de 2009 que acaba de iniciar. Na ocasião, em seu discurso de apresentação, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, seguiu com a postura atrasada do Brasil, que já virou piada ao redor do mundo.
A postura brasileira é de que os países desenvolvidos precisam avançar mais na redução das emissões de gases estufa e na troca de tecnologias verdes. Este discurso, é claro, faz todo o sentido, já que os países ricos são os responsáveis históricos pelo aquecimento global, já que se industrializaram muitas décadas na frente dos demais. Porém, mostra uma visão retrógrada do Poder Público brasileiro, uma vez que as conseqüências das mudanças climáticas vão atingir a todos. Não é hora de disputas diplomáticas, e sim de uma ação conjunta, de todo o planeta.
Minc parabenizou o Reino Unido pela meta de reduzir 80% de suas emissões de carbono atuais até 2050, e foi feliz ao dizer que as medidas tomadas até agora não estão nem perto de fazer o efeito desejado no freio às alterações do clima. Ao manter o papel de responsabilidades comuns e diferenciadas, no entanto, Minc mostra um conservacionismo que nem de perto é o que precisamos daqui para frente.
Obama combate a crise
Publicado em 09/01/2009
Há alguns meses, a crise econômica causada pelo crash do mercado de créditos norte-americanos abalou o mundo. Afinal, estávamos diante de qual cenário? No início de 2009, cabeça fria e estudos avançados sobre a situação financeira mundial acalmaram um pouco os ânimos de profissionais desesperados e quebras de grandes corporações. Trata-se, sem sombras de dúvidas, da pior crise em escala global desde a quebra da Bolsa de Nova Iorque, no já longínquo ano de 1929. Talvez, aliás, este seja um momento ainda mais delicado do que aquele. Mas, isso, só o tempo dirá.
Os jornais, pensadores políticos e também a Thalamus já falaram diversas vezes sobre o impasse econômico, que beira o civilizatório. Há muitas teorias sobre as causas e conseqüências do imbróglio, algumas sãs, outras nem tanto. Mas a verdade é que o mundo sairá completamente diferente do que era quando entrou nesta crise, seja quando for. Afinal, ela pode durar mais um ano. E também mais dez. Tudo vai depender dos esforços da população e, principalmente, dos líderes políticos mundiais para revertê-la.
Talvez por isso, doze dias antes de assumir o salão oval da Casa Branca como o novo presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama anunciou as iniciativas do pacote econômico de 800 bilhões de dólares que pretende enviar para votação no Congresso. Segundo matéria publicada nesta sexta-feira pelo jornal O Globo, o ex-senador por Illinois mostrou um cenário preocupante, mas bastante preciso. Com suas declarações, pediu que os parlamentares sejam rápidos na aprovação da proposta. Caso contrário, o país poderá se afundar cada vez mais.
Em um discurso em Washington na última quinta-feira, Obama declarou que o índice de desemprego poderá chegar a dígitos duplos caso medidas drásticas não sejam tomadas a tempo. Além disso, afirmou que, provavelmente, o número atual de pessoas sem emprego já é o maior desde o fim da segunda Guerra Mundial. “Nossa economia poderia ficar 1 trilhão de dólares abaixo de sua capacidade total. Para encurtar, uma situação ruim poderia tornar-se drasticamente pior”, afirmou em passagem escrita na reportagem de José Meirelles Passos, correspondente do O Globo na capital americana.
O novo presidente foi além e disse que Wall Street (a bolsa de valores dos EUA), o governo e o Congresso são os principais culpados pela crise, e que em sua administração os investimentos feitos com o dinheiro dos contribuintes serão absolutamente transparentes. Segundo ele, a internet mostrará onde os dólares do Imposto de Renda pago pelos americanos estão sendo gastos.
Para impulsionar o consumo, Obama prometeu que 95% das famílias trabalhadoras norte-americanas receberão um abatimento de um mil dólares no imposto, além de receberem eficiência energética em suas residências. Em completa desarmonia com o governo brasileiro, que joga a culpa e a responsabilidade de contornar as mudanças climáticas para terceiros, Obama disse que hora de olhar para frente e se mexer o mais rápido possível para contornar o impasse em vigência.
De acordo com ele, “só o governo pode fornecer o impulso de curto prazo necessário para nos tirar de uma recessão tão profunda e severa. Só o governo pode romper os círculos viciosos que estão debilitando a nossa economia”, noticiou O Globo. E a resposta foi imediata. Nancy Pelosi, presidente da Câmara, disse que o tradicional recesso do Congresso, realizado sempre na terceira semana de fevereiro, não acontecerá caso o pacote proposto por Obama ainda não tiver sido aprovado.
Piano Solo 2008 chega ao fim
Publicado em 12/12/2008
Chegou ao fim a segunda edição do projeto Piano Solo. Durante três noites, o público carioca pôde acompanhar shows inesquecíveis, com a mistura do talento consagrado e da nova geração (o que já virou um marco do evento). Famosa por seus espetáculos sempre lotados e de bom gosto, a sala Cecília Meireles, na Lapa, acrescentou mais alguns concertos monumentais em sua bagagem. Não é para menos: em seu palco subiram nomes como João Donato, César Camargo Mariano e Marcos Valle, três monstros sagrados da música brasileira.
No ano passado, a primeira edição do projeto levou para o Rio de Janeiro e São Paulo alguns dos principais pianistas brasileiros, reconhecidos internacionalmente. Curioso, por exemplo, que eles sejam mais bem vistos no exterior do que dentro de seu próprio país, como é o caso de Cristina Ortiz e Nelson Freitas. Depois de longo tempo e de um tenebroso inverno, a pátria tupiniquim pôde acompanhar alguns de seus maiores gênios musicais em ação. E o melhor: dividindo o palco com jovens muito talentosos, repletos de conhecimento do estilo clássico.
Este ano o evento chegou à sua segunda edição, mas mudou um pouco de figura. Em primeiro lugar, foi realizado apenas no Rio de Janeiro, e em três dias, não mais quatro. Mesmo assim, não perdeu um pingo de seu charme e reuniu, mais uma vez, um grande público saudoso de excelentes shows.
Na estréia, César Camargo Mariano, um dos grandes arranjadores do Brasil, mostrou suas músicas na apresentação principal da noite. Antes, porém, foi a vez do jovem pianista Pablo Lapidusas (com quem a Thalamus fez uma entrevista completa no último mês) mostrar que as aulas de piano em Minas gerais o transformaram em um exímio solista. Fã de Mariano, Lapidusas foi convidado pelo mestre para um dueto, fato marcante e, sem dúvida, um dos momentos altos desta edição.
Depois, no dia 25 de novembro, foi a vez de Marcos Valle discorrer seu extenso repertório. Conhecido como um dos mais talentosos compositores da segunda geração da Bossa Nova, Valle contagiou o público com sucessos como o “Samba de Verão”, uma das músicas brasileiras mais tocadas no mundo inteiro. E quem chegou cedo à sala Cecília Meireles não se arrependeu, pois teve a oportunidade de conferir o belo trabalho realizado pelas jovens Bianca Gismonti e Claudia Castelo Branco, no dueto GisBranco.
No último dia 9, João Donato chegou à Lapa para encerrar os trabalhos do Piano Solo 2008. Casa cheia, ele desfilou suas músicas com a desenvoltura de sempre. Nascido em Rio Branco, capital do Acre, em 1934, João Donato começou tocando acordeão, no qual compôs sua primeira música, aos oito anos. Carioca de coração, é um dos maiores instrumentistas que o Brasil já teve. Mesmo com tanta experiência, o músico deve ter ficado impressionado com o pianista pernambucano Vitor Araújo, responsável pelo show de abertura. Com apenas 19 anos, o rapaz já lançou cd, ganhou crítica positiva do jornal O Globo e passeia de Villa-Lobos até Radiohead, grupo de rock contemporâneo.
Como no último ano, todo o dinheiro arrecadado com a venda de ingressos para o Piano Solo será revertida para a Obra Social O Sol, projeto apoiado pela Thalamus. Há décadas em ação, a obra incentiva o artesanato brasileiro, através da Feira Permanente e de cursos das mais diferentes técnicas, sempre com bolsas de estudo para aqueles que não têm condições de pagar. A cada ano, um caminhão da entidade passeia pelo interior do Brasil em busca de peças produzidas por famílias ou artesãos carentes.
Uma vez no Rio de Janeiro (a sede fica no bairro do Jardim Botânico), os produtos são colocados á venda e a renda é destinada para seus artistas. Desta forma, o trabalho é reconhecido e a renda mensal ganha um componente a mais. Os alunos do curso, caso mostrem talento e interesse, também podem expor suas peças e até colocá-las à venda.
Destino verde na Polônia
Publicado em 12/12/2008
Depois de duas semanas de muito trabalho, chegou ao fim, nesta sexta-feira, a 14ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Representantes de mais de 190 países se reuniram na gelada Poznan, Polônia, para a última rodada de negociações sobre o acordo que sucederá o Protocolo de Kyoto a partir de 2012. O futuro do planeta será decidido no final do próximo ano, quando os políticos das mesmas nações se reunirão em Copenhagem, na Dinamarca.
É provável que os responsáveis pelas conversas e acordos tenham sido abatidos pelo frio do outono (quase inverno) polonês. O que se viu durante os 15 dias de debates foram muitas teorias, enorme teor sobre como a crise econômica mundial vai afetar os objetivos de preservação da natureza e quase nenhuma ação concreta. A cereja do bolo, pelo menos, ficou para o último dia, quando um empolgado Al Gore (ex-vice presidente dos Estados Unidos e prêmio Nobel da Paz) subiu ao palanque para um discurso inflamado.
O começo de sua palestra, “Yes, we can”, foi perfeita para o momento: com o jargão criado pelo seu amigo e novo presidente eleito norte-americano, Barack Obama, Gore quis chamar a atenção para o fato de que ainda há esperança no meio da nuvem negra que impõe sobre o meio ambiente. Para ele, é preciso que os negociadores aceitem a tese de que devem reduzir os níveis de carbono na atmosfera para 350 ppm (partes por milhão), quando o máximo que se pensa hoje é atingir os 450 ppm. É bom ter alguém tão otimista.
Apesar das perspectivas um tanto congeladas que foram discutidas em Poznan, Al Gore acredita que um acordo muito agressivo será assinado em Copenhagem para o corte nas emissões de carbono. Talvez ele tenha os seus motivos. Reportagem do jornal O Globo desta sexta-feira, por exemplo, conta que o Reino Unido anunciou o investimento de 100 milhões de libras para o combate ao desmatamento, que responde por 17% do lançamento de gases do efeito estufa mundial e por 75% do brasileiro.
De acordo com o jornalista Carlos Albuquerque, que assina a matéria, o plano britânico é o primeiro do mundo com objetivo único de salvar as florestas tropicais e contempla 15 países, entre financiadores e beneficiados. O primeiro grupo conta com Alemanha, Noruega e França, além da ilha comandada pela família Real. Já no segundo, é claro, entram nações como Brasil e Indonésia.
Talvez esta tenha sido uma das principais notícias de uma convenção que já iniciou os trabalhos sem boas perspectivas em função da crise. O mundo, de fato, está com muito menos dinheiro para investir nas mais diversas áreas de planejamento. E, infelizmente, o aquecimento global ainda não é visto como absoluta prioridade, o que contribui para piorar a situação. Ela, no entanto, já estava ruim desde o princípio, já que a reunião acontece um mês antes da posse de Obama como chefe de Estado dos norte-americanos. Por isso, o país ainda não anunciou nenhuma meta para reduzir suas emissões. Mas as esperanças que isto aconteça em breve são enormes.
O Brasil, que se fez presente na reunião, lançou um projeto para a transmissão de teconologias verdes, chamado de Atia (Aliança Tecnológica para Inovações Antiaquecimento). Carlos Minc, ministro de Meio Ambiente, disse que o projeto pode ser financiado pelos créditos de carbono. É esperar para ver.
Obama e a política energética
Publicado em 05/12/2008
Barack Obama é o novo presidente dos Estados Unidos e assumirá o cargo a partir do dia 20 de janeiro de 2009. Nada nesta frase é novidade cerca de um mês após a apuração dos votos na mais festejada eleição norte-americana desde Bill Clinton. O fato inédito, no entanto, é o que o editor da cultuada revista Eco21, René Capriles, escreveu em seu artigo na atual edição de sua publicação: a promessa de Obama em promover uma política de desenvolvimento baseada em energias renováveis foi um dos principais fatores para a vitória deste descendente de quenianos ao posto máximo na política da maior potência econômica.
René conta que o Sierra Club, maior e mais antiga fundação ambientalista do mundo (criada oficialmente por John Muir em 1892), fez uma pesquisa nacional de boca-de-urna no dia anterior à votação, e no próprio 4 de novembro. Os resultados foram categóricos: 50% dos entrevistados escolheram seu candidato em função da política energética proposta durante a campanha, em uma comparação direta entre Obama e John McCain, do Partido Republicano.
De acordo com René, o maior desafio do novo presidente será mesmo resolver o problema da energia, já que os Estados Unidos consomem 25% das reservas energéticas do planeta, mesmo com apenas 5% da população mundial. Entre os projetos de Obama, sobre os quais ele fala desde a época de senador por Illinois e que aperfeiçoou durante a campanha para torná-los nacionais, estão:
Oferecer assistência no curto prazo às famílias que pagam muito pela gasolina.
Dispor de um milhão de carros híbridos até 2015, todos fabricados nos EUA, sendo que eles devem andar pelo menos 60 km por litro.
Gerar 10% da eletricidade utilizando recursos renováveis até 2012, e 25% até 2025.
Criar cinco milhões de empregos “verdes” investindo 150 bilhões de dólares nos próximos dez anos.
Ele parece mesmo interessado em mudar a postura de seu país, já que, informa Capriles, chegou a comparar a dependência do petróleo em seu país com o alcoolismo. Em outras palavras, afirmou que criticar o uso de combustíveis fósseis sem indicar saídas viáveis com energias renováveis, é o mesmo que assumir a doença e não buscar tratamento.
Em 2004, o Partido Democrata já percebeu o quão avançado em assuntos ambientais era Obama. Na época, ele foi convidado por John Kerry, então candidato à presidência dos Estados Unidos contra George W. Bush, que acabaria reeleito, para ser o seu principal assessor em assuntos ecológicos. E deu provas de que Kerry acertou quando organizou um evento e tomou os mínimos cuidados para garantir que tudo estivesse dentro das normas exigidas pelos ambientalistas, desde alimentação e transportes, até a iluminação dos aparelhos eletrônicos, gerada por energia solar e eólica.
Mas, apesar das boas idéias, Obama terá muita pressão pela frente. E não pode ser diferente. Neste momento, acontece a mais importante reunião sobre o clima de 2008, em Poznan, na Polônia. Até agora, não há grandes metas sendo debatidas, mas os discursos estão acalorados. Fato é, no entanto, que este encontro é uma preparação para a conferência de Copenhagem, na Dinamarca, a ser realizada no final do próximo ano. Lá, será definido o acordo que entrará em vigor após o fim do Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.
Espera-se que, nesta reunião, Obama apresente uma proposta clara e arrojada para reduzir as emissões de carbono de seu país, algo que Bush jamais fez. Ele será cobrado por isso, como afirma Rajendra Pachauri no artigo de René Capriles. Segundo o presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC), é preciso que os EUA aproveitem a chance única de assumir a liderança no campo ecológico global. Ele está otimista. Todos estamos.
Novidades no Brasil Pnuma
Publicado em 05/12/2008
De dois em dois meses, o Instituto Brasil Pnuma (braço das Nações Unidas para o meio ambiente), publica um informativo com as notícias mais relevantes sobre a natureza ao redor do mundo. Desta vez, o site da organização traz uma seção chamada de “antena”, com notas curtas sobre assuntos diversos. Todos são de extrema importância, sem sombras de dúvida. E, por isso, merecem um espaço no site da Thalamus.
Um dos temas relacionados é o perigo causado pela poluição nos oceanos, enormes berçários da vida tal e qual a conhecemos. Responsável por gerar o aumento no número das “zonas mortas”, a sujeira ajuda na proliferação de algas em virtude do despejo de esgoto com alta quantidade de dejetos orgânicos. De acordo com um artigo publicado na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, são os peixes e crustáceos os animais mais afetados pelo problema, que é uma grande ameaça aos ecossistemas marinhos e costeiros.
No último mês de outubro, as artes novamente deram uma boa contribuição para o combate ao aquecimento global. Na ocasião, a cidade de Nova Iorque (EUA) promoveu uma exibição e um leilão de obras de arte desenvolvidas por jovens artistas plásticos engajados na causa, sob o tema Paint for the Planet (Pintando pelo planeta, em tradução livre). O evento foi de extrema importância, já que refletiu o medo e as esperanças das crianças diante da crise ambiental, o que pode chamar a atenção de líderes políticos e representantes influentes dos setores civil e privado.
A iniciativa, é bom dizer, teve como lema a Unite to Combate Climate Change, um pedido direto para que os países aceitem metas expressivas de redução das emissões de gases que causam o efeito estufa a partir da próxima rodada de negociações, na Dinamarca, no final do próximo ano. A competição foi promovida pelo Pnuma, que também leiloou algumas obras a fim de investir em crianças que, de algumas forma, já foram prejudicadas pelas mudanças climáticas.
Uma outra notícia de grande valor é a proposta do Pnuma de recuperar ecossistemas importantes ameaçados em cinco países. Os resultados serão apresentados na Convenção sobre Biodiversidade, em Nagoya, Japão, em 2010. Mas já se sabe que um lago em Mali e uma floresta absolutamente degradada no Quênia fazem parte da lista de lugares que vão receber pesados investimentos em sua recuperação.
Segundo o diretor-executivo do Pnuma e subsecretário-geral da ONU, Achim Steiner, a idéia é que este projeto também ajude às comunidades mais pobres do planeta a se adaptarem aos novos tempos de alterações no clima. Faz todo o sentido, já que os efeitos do aquecimento e a conseqüente alta no preço dos alimentos são culpados diretos pelo acréscimo no número de conflitos e refugiados no mundo. Em 2010, as Nações Unidas acreditam que 50 milhões de pessoas deverão sair de suas casas em virtude de desastres ambientais, algo que já vemos acontecer em Santa Catarina, infelizmente.
Para quem não sabe, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) foi criado em 1972 para estreitar as relações entre cientistas, autoridades governamentais, empresários, parlamentares, engenheiros e economistas em vista de um progresso baseado no desenvolvimento sustentável. È responsável, também, por unir as nações em torno do mesmo objetivo: combater os graves efeitos da crise ambiental no planeta, causada pelos homens, basicamente, e que irá afetar a todos.
O Instituto Brasil Pnuma, por sua vez, está sediado no Rio de Janeiro desde 1991 e visa divulgar os resultados dos trabalhos realizados na sede. Mas não é só isso. Também promove atividades de educação e conscientização ambiental, além de produzir encontros, seminários e palestras sobre os diversos assuntos relacionados à ecologia, como Agenda 21 e Desenvolvimento Sustentável.
Atividades da Cruzada
Publicado em 28/11/2008
No início do mês de novembro, a Thalamus anunciou que os jovens do Plantando o Amanhã, programa da Cruzada do Menor em parceria com o Shopping Nova América, em Del Castilho (RJ), iriam participar da XIX edição da Feira de Miniempresas, organizada pela ong internacional Junior Achievement. Pois foi o que aconteceu. No dia 8, 25 alunos colocaram em prática absolutamente tudo o que aprenderam no projeto, desde negociação, até a venda dos belos imãs temáticos que eles mesmos desenvolveram.
Na abertura do evento, que aconteceu no Rio Design Barra, os participantes do evento acompanharam uma palestra de Rudi Werner, dono do salão Werner Coiffeur, sobre incentivo ao empreendedorismo da juventude brasileira. Logo depois, foi o momento de iniciar o trabalho de negociação e, por que não, descobrir talentos natos durante o dia. Foi o que aconteceu com Erick Piedade de Souza, de apenas 15 anos, que mais vezes vendeu o charmoso irmã Pão de Açúcar.
Mas o esforço dos jovens do Plantando o Amanhã não pára por aí. Eles continuam com o trabalho dos imãs, sempre focados na visão empreendedora que adquiriram ao longo da feira promovida pela Junior Achievement. Aliás, qualquer pessoa pode comprar os belos produtos feitos pelos adolescentes. Para escolher, basta clicar aqui e conhecer todas as opções, uma mais bonita do que a outra.
Natal
Como todos sabem, mais um ano está chegando ao fim. A época, é claro, traz reflexões da temporada que passou e metas para o próximo conjunto de 12 meses. Junto de tudo isso, surgem as férias escolares, um descanso merecido para os trabalhadores e, também as festas tradicionais. Entre elas está o natal, momento de confraternização entre todos os indivíduos, trocas de carinhos e presentes e muita emoção.
Por isso, todas as crianças, jovens e idosos da Cruzada do Menor aguardam ansiosamente pela chegada do dia 25 de dezembro. Todos são bem-vindos e podem participar das festas ou da doação de presentes para o público atendido pelos seis projetos inseridos na Cruzada. São eles: Casa Emilien Lacay, em Jacarepaguá, que conta com 150 crianças e 75 idosos; Creche Cantinho dos Eucaliptos, em Nogueira/ Petrópolis, que atende a 90 crianças; Creche Carioca, em Vicente Carvalho, com 34 crianças; Plantando o Amanhã, em Del Castilho, com 177 crianças, 78 jovens e 25 idosos; meninos a Postos, convênio Aprendiz-Centro, com 34 jovens e, é claro, Creche Tio Beto, em Pedra de Guaratiba. Este último é um projeto criado pelo Núcleo de Responsabilidade Social do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais, e é apoiado pela Thalamus.
O mês de dezembro
O ano está acabando, é verdade. Mas ainda tem um mês pela frente, dezembro. O último de todos e aquele que marca o início definitivo do verão em nosso país tropical. E as atividades continuam durante este período nos projetos apoiados pela Cruzada do Menor. No dia 6, por exemplo, das 9hs às 12hs, o Plantando o Amanhã recebe apresentações de todos os trabalhos realizados com crianças e idosos no ano de 2008.
Já no dia 12, às 16hs, a casa Emilien Lacay apresenta o projeto Portinari, sobre um dos grandes ídolos da pintura modernista no Brasil. As formaturas também são inúmeras e estão em ordem, abaixo:
Dia 4/12: jovens do Plantando o Amanhã, às 19hs.
Dia 13/12: Casa Emilien Lacay, às 19hs
Dia 15/12: Creche Tio Beto, às 10hs
Dia 18/12: Creche Carioca, às 16hs.
Dia 19/12: Creche Cantinho dos Eucaliptos, às 16hs
Dia 19/12: Creche Plantando o Amanhã, às 17hs.
Estão todos convidados!
Obra O Sol no Fashion Mall
Publicado em 28/11/2008
Já faz algum tempo que a seção de notícias da Thalamus não fala especificamente sobre a Obra Social Leste Um O Sol. Criada em 1965, a organização não-governamental incentiva o artesanato em todo o Brasil, para gerar renda às famílias menos favorecidas, sem a prática do assistencialismo gratuito. Seus objetivos são bem claros: “trabalhar pela promoção humana do artesão, incentivando a manufatura caseira como forma de aumento da renda”, e “permitir o intercâmbio e a reciclagem de artesãos de todo o país no pólo geográfico e cultural do Rio de Janeiro, favorecendo o turismo interno”.
Para atingir suas metas, a O Sol encaminha, pelo menos uma vez por ano, um caminhão para andar no interior do Brasil. Ele visita casas, comunidades e grupos de artesãos, em busca de bonitos trabalhos feitos pelas mãos dos habitantes de diferentes culturas. Depois que o trabalho de garimpo é feito, o material recolhido é trazido para o Rio de Janeiro, onde fica a sede do projeto, no belo bairro do Jardim Botânico.
A porta da sede fica aberta em todos os dias úteis, e também alguns finais de semana específicos. Portanto, qualquer um que tenha o interesse de conhecer o belo trabalho desenvolvido nos rincões da pátria tupiniquim, pode passar por lá e visitar a Feira Permanente, mantida no primeiro andar do prédio. Lá, estão os produtos recolhidos pelo caminhão, com os devidos créditos de seu criador. Uma vez vendidos, toda a renda é encaminhada para o dono da obra, é claro, o que valoriza e divulga a sua arte.
Quem visita o site da Thalamus com certa freqüência também sabe que a O Sol possui outras funções tão interessantes quanto a venda de manufaturas produzidas nos quatro cantos deste país de dimensões continentais. Uma delas, por exemplo, é a oferta de diferentes cursos de técnicas artesanais. Na sede, aprendizes bolsistas, comunidades e escolas municipais se juntam a alunos com melhores condições financeiras para receberam aulas de cestaria, tecelagem, cerâmica, bijouteria, arranjos de floresta naturais, marcenaria, entre outros. Na própria sede, há pesquisas de peças protótipos para influenciar a produção em série e atender às demandas do mercado.
Todos têm vez na O Sol. Qualquer aluno que tiver um trabalho de destaque, e tiver interesse de vendê-lo ou apenas mostrá-lo ao público, pode colocá-lo na Feira Permanente. Trata-se de um espaço dinâmico que, em função das peças expostas, mostra as particularidades de cada região brasileira. Durante o contato com as comunidades, os profissionais da O Sol passam maiores noções de design, melhor aproveitamento das matérias-primas e sobre a forma ideal de embalar cada produto.
No último dia 25, a Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, recebeu a segunda apresentação da série Piano Solo. Na ocasião, subiram ao palco o duo GisBranco, formado pelas jovens e talentosas Bianca Gismonti e Claudia Castelo Branco, e o conhecido e admirado Marcos Valle, autor da segunda música brasileira mais tocada em todo o planeta. Foi um grande sucesso. Toda a renda desta edição, e também daquela do último ano, é revestida para os trabalhos e projetos capitaneados pela Obra O Sol.
Mas não é o bastante, e a entidade precisa de mais ajuda, sempre, para continuar com o belo serviço que presta ao Terceiro Setor. Por isso, qualquer pessoa pode contribuir para que a O Sol siga em frente com as rendas do Nordeste, os bonecos do mestre Vitalino, as peças do Vale do Jequitinhonha, e assim por diante. Clique aqui e saiba como ajudar.
Mas, agora que o natal está chegando, época de confraternização, paz e presentes, a O Sol tem uma surpresa: Desde o dia 27, os artigos de natal da Feira Permanente estão à venda no shopping Fashion Mall, em São Conrado. Eles esperam a sua presença.
Entrevista com Pablo Lapidusas
Publicado em 14/11/2008
No próximo dia 25 de novembro, Marcos Valle sobe ao palco da Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, para o segundo dia da série de recitais “Piano Solo”, versão 2008. O evento promete ser muito divertido, com todos os sucessos deste grande músico brasileiro, autor de uma das duas músicas brasileiras mais tocadas em todo o planeta. Antes da atração principal, no entanto, as jovens Bianca Gismonti e Claudia Castelo Branco (que compõem o Duo GisBranco) mostram o seu maravilhoso trabalho para a platéia.
O dia 21 de outubro marcou a abertura dos trabalhos esse ano. E, quem foi, não se arrependeu. César Camargo Mariano mostrou suas composições e deixou emocionado um antigo fã, chamado Pablo Lapidusas. Argentino de nascimento e brasileiro por opção, Pablo foi o encarregado de abrir a noite. Saiu-se muito bem. Para completar, ainda ganhou um convite para uma parceria no show principal, ao lado de seu ídolo.
Essa e outras histórias você confere abaixo, na entrevista que fizemos com Lapidusas. Durante o bate-papo, ele contou sobre a alegria de tocar com Edu Lobo e a experiência obtida ao lado de Marcelo D2. Para finalizar, explicou um pouco sobre o desafio de lançar o primeiro disco solo, feito atingido este ano, com “Ouriço”.
Thalamus: Pablo, você nasceu na Argentina e veio ainda novo para o Brasil. Quando começou a tocar piano?
Pablo Lapidusas: Eu comecei a estudar piano no conservatório municipal de Poços de Caldas (Minas Gerais), aos 12 anos. Entrei no conservatório com minha mãe e vi um piano de cauda (na época , eu era baixinho e aquilo parecia um elefante indomável...amor à primeira vista).
Thalamus: Em qual momento você pensou: é isso o que quero fazer da vida?
Pablo: Bem , vamos lá... estudava piano como alguém que faz pintura em tecido ou coisa desse tipo. Tinha facilidade, tirava coisas de ouvido e detestava leitura de música clássica. Quando você é criança e não ouve música clássica, o estudo do piano é muito, muito difícil. Você ouve rock na vitrola, mas na hora de tocar o instrumento, toca Bach. Ou seja, uma música que não comunicava para mim, naquele momento. Minha primeira professora (Adriana Granato) teve muita percepção em ver potencial numa criança que gostava de música, porém sem muito interesse por aquele tipo, e não forçava. Pelo contrário, me deixava tocar de ouvido e não era tão exigente com minha disciplina. E isso foi de fundamental importância. Dois anos depois, estava estudando harmonia com outro professor, ainda em Poços de Caldas, e aí comecei a tocar MPB e a dar os primeiros passos na improvisação. Nessa época, vi um concerto do César Camargo Mariano. Fiquei maluco...Nunca tinha escutado nada parecido. Aquilo mexeu comigo... foi uma droga poderosa...muito poderosa. Saí desse concerto com a certeza de que seria um pianista e esse show determinou o rumo da minha carreira: ser um solista! No dia seguinte estava comprando o disco "Samambaia", do César como Helio Delmiro. Ouvia aquilo dia e noite.
Thalamus: Como foi o seu show no Piano Solo? Aliás, o que você acha desse projeto, que reverte a renda para a Obra Social O Sol, projeto apoiado pela Thalamus?
Pablo: Bem, por tudo o que te contei, imagine como para mim tocar na noite do César e, ainda por cima, ter sido convidado por ele para tocarmos a dois pianos. Foi um marco zero na minha vida. O conheci um dia antes, contei a história de Poços de Caldas. Para minha sorte e surpresa, a mulher dele, Flávia, é de lá e lembrava perfeitamente dessa data, porque foi a última vez em que ele tocou lá. Ele ficou muito emocionado e daí surgiu o convite. Combinamos o que iríamos tocar naquela noite e, no dia seguinte, fizemos um ensaio de quinze minutos. Uma noite memorável para mim, ainda mais porque ele, antes de me chamar para o palco, contou a história com detalhes e disse que faria força para não se emocionar. Depois saímos para jantar, foi ótimo.
Sobre o projeto, acho maravilhoso, maravilhoso mesmo. Foi a segunda vez que participei de um evento em parceria com a Thalamus. O primeiro foi em julho. Antes de acertarmos tudo para o primeiro recital, tive alguns encontros com a Stella Maria van Weerelt (presidente da associação). Vi que vocês têm um projeto sério, e que serve de exemplo social. Não ver a filantropia como gorjeta, e sim como mecanismo de uma sociedade melhor, ainda é para poucos, infelizmente.
Thalamus: Você já fez parcerias com artistas muito variados, como o Quarteto em Cy, Marcelo D2, Eduardo Dussek e Wanda Sá. Você gosta de caminhar por estilos variados de música?
Pablo: Trabalhei com muitos, muitos artistas mesmo. É quase a via sacra do músico popular, tocar com outros artistas antes de ter seu trabalho próprio. Hermeto, Crick Corea, “César”, Jarret, Vitor Biglione e muitos outros também fizeram isso antes de atuarem exclusivamente em seus próprios concertos e discos. Eu sempre via isso como uma necessidade, apenas: “Tocar com cantor para ganhar dinheiro”. Mas não é bem assim, não. Além de ter dividido o palco com alguns ídolos (Edu Lobo, por exemplo), viajei muito, aprendo muito vendo posturas diferentes: “Isso vou fazer no meu trabalho”, ou “isso não farei nunca no meu trabalho”. Outro dia me perguntaram em uma entrevista porque eu toquei com o Marcelo D2. Entre na banda no fim da turnê do acústico MTV. Eu tocava basicamente piano nesse show e tinha muito espaço para improvisação, solos. Com o D2, toquei nos maiores festivais de jazz do mundo (Montreau, Nice, Roskild, North Sea Jazz Festival, etc) e foi uma experiência maravilhosa.
Thalamus: Este ano, você lançou o seu primeiro disco solo, “Ouriço”. Conte um pouco sobre o trabalho.
Pablo: Muita gente me disse para não gravar o primeiro disco solo. Claro que não citarei nomes aqui, mas enfim.... Este trabalho foi quase exclusivamente de composições próprias, exceto “Canto triste”, de Edu (Lobo) e Vinícius (de Moraes). O Edu gentilmente liberou os direitos da música. Outro ato de generosidade foi do campeão Hermeto Pascoal. Anos atrás, fui até a casa dele no bairro Jabour, sem conhecê-lo. Mostrei minhas músicas e ele disse que se eu gravasse no Rio ele faria uma participação.
Talvez, o maior responsável por este disco ter tido as críticas que teve (todas excelentes, como as do O Globo, Jornal do Brasil, sites especializados, revista Piano e Teclado), foi meu professor Marcelo de Alvarenga. Indicado por Luiz Avellar, a quem mostrei as músicas do CD antes de gravar, Marcelo trabalhou comigo uma preparação muito específica. Isso possibilitou gravar em três dias. Fui muito preparado para o estúdio. Talvez, ter estudado as peças com um enfoque de música clássica tenha sido o diferencial. Ainda estudo com ele, e o Marcelo faz a direção musical dos meus concertos, agora, já que também tem peças eruditas no programa. Tenho a honra de estudar com um dos maiores professores de piano do mundo, aqui mesmo no Rio de Janeiro.
Impactos do trabalho social
Publicado em 14/11/2008
Apesar dos inúmeros esforços prestados por algumas empresas e diversas organizações sem fins lucrativos, o Terceiro Setor permanece às margens de grande parte da sociedade. Embora tenha uma importância vital para a saúde do planeta, as ações voluntárias lutam diariamente contra o preconceito e para ajudar as pessoas que mais precisam de apoio, pois são quase esquecidas pelos governos.
Uma de suas grandes dificuldades, para além da falta de recursos que ajudem a colocar em prática os projetos de inclusão, é a certeza da efetividade do trabalho. Sabe-se, de longa data, que os patrocinadores buscam retorno de seus investimentos, e apenas números, dados e tabelas podem trazê-lo. Ao mesmo tempo, é muito difícil calcular a satisfação das comunidades favorecidas por algum programa, justamente por não ser algo imediato.
Mas, agora, isso mudou. A John Snow Brasil Consultoria desenvolveu, no último ano, a Metodologia de Avaliação de Impacto Social (MAIS), como intuito de medir a influência de ações sociais realizadas por entidades privadas, públicas ou da sociedade civil.
A fase de testes aconteceu ainda em 2007, quando a John Snow analisou os resultados obtidos pela “Ação Global”, uma atividade criada em 2001 e que acontece a cada ano, realizada pelo SESI (Serviço Social da Indústria) em parceria com a Rede Globo de Televisão. No ano passado, o evento, que se consiste em um mutirão de serviços feito por voluntários nas áreas de saúde, lazer, cidadania e educação, aconteceu em 34 cidades e atendeu a mais de um milhão de pessoas.
De acordo com o MAIS, estes serviços têm grande impacto na renda das famílias atendidas. “Isso significa que uma pessoa beneficiada com os serviços da Ação Global pode ter mais acesso a um emprego, a uma renda fixa e inclusão social. Portanto, tem mais condições de aumentar a sua renda”, avalia Rodrigo Laro, coordenador de pesquisa e avaliação de impacto social da John Snow Brasil, para lembrar que não há imediatismo nos resultados.
Com o objetivo de quantificar a redução das diferenças sociais promovidas por um projeto, o MAIS já assinou contrato com o SESI (após o bom trabalho do ano anterior) e vai investigar a eficiência de oito programas na vida de cidadãos e o retorno para a sociedade. Além disso, ainda será possível investigar o retorno econômico e financeiro para cada indivíduo, como explica Carlos Henrique Ramos Fonseca, diretor do Departamento Nacional do SESI.
A metodologia desenvolvida pela consultoria se baseia em seis pilares básicos: Desenvolvimento do marco lógico; elaboração dos instrumentos de pesquisa avaliativa; coleta de dados e análises exploratórias dos dados; análise financeira (custo-eficácia); análise econômica (custo-benefício); análise social (equidade ou redução de diferenças sociais).
Como se vê, trata-se de um instrumento inovador e fundamental no trabalho do Terceiro Setor inclusive para ajudar no fomento de políticas públicas. Com os bons resultados em mãos de projetos realizados por entidades sérias e responsáveis, será possível indicar a possíveis investidores a qualidade do serviço oferecido e a ampla contribuição social aferida ao longo do programa.
Impacto da crise financeira
Publicado em 09/11/2008
Há mais de um mês, o planeta entrou em uma grave crise econômica, da qual não sabe quando vai sair. As bolsas de valores ao redor dos continentes ruíram, o dólar subiu para os brasileiros e os recursos financeiros se tornaram escassos. O resultado disso é um inevitável crash financeiro em empresas, governos e cidadãos comuns, algo apenas comparável, na história moderna, à Grande Depressão de 1929. A pergunta mais comum ouvida em mesas de bar, desde outubro, migrou de editoria. Se, antes, a Pátria de Chuteiras falava sobre futebol, agora questiona: “quando e como sairemos dessa crise?”.
Por enquanto, ninguém tem a resposta. O cientista político Sérgio Abranches, no entanto, emitiu uma opinião embasada em números e prazos acerca do futuro da política ambiental no planeta. Este parecer foi publicado no formato de um artigo no site O Eco, e vale como referência para este texto. Segundo ele, é possível que haja prejuízo nos investimentos em projetos sustentáveis do ponto de vista ambiental. Pela falta de recursos, mesmo, e receio de novos colapsos. No entanto, explica, “a saída da crise abrirá novas portas e, provavelmente, inéditas oportunidades, redefinindo competitividades, alterando profundamente a correlação de forças econômicas, nas economias domésticas e na economia global”.
Abranches se referia, nessa frase, à improvável constatação de que o mundo que sair da crise será igual ou semelhante àquele que entrou. Pelo contrário, tudo indica que, ao deixar para trás um impacto econômico de escala global como esse, o capitalismo reapareça repaginado sabe-se lá quando, talvez apenas a partir de 2010, quando um novo cenário começará a ser desenhado para, enfim, normalizar por volta de 2015.
Mas nem mesmo a falta de investimento em ações ecológicas neste início, afirma Abranches, pode ser considerado o limiar do combate à crise ambiental. Não será. Nestes primeiro anos de poucos recursos, o impacto humano no planeta será menor, já que o consumismo tende a diminuir, assim como o uso de automóveis, avião e companhia. Isso significa, em outras palavras, uma diminuição expressiva nas emissões de gases estufa para a atmosfera.
Até o Brasil pode lucrar com isso, uma vez que o mercado externo, retraído, não terá a mesma demanda pelas commodities agrícolas que avançam sobre a Amazônia e o Cerrado. Em outras palavras, os produtores de grãos não venderão todo o seu estoque e o governo nacional terá tempo para repensar suas prioridades e estratégias a fim de assegurar uma agroindustrial responsável do ponto de vista social e ambiental.
Abranches continua seu brilhante artigo ao falar que as tecnologias verdes surgirão com força das cinzas da crise. Isso porque, quando retomarem os investimentos, as empresas devem perceber que investir em carbono é um alto risco para a sua rentabilidade, uma vez que o preço tende a subir muito seja por impostos ou tarifas excedentes. Colocar o dinheiro em caixa em projetos de tecnologias limpas será mais viável e lucrativo.
Daí surgem os empregos verdes, sobre os quais falamos nesta mesma seção durante a última semana. Um exemplo é a produção de biocombustível da segunda geração, o que estimula que automóveis sejam produzidos com o pensamento integralmente voltado para o biodiesel ou etanol. Seriam novos empregos, especializados ou não.
O texto de Sérgio, no entanto, ficou ainda mais emocionante na última quarta-feira, quando Barack Obama foi eleito o novo presidente dos Estados Unidos. Preocupado com a crise financeira e com o meio ambiente, Obama disse que os empregos criados após a crise serão diretamente ligados à políticas de carbono zero e aos setores de energias renováveis. Isso é uma grande novidades no mundo dos negócios, que vê tudo da forma mais imediata possível. O futuro presidente norte-americano, que é senador por Illinois (o terceiro estado com a maior produção de etanol do país) não tem olhos apenas para seus quatro anos de mandato; ele enxerga longe, em 2050, quando espera ver as emissões de gases estufa de seus conterrâneos reduzida em 80%, com referência nos dados de 1990.
Entrevista Nanko van Buuren (Parte 2)
Publicado em 31/10/2008
Nesta segunda (e última) parte da entrevista com Nanko van Buuren, holandês que preside o Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social (IBISS) desde o final da década de 80 no Rio de Janeiro, a Thalamus mostra a seus leitores alguns projetos levados pela entidade. Um dos mais interessantes é conhecido como “Jovens Lideranças”, responsável por definir moradores de comunidades excluídas com vocação para influenciar caminhos positivos para seus vizinhos e conhecidos.
Neste bate-papo, que aconteceu no escritório do Ibiss, no Centro da cidade carioca, Nanko também explica os principais sonhos para o futuro da organização e mostra seu maior temor: a necessidade de captar recursos para manter vivo o processo de inclusão social. No final, o holandês deixa claro um traço marcante de sua personalidade: “Sou psiquiatra social. A anti-psiquiatria, na verdade”.
Confira abaixo, na íntegra, o que ele disse.
Thalamus: Nanko, o Ibiss criou um programa muito interessante, chamado “Soldados Nunca Mais”. Você poderia explicar um pouco qual o conteúdo?
Nanko: Neste programa, trabalhamos com soldados do tráfico para tentar mudar a cabeça deles e depois tirá-los do tráfico. Após este processo, os encaminhamos a um tratamento psicológico, com o intuito de trabalhar os traumas e enviá-los posteriormente a colégios ou cursos profissionalizantes para que eles ingressem no mercado de trabalho. Esse programa está funcionando em 48 favelas do Rio de Janeiro e com todas as facções do crime organizado.
Temos também outros programas, como o de Direitos Humanos para defesa das crianças e o projeto Trauma, que combate o tráfico de seres humanos. Além disso, há um trabalho junto com a Universidade Estadual do Rio de Janeiro para que as pessoas aprendam a lidar com os fenômenos sociais. E temos o nosso próprio centro de formação para educadores sociais, responsável por diversos cursos para profissionalizar a população - e não são destinados apenas aos funcionários do Ibiss, mas também para os funcionários de todas as outras entidades e governo. É preciso transformar o agente penintenciário em um educador social.
Thalamus: Um dos projetos que mais chamam a atenção na história do Ibiss é o “Jovens Lideranças”. Você pode contar um pouco sobre como é a metodologia desse trabalho?
Nanko: Ele começou anos atrás. Estávamos dentro de Vigário Geral e ouvimos um jovem falando o seguinte: “Somos um produto de governo neo-liberal”. Aquilo nos impressionou, e decidimos lhe perguntar se ele sabia sobre o que estava falando. Ele disse: “Não, eu só falei o que, normalmente, o educardor me diz”. Pois bem, nós continuamos insistindo: “Sim, mas o que isso significa?”. Ele não sabia. “Pareço um papagaio, não é?”, ele perguntou. A partir daí, lhe perguntamos se ele tinha interesse em aprender esses e outros significados. Foi mais ou menos desta forma que surgiu a idéia de juntar os jovens com verdadeiro potencial de liderança para que eles entendam como funciona a democracia, o que significa ser liderança social -e não um chefe do tráfico, que é outro tipo de liderança;. E também quais os sentidos de muitas palavras, até Direitos Humanos. A expectativa é formar jovens articuladores dentro da própria comunidade para incentivar outros jovens a buscar saídas não-violentas, para lutar contra a exclusão social. Essa foi a base do projeto, que já tem resultados muito interessantes. Primeiro usamos as lideranças boazinhas. De um tempo para cá, estamos trabalhando com aquelas pessoas que, se não receberem um incentivo, serão grandes chefes do tráfico.
Thalamus: E como vocês escolhem esses jovens?
Nanko: Temos pessoas que trabalham nas comunidades e nos indicam. Eles conhecem os jovens que merecem, que já lutam para melhorias dentro da comunidade. É impressionante, a própria comunidade reconhece muito bem quem são os líderes em potencial e quais não são.
Thalamus: A partir de agora, nanko, depois de tantos anos a frente do Ibiss, quais os planos, expectativas de crescimento, frustrações e possíveis melhorias que você enxerga para a entidade?
Nanko: Uma das grandes preocupações para o futuro do Ibiss é como preparar mais pessoas para captar recursos. É uma tarefa muito difícil. Às vezes, se você precisa captar recursos financeiros através de comunidades européias, Banco Mundial, etc, é preciso fazer um relatório com mais de 200 páginas repleto de perguntas e respostas. Muito complicado. Precisamos criar um grupo com potencial para arrecadar dinheiro suficiente e continuar com os programas.
Já um de nossos sonhos é conseguir frear mesmo o processo de exclusão social, que não pára de aumentar. Quando este dia chegar, a exclusão vai começar a diminuir para estabelecer novamente os contatos entre asfalto e favela. Porque, nos últimos dois anos, têm sido muito difícil. O governo entra na favela de forma ruim, piora a situação lá dentro. Tem que entrar, mas não desse jeito. Esperamos chegar em um momento no qual seja possível trabalhar efetivamente na inclusão social.
Thalamus: Nanko, para finalizar, qual a sua formação profissional?
Nanko: Sou psiquiatra social, a anti-psiquiatria, na verdade. Isso tem muito a ver com o trabalho do Ibiss, pois é baseado em uma sociedade que é tão cruel que as pessoas não conseguem viver de forma “normal”, mas tem outro tipo de comportamento. A sociedade não tem o direito de excluí-las em clínicas, colônias e etc. Precisa ser confrontado com o que está produzindo. Não temos direito de excluir grandes grupos de pessoas em favelas, comunidades. Eles têm direito de participar e precisamos criar maneiras disso.
Outubro movimentado na cruzada
Publicado em 31/10/2008
O mês de outubro foi movimentado para a Cruzada do Menor, entidade que agrega diversos projetos sociais como a Creche Tio Beto, iniciativa capitaneada pelo Núcleo de Responsabilidade Social do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais. Como todos sabem, no último 12 foi celebrado o Dia da Criança, algo muito especial para os meninos do país. As cinco creches da cruzada, é claro, não podiam deixar a data passar em branco; mas receberam uma ajuda da melhor qualidade para isso.
Amigos e parceiros dos programas ajudaram a viabilizar os eventos em benefícios da Semana da Criança. Nada mais justo do que citá-los aqui, assim como fez a Cruzada do Menor em seu boletim mensal. Os alunos da Casa Emilien Lacay, na Cidade de Deus, recebeu uma equipe de animação muito divertida para animar a festa, contratada pelo casal Paulo e Bia Ferraz. A sra. Marciana Reis, por outro lado, ficou responsável pela doação de brinquedos e guloseimas para as 150 crianças da festa.
A Creche Cantinho dos Eucaliptos, em Nogueira (região serrana do Rio de Janeiro) fez sua festa no espaço do Sesc Nogueira, cedido pelos diretores. Além disso, as famílias das 90 crianças doaram churrasquinhos para a diversão daquele dia, que foi realmente inesquecível. Já a festa organizada pela Creche Carioca, em Vicente de Carvalho, recebeu o apoio das empresas Habib's e Lecadô, que doaram lanches para os meninos e meninas. A recreação foi presidida pela equipe do Play Toy e do McDonald's.
As 98 crianças que compõem a Tio Beto, por sua vez, receberam brinquedos doados pelo Núcleo de Responsabilidade Social do grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais. Mas não foi só. Os jovens de Pedra de Guaratiba coroaram o dia com muitos presentes roupas fornecidas pelas senhoras Lourdes Amatte e Sandra Albuquerque. Foi um momento muito bom, com muitos sorrisos e agradecimentos.
Por último, mas não menos importante, está a Creche Plantando o Amanhã, em del Castilho, fonte de algumas notícias na Thalamus nos últimos meses. As 177 crianças de lá receberam diversos parceiros do Shopping Nova América. Por exemplo, o cinema Kinoflex doou ingressos para o filme Os Mosconautas no Mundo da Lua. A animação foi feita pelo McDonald's com a ajuda dos pais, que alugaram uma piscina de bola e uma cama elástica. Diversão garantida.
Mas a semana não acabou aí. O Prazer em Ler, programa do Instituto C&A, que é parceiro da Cruzada do Menor, promoveu diversas oficinas de de leituras de histórias nas Creche Carioca e Plantando o Amanhã.
Outras novidades
Mas não foram apenas as creches que movimentaram o mês na organização. No dia 6, a Cruzada foi ao almoço beneficente promovido pela Junior Achievement, no Outback Leblon, no Rio de Janeiro. É importante dizer que a renda foi toda destinada à aplicação do programa “As Vantagens de Permanecer na Escola”, feito em parceria com as escolas da rede municipal de ensino com jovens do 8º e 9º ano.
Para completar, os jovens do Plantando o Amanhã também se divertiram muito em setembro. No dia 27, eles foram conhecer o Planetário da Gávea, em passeio organizado pela ONG Médicos Solidários. Além disso, os rapazes e moças participaram do Torneiro Bancos em Ação Citibank, promovido pela Junior Achievement. Com um simulador desenvolvido pela Harvard Associate, os jovens administraram a movimentação do capital dentro de um banco.
Empregos da nova economia
Publicado em 31/10/2008
Uma das melhores revistas sobre meio ambiente do país, a Eco21 é pródiga em publicar reportagens e artigos com temas dos mais variados e da maior importância. Sua edição de outubro não foi diferente. Com colaboradores do nível de Washington Novaes, um dos primeiros jornalistas com foco na ecologia do país, e da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o veículo editado por René Capriles e Lucia Chayb traz matérias sobre acordos europeus de redução das emissões de gases estufa, água, entre outros.
Na página 42 da última edição, no entanto, um texto prende a atenção do leitor com seu título: “Serão criados 20 milhões de empregos verdes até 2030”. Escrito pelo diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho, Juan Somavia, o artigo fala sobre o relatório “Empregos verdes: trabalho decente em um mundo sustentável e com baixas emissões de carbono”, desenvolvido pelo acordo “Iniciativa Conjunta sobre Empregos Verdes”.
Segundo Juan, a modificação em modelos de empregos e investimentos frente às mudanças climáticas tem amplo potencial para criar milhões de novos postos em países industrializados e em desenvolvimento. Encomendado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e desenvolvido pelo WorldWatch Institute, o documento cita a reciclagem e a gestão de dejetos como possíveis grandes absorvedores de mão-de-obra (já hoje, 500 mil pessoas já trabalham no setor no Brasil, enquanto 10 milhões de chineses ganham a vida da mesma forma).
Apesar do tom otimista, o relatório assegura que muitos dos postos de trabalho criados podem ser em locais perigosos e sujos. Por isso, é imprescindível mudar os baixos salários e inseguranças nos contratos dos trabalhadores de reciclagem e agricultura. Além disso, poucos empregos verdes são criados para a camada mais pobre da população mundial
É fundamental, de acordo com Juan e com o relatório, que exista um diálogo social entre governos, trabalhadores e empregados, a fim de aliviar tensões e promover políticas justas de respeito ao meio ambiente. Porém, é necessário atentar para o fato de que o aquecimento global é um sério risco para as famílias, principalmente aquelas que dependem da agricultura para o sustento.
Entre as principais conclusões do documento citadas por Juan, estão as três abaixo:
“O mercado global de produtos e serviços ambientais deveria aumentar dos atuais 1.370 bilhão de dólares por ano para 2.740 bilhões de dólares em 2020”.
“Os setores que terão especial importância em termos de impacto ambiental, econômico e no emprego são o fornecimento de energia, em particular a energia renovável, edifícios e construção, transporte, indústrias básicas, agrícola e florestal”.
“2.3 bilhões de pessoas obtiveram novos empregos no setor de energia renovável nos últimos anos e o potencial de crescimento do emprego neste setor é enorme. O emprego em energias alternativas poderia crescer até 2,1 milhões em energia eólica e 6,3 milhões na solar”.
Por um voto consciente
Publicado em 23/10/2008
No próximo domingo, os cidadãos de diversos municípios brasileiros voltam às urnas para o segundo turno das eleições. No final da noite, quase todas as cidades já saberão qual a pessoa que assumirá as tarefas administrativas pelos próximos quatro anos. A importância do voto é enorme, pois define o futuro de todo o país. Vale lembrar que não são poucas as tarefas de um prefeito e de seus vereadores, que ajudam a propor leis e votar os caminhos a serem seguidos pelo municipal. A responsabilidade da população é, portanto, enorme; e assim deve ser encarada.
Apesar de sua absoluta importância, o meio ambiente não é visto pela ampla maioria dos políticos como uma prioridade. Uma das causas, pode-se dizer, é sua característica de longo prazo: ações tomadas hoje surtirão efeitos dentro de muitos anos. Os governantes, por sua vez, acreditam ser necessário mostrar serviço nos quatro anos de mandato, para tentar uma reeleição ou pleitear outro cargo público de maior projeção. Portanto, o verde fica em quarto, quinto ou mesmo sexto planos.
Para tentar ajudar os eleitores (e, por que não, os próprios candidatos) na hora de escolher o seu voto, o Greenpeace publicou uma série de sugestões de combate à crise ambiental que podem entrar na pauta de prefeitos e vereadores. Além do site, as idéias também foram veiculadas na revista trimestral da organização. Como dizem os editores, as mudanças locais podem trazer altos benefícios para a esfera global.
As propostas foram divididas por temas, e o primeiro deles atende pelo nome de Mudanças Climáticas e Energias Renováveis. As propostas mais interessantes neste módulo foram: definir plano municipal sobre mudanças climáticas com metas de redução das emissões de gases estufa; investir na bicicleta como meio de transporte a partir das instalações de bicicletários públicos em estações de trem, metrô e barca, por exemplo; e instalar aquecedores solares de água nos prédios construídos pelos programas habitacionais municipais.
No tópico Florestas e Recursos Hídricos, a dica é proibir órgãos públicos de consumir madeira sem comprovação de origem legal. Além disso, vale a pena investir em programas de pagamento à prestação de serviços ambientais que ajudam a combater o desmatamento, assim como em criar uma lei que exija o plantio de pelo menos uma árvore para cada lote ou a cada 12 metros. São passos importantes na luta pela conservação.
O combate à degradação dos oceanos e aos transgênicos também faz parte da cartilha do Greenpeace. Enquanto o primeiro necessita de políticas que obriguem obras e empreendimentos costeiros a pesquisar acerca do acréscimo no nível das águas, o segundo visa oferecer condições especiais para a comercialização da produção agrícola orgânica do país. Nada mais justo.
Para completar o quadro, que pode ser acessado por completo neste link, vale tornar as empresas responsáveis pela destinação de seus produtos, materiais e embalagens. Criar um ponto de coleta de resíduos eletro-eletrônicos e um Código Municipal Ecológico de construções sustentáveis para reduzir o consumo e os impactos ambientais são de grande valia.
Portanto, neste domingo, pense bem em qual será a sua escolha para aquele que vai comandar sua cidade pelos próximos quatro anos. A sua participação no pleito é fundamental, mas precisa ser feita de forma consciente e atenta a todas as propostas e histórias de vida dos candidatos. Bom voto a todos!
Curso sobre Terceiro Setor
Publicado em 23/10/2008
Estávamos com saudades dos cursos promovidos pelo Movimento Rio Carioca. Depois de um período sem oferecer novas possibilidades de oficinas, a organização voltou com força total: nos dias 10, 12 e 14 de novembro, os interessados poderão participar do encontro “Traduzindo a Legislação Aplicada ao Terceiro Setor: Conteúdo Administrativo (Estatuto e Tributos) e Trabalhista”. O principal objetivo é esclarecer as principais obrigações e rotinas das instituições não-governamentais em seus aspectos jurídicos. Altamente indicado para profissionais que atuam na área.
Para alcançar a meta proposta, as instrutoras Gleyde Selma da Hora, Danielle Melo e Ana Paula Sciammarella vão usar aulas expositivas, trabalhos em grupo e debates, recheados com apostilas, estudos de caso e apresentações no slide show. Advogada formada em 1985, Gleyde é Coordenadora Executiva da ONG Advocaci - Advocacia Cidadã pelos Direitos Humanos. Ela tem ampla experiência como advogada no Conselho Estadual dos Direitos da Mulher e em outros setores jurídicos.
Danielle, por sua vez, é advogada tributarista do escritório Paulo Cezar Pinheiro Carneiro Advogados Associados e pós-doutora em Direito Financeiro e tributário pela UFF. O time é completo por Ana Paula, advogada, militante do movimento de direitos humanos, advogada consultora da ONG Advocaci e membro do Conselho Diretor da rede Jovens Brasil Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos.
O curso será distribuído em quatro etapas. Na primeira, os alunos vão aprender acerca da Legislação Estatutário do Terceiro Setor. Ou seja, desde o momento de abrir uma instituição, criar seu Estatuto, até o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e a Declaração de utilidade Pública Federal. Em seguida, será a vez da Legislação Tributária do Terceiro Setor, com noções gerais de tributação, incentivos fiscais para doações e prestações de serviço.
O terceiro tópico será responsável por falar do Conteúdo Trabalhista as garantias legais oriundas da relação de trabalho; os contratos de trabalho e o trabalho voluntário. Para terminar, uma avaliação formal da oficina. Tudo isso distribuído em 16 horas, pois as aulas começam às 18hs e vão até às 22hs.
As inscrições, no valor de 250 reais, podem ser feitas pelos telefones 21. 32850184 ou 22209133, de segunda a sexta, das 10 às 17hs, ou pelo e-mail cursos@movimentoriocarioca.org.br. Neste caso, será preciso informar nome, telefone, endereço, entidade onde atua e como tomou conhecimento do curso. Vale lembrar que a organização mentora do evento se reserva ao direito de cancelar ou alterar a data marcada caso não haja um número mínimo de participantes.
Quem fizer a inscrição até o dia 5 de novembro ganha desconto de 10% em cada inscrição ou de 15% em caso de três ou mais alunos de uma mesma entidade. O local do curso já está definido e será na Avenida Rio Branco, 257, sala 611, Cinelândia, Centro da cidade do Rio de Janeiro esquina com a rua Santa Luzia, em frente à saída do metrô. Os cancelamentos do curso serão aceitos com até 48 horas úteis de antecedência ao início dos mesmos.
Piano Solo 2008
Publicado em 17/10/2008
No final do último ano, um evento chamou a atenção dos públicos carioca e paulista e ajudou a movimentar a vida cultural das capitais de São Paulo e Rio de Janeiro: era o Piano Solo, um festival de recitais com alguns dos maiores nomes da música clássica nacional. Entre os meses de outubro e dezembro de 2007, os palcos brasileiros receberam com pompa e elegância concertistas consagrados internacionalmente que, há muito, não se apresentavam em solo tupiniquim sob o olhar curioso de novos e antigos espectadores.
Em meados de outubro da temporada passada, o Teatro Municipal de São Paulo e a Sala Cecília Meirelles, no Rio de Janeiro, receberam o exímio pianista Nelson Freire para duas noites inesquecíveis. O público, repleto de admiradores de tempos em que os concertos tomavam os melhores palcos do país com freqüência interessante e também de jovens atentos para o rápido e correto movimento de mãos do profissional sentado a frente de seu instrumento musical, saiu de lá sonhando com outros momentos como aqueles.
Pois eles vieram logo em seguida, no início do mês seguinte. Foi quando Diana Kacso sentou ao piano para tocar as obras de Schumann e Liszt de forma impecável, como sempre. O mesmo aconteceu duas semanas depois, época na qual Cristina Ortiz desfilou seu repertório com clássicos de Ravel, Sonatine e Gaspard de la Nuit, para deleite de uma platéia orfã de recitais desse porte no país.
Para finalizar a série de recitais de 2007, o diretor artístico do encontro, Eduardo Monteiro, subiu ao palco do Municipal paulista e da sala Cecília Meirelles, na Lapa carioca, para embalar melodias famosas de Beethoven, Villa-Lobos, Francisco Mignone e Liszt. Mas não foi só. Uma das maiores perspectivas do festival, que foi patrocinado pela Bradesco Seguros com apoio da Thalamus e da Obra Social O Sol, era unir esses nomes consagrados a jovens muito talentosos do cenário da música clássica brasileira.
O projeto deu muito certo e, antes que os experientes concertistas subissem no palco, pianistas da nova geração entraram e cumpriram seus papéis com louvor. Leonardo Hilsdorf, Juliana D'Agostini, Cristian Budu e Érika Ribeiro mostraram muito talento em composições de Grieg, Chopin e Liszt. Dos recitais, o público saiu com a certeza de que o Brasil será muito bem representado, no futuro, por estes brilhantes músicos que, aliás, passaram de promessas há tempos para se tornarem realidade.
Um evento com sucesso tão grande não poderia acabar no primeiro número. Pois não vai. No dia 21 de outubro, uma terça-feira, o Piano Solo em versão 2008 volta com força total para animar a primavera e o início do verão e acalmar os ânimos de um público saudoso dos grandes espetáculos de piano. Novamente com patrocínio da Bradesco Seguros e apoio da Thalamus e da O Sol (que receberá a renda proveniente dos recitais para seus projetos de inclusão social e artesanato), o encontro será realizado apenas no Rio de Janeiro, desta vez, sempre na bela sala Cecília Meirelles.
A idéia de promover o encontro entre jovens talentos e pianistas consagrados no cenário nacional e internacional permanece. Não teria porque mudar algo que deu tão certo. O que modifica, é claro, são os convidados do evento. Para abrir os trabalhos, Pablo Lapidusas sobe ao palco para mostrar o seu amplo repertório de músicas próprias fundamentado no seu recém-lançado cd “Ouriço”. O argentino de nascimento, que se mudou para o Brasil ainda pequeno, é bem versátil e já tocou com artistas como Marcelo D2. Logo após terminar sua apresentação, ele abre espaço para a principal figura da noite: César Camargo Mariano, pianista, compositor e arranjador brasileiro.
No dia 25 de novembro, às 20hs, é a vez do conhecido Marcos Valle mostrar ao público canções da Música Popular Brasileira, de sua autoria. Visto como um dos maiores instrumentistas e compositores do país, Valle tem seu nome cravado na história nacional. O Duo GisBranco, formado pelas jovens pianistas Bianca Gismonti e Claudia Castelo Branco, será responsável por abrir o evento, com seus arranjos para músicas de Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, Edu Lobo, Piazzolla, entre outros.
Para finalizar o ano com chave de ouro, João Donato chega à sala Cecília Meirelles no dia 9 de dezembro para destilar seu vasto currículo musical, criado em décadas de carreira como instrumentista, pianista, compositor e arranjador. O jovem pernambucano Vitor Araújo, que já faz sucesso na cena alternativa, abre o show. Não perca tempo. Há ingressos antecipados com desconto na bilheteria do teatro, no Largo da Lapa, 47.
Entrevista Nanko van Buuren
Publicado em 17/10/2008
A Holanda é um dos países mais bonitos e organizados do mundo. Com alto Índice de Desenvolvimento Humano, o local guarda uma linda história e muitas bicicletas em suas ruas. Dona de um dos maiores times de futebol da história, a nação se orgulha de abrigar uma cidade cosmopolita e muito visitada: Amsterdã. Essas peculiaridades, no entanto, não foram suficientes para segurar Nanko van Buuren, psiquiatra de formação e brasileiro por escolha.
O calendário marcava o ano de 1987 quando este senhor sorridente e animado deixou a Europa com um projeto ambicioso: ajudar as comunidades carentes do Rio de Janeiro a deixar a exclusão social. O fruto deste trabalho, duas décadas depois, é tão grande que não coube em apenas uma entrevista. A Thalamus decidiu usar duas semanas para publicar, em duas partes, a história do Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social (Ibiss), a entidade criada por Nanko quando aportou em terras tupiniquins. Mais carioca do que a maioria da população que nasceu no estado Fluminense, Nanko conversou conosco sobre sua história e os projetos desenvolvidos pela ONG que lidera. Desde já, uma observação: são raríssimas as pessoas que têm trânsito livre na maioria absoluta das favelas do estado. O holandês é uma delas.
Confira, abaixo, a primeira parte desta entrevista:
Thalamus: Boa tarde, Nanko. Você pode, por gentileza, contar um pouco da história do IBISS? Por exemplo, como e onde ele começou, por que você veio morar no Brasil?
Nanko: A história do Ibiss começou em 1988/89. Um ano antes, em 87, eu fiz a minha primeira visita ao Brasil para ampliar vários projetos com meninos e meninas de rua, ligados ao Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua. No relatório que escrevi após a viagem, deixei claro que uma de minhas idéias era começar um Centro de Formação de Educadores de rua. Encontrei, aqui, pessoas de coração muito bom, mas o trabalho não tinha uma estrutura formada, não era educacional. Na verdade, não havia nada de concreto para favorecer as populações que viviam naquele ambiente. Logo depois disso, a fonte financiadora da Holanda me perguntou se eu tinha interesse em vir para o Brasil e implementar esta idéia. No primeiro ano em que trabalhamos com esse projeto, encontramos muitas pessoas inovativas, cheias de idéias. Porém, toda vez que perguntávamos: “por que você não as executa?”, eles respondiam algo como: “não, a minha entidade é ligada à Igreja”, “se eu fizer isso o bispo vai me expulsar”, ou “o meu trabalho é ligado à prefeitura e o prefeito não gosta desse tipo de coisa”, e por aí vai. Depois formamos um grupo de doze brasileiros e perguntamis: “se estruturarmos uma entidade onde cada um possa colocar as idéias em prática, quem fica conosco?”. Oito toparam. Foi mais ou menos a criação do próprio IBISS, que também tem o nome de Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social.
Thalamus: O que significa o conceito de Saúde Social na visão do Ibiss?
Nanko: Saúde social, para nós, é um conceito amplo e não tem relação direta com a saúde. Na verdade, a idéia é criar uma sociedade que não tenha problemas de saúde, ecologia, mas também onde não tenha desigualdade social ou exclusão.
Thalamus: Depois de tantos anos, o que você acha de viver no Rio de Janeiro? Já se sente um carioca?
Nanko: Eu adoro viver no Rio de Janeiro, no Brasil. Fora todos os problemas que temos, o Brasil é um ótimo lugar de viver, com um grande calor humano, e trabalhar. Também trabalhar. Muitas pessoas na Europa não percebem que, se você quer elaborar novas coisas por lá, mesmo as inovativas, há tantas regras que não há espaço para experimentar. Aqui, as pessoas dizem: “Você é maluco de tentar isso, mas se quer mesmo, então tenta”. E isso é um clima muito bom para uma entidade que deseja elaborar novos métodos e maneiras para trabalhar com as comunidades.
Thalamus: Quem são os financiados do Ibiss?
Nanko: No começo tínhamos muitos financiadores da Europa. Hoje em dia, 54% são de diversos governos do Brasil: federal, estadual e um pouco de município. Mas isso vai melhorar.
Thalamus: O Ibiss já tem mais de duas décadas de atuação. Quais são os resultados mais marcantes que vocês já alcançaram?
Nanko: Um dos maiores resultados que ajuda a mostrar o que é o trabalho do IBISS é que iniciamos, no começo dos anos 90, uma idéia para treinar mulheres e jovens dentro das comunidades para evitar doenças e deficiências precoces. E também previa acompanhar os moradores dentro do tratamento, como tomar remédios, por exemplo. No início, fizemos um treinamento para fazer a ponte entre comunidades e o sistema público de saúde. Diziam: “Vocês são malucos, como leigos vão trabalhar com saúde?”. Mas começamos e depois chamamos agentes de saúde comunitários, fizemos avaliações em muitos postos de saúde alemães para evitar abandono de medicação, e etc. Pouco a pouco levamos essas discussões e métodos para conselhos de saúde e, desde 98, o programa PAC faz parte do SUS. Temos uma visão importante: não só ficar com os projetos, mas também tentar que os resultados sirvam como política pública com o próprio dinheiro do país. Este foi um dos resultados.
Um outro é o trabalho realizado em Vigário Geral. Começamos lá em 93, e a pesquisa que fizemos na época apontou que menos de 40% das crianças entre 6 e 14 anos freqüentavam a escola. Através de um programa chamado “Preparar”, cujo principal objetivo é preparar crianças de comunidades excluídas, tínhamos a expectativa de colocá-las na mesma série de meninos e meninas de suas idades. Há muitas crianças que só vão para a escola com oito, dez anos de idade. Se, com 10 anos de idade, ela precisa participar do primeiro ano, não gosta pois não quer sentar com os pequenos. Mas se ela é colocada em uma série de pessoas da mesma idade, não consegue acompanhar. No fim, todos a chamam de burro e ela sai da escola de novo. O nosso programa visa preparar estes jovens e fazer com que eles consigam entrar em suas turmas nas escolas. Nesta mesma favela, fizemos uma pesquisa ano passado e constatamos o seguinte: 98% das crianças entre 4 e 16 anos estão participando das escolas. São quase dois mil jovens agora no segundo grau e 48 nas universidades. As mudanças são possíveis.
Thalamus: Como é o processo de escolha das comunidades em que vocês vão trabalhar? Primeiro vão até as favelas, fazem uma avaliação geral das necessidades e a partir daí se adequam a elas?
Nanko: Normalmente os projetos começam de outra maneira. Dentro de nosso trabalho, dentro das comunidades, observamos uma coisa interessante e apoiamos com a elaboração de metodologias, tudo para os jovens da própria comunidade fazerem o projeto crescer. Hoje em dia muitas favelas já nos procuram, pois somos conhecidos dentro das comunidades totalmente excluídas, onde existe um estado dentro do estado. Temos um trânsito livre. Então, a procura é muito alta.
Thalamus: Hoje, o Ibiss atua em quantas comunidades no Rio de Janeiro?
Nanko: Em 68 favelas diferentes. Apenas no estado do Rio de Janeiro fazemos os trabalhos em que procuramos as comunidades. Temos algumas iniciativas no país, como o combate à hanseníase, tuberculose, e também participamos muito na área de defesa de direitos de crianças e adolescentes, como combater exploração sexual e o tráfico de crianças e mulheres para fins sexuais. Mas os trabalhos comunitários são no Rio de Janeiro e o estado já é tão grande que não precisamos de outros. Pelo menos por enquanto.
Thalamus: O site do Ibiss separa o campo de atuação da entidade em dez áreas. Quais os motivos para esta divisão?
Nanko: A divisão é muito mais para nos orientarmos dentro da entidade. Temos populações de rua, e como fazer um trabalho na rua mesmo. Uma outra área é o abrigo (não para repetir a função da Febem), que visa apoiar a idéia de famílias substitutas para pessoas encontradas no asfalto. Queremos criar um ambiente de família para as crianças a fim de assegurar que elas cresçam dentro de uma. Também dividimos o trabalho que chamamos de “Articulação Comunitária” daqueles encaixados em “Projetos Comunitários”. O primeiro é onde não temos o próprio projeto, mas apoiamos a associação de moradores, ou das igrejas, para melhorar a situação dentro da comunidade sem a necessidade de criar um centro, um posto de saúde e etc. Projetos Comunitários são aqueles educativos, de esportes, culturais, saúde e depende muito da análise sobre quais as necessidades de determinada comunidade. Além disso, temos um programa para portadores de deficiência, especialmente para incluí-los na sociedade. Neste caso, buscamos entender como eles podem participar o máximo possível de atividades consideradas “normais”.
Entrevista Stella Maria van Weerelt
Por Felipe Lobo - Publicado em 17/10/2008
A presidente da Thalamus, Stella Maria van Weerelt, está satisfeita por ter entregue sua monografia de conclusão do MBE em Responsabilidade Social e Terceiro Setor (RTS), pela UFRJ. No entanto, ela também está preocupada quanto ao futuro do terceiro setor no Brasil. Pudera: com o título “O BALANÇO SOCIAL NAS ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS NO BRASIL: UMA QUESTÃO DE TRANSPARÊNCIA”, a dissertação analisa as entrevistas feitas por Stella com 15 Ong's cariocas cadastradas na Abong (Associação Brasileira das Organizações Não-Governamentais) para saber o quanto elas conhecem do tema.
A conclusão não foi das mais animadoras, pois apenas uma instituição publica regularmente o Balanço Social no Rio de Janeiro. É uma “ferramenta de análise crítica de como a organização se conduz interna e externamente”, comenta Stella. Ao longo de sua pesquisa, ela conheceu alguns dos motivos pelos quais a publicação é tão rara e desconhecida pelo Terceiro Setor: um dos principais é o fato de que a publicação do balanço social não é obrigatória pelas leis brasileiras e tampouco é cobrada pelas instituições doadoras. Para entender um pouco mais dos resultados, leia a entrevista completa abaixo.
Felipe: Stella, como surgiu a idéia de fazer uma nonografia sobre o Balanço Social?
Stella Maria van Weerelt: Fazendo MBE em Responsabilidade Social e Terceiro Setor e ao assistir as aulas do professor João Sucupira, que veio depois a ser o meu orientador. Ele apresentou o modelo de Balanço Social do Ibase, dentre outros. Enquanto gestora de projetos sociais, eu percebo que uma das dificuldades das Ong's é a de fazer uma análise objetiva e crítica dos resultados de suas ações. Elaborar um balanço social facilita que a instituição possa analisar sua efetividade, assim como também proporciona que ela possa analisar sua política interna e externa de responsabilidade social. Ele é um relatório simples, de duas páginas apenas, e todos que trabalham podem participar na sua elaboração ou ter acesso às informações contidas. Recomenda-se que seja publicado na internet, que por sua vez é uma excelente ferramenta de comunicação e de transparência. Isto obriga a instituição a avaliar seus resultados e pensar em metas para o ano seguinte. Trata-se de uma proposta transparente de avaliação dos investimentos sociais
Ao começar a pesquisar sobre esse assunto aqui na Thalamus, nossa primeira surpresa foi notar que pouquíssimas Ong's no Brasil já publicaram um Balanço Social. Vinte e cinco, para ser mais precisa. É necessário treinamento do corpo técnico envolvido e investimento de capital para isso, além de tempo específico para analisar criticamente os dados, demandando uma integração maior entre todos os setores da organização.
Felipe: O que você entende por balanço social?
Stella: É uma ferramenta de análise crítica de como a instituição se comporta interna e externamente: se tem política de contratação dos trabalhadores (em caso afirmativo, se é por indicação ou licitação), se a instituição tem política interna para analisar seu quadro de funcionários por gênero, raça, idade e se abre seleção para portadores de deficiência, além dos tipos de benefícios que oferece. Ele também traz a transparência das informações que dizem respeito ao trabalho realizado e presta contas tanto para os apoiadores quanto ao público beneficiado.
Apesar de, no momento, eu acreditar que sua publicação seja quase uma utopia para o universo das Ongs brasileiras, creio que a publicação do balanço social será uma exigência dos doadores e financiadores nos próximos anos. Ele é diferente, por exemplo, do balanço contábil, que é uma apresentação finaceira dos resultados e dos recursos investidos. O balanco social é mais amplo. Por exemplo, pode-se comparar qual foi o resultado obtido em cada projeto e número de beneficiados, etc, com a análise finaceira associada.
Felipe: O balanço social, como ficou claro, promove maior transparência das ações de uma Ong e suas próximas metas. Por que, então, o número de instituições que o fazem é tão pequeno?
Stella: Em primeiro lugar porque não é obrigatório. Outra forte razão é a falta de conhecimento sobre o tema. Ao se fazer uma avaliação pública de seus resultados corre-se o risco de apresentar resultados negativos. Assumí-los publicamente é um fator de risco, pois os investidores podem decidir não renovar as doações. Afinal, em algumas organizações, o trabalho social acontece de dentro para fora, ou seja, nos projetos. Na própria instituição, porém, ele não é desenvolvido, muitas vezes por falta de recursos. Apesar deste contraste, aparentemente contraditório, isso pode mostrar às instituições fnanciadoras e aos doadores motivos pelos quais vale a pena investir na administração das instituições não governamentais, e não somente nos projetos sociais. A instituição que desenvolve projetos sociais precisa de suporte e treinamento permanentes para atender às demandas administrativas de avaliação.
Felipe: Como foi o processo de escolha das 15 ong's entrevistadas:
Stella: Como primeiro critério, escolhemos as Ongs do Rio de Janeiro associadas à Abong (Associação Brasileira de Organizações não-Governamentais), que eram 52. Em função do tamanho da pesquisa, determinamos que 15 entrevistas seriam suficientes para a amostragem. Foi então que, em função do histórico e da importância política de cada uma, selecionamos as 15 primeiras. Em seguida, telefonamos para cada uma, explicando que se tratava de uma monografia de MBE do RTS e pedimos para falar com o dirigente, ou o responsável por representar a instituição. Algumas não tinham agenda e então recorríamos às associadas para selecionar uma substituição. Mas isso praticamente não ocorreu.
Felipe: Você dividiu as entrevistas em dois blocos de perguntas. O primeiro era mais geral e o segundo, mais específico. Por quê essa diferenciação?
Stella: Como não havia uma literatura específica sobre o balanço social no Terceiro Setor no Brasil, sabia que seria complicado abordar o assunto. Precisava fazer um pequeno aquecimento com os entrevistados para criar um clima de confiança e alcançar o objetivo da entrevista. Era uma situação delicada, pois eu precisava das respostas sinceras para a análise. Muitos acham que a ação social é uma responsabilidade única e exclusiva do governo, e nós que trabalhamos no Terceiro Setor estamos preenchendo uma lacuna deixada por ele.
Felipe: Uma de suas perguntas na pesquisa era se o entrevistado estava otimista quanto ao futuro da questão social no Brasil. E você, está?
Stella: Não muito, pois é um trabalho bastante complexo e que depende de muitos atores sociais, como a sociedade civil, o governo e as empresas, que por sua vez estão investindo mais em responsabilidade social. Por outro lado, depois de uma conversa com o Ciro Torres, no Ibase, entendi melhor as diferenças entre a ação social direta e a indireta. Por exemplo, a nossa campanha bianual de doação de sangue. Nossa estratégia foi a de formar parceria com o Hemorio, pois é o banco oficial de coleta e de distribuição pública de sangue do Estado do Rio de Janeiro. A gente tem que prestar atenção para adicionar forças e atender às necessidades daquele orgão público. Nós procuramos sensibilizar pessoas para que compreendam a importância de se doar sangue, mas a responsabilidade é do governo, não é nossa.
Felipe: Depois de dois anos de pesquisas, qual a principal conclusão de sua dissertação?
Stella: Como as grandes empresas começaram a desenvolver seus projetos sociais, através de seus próprios institutos, ou fundações, com uma gestão mais profissional, será necessário que as Ongs saibam realizar também trabalhos claros e eficientes. A questão socioambiental é também muito relevante, que está em voga. Por fim, é preciso trabalhar mais em rede, aprender a conversar mais com os outros, ouvir o que eles têm a dizer, desenvolvendo projetos mais participativos. A internet tem grande importância para tornar as ações mais transparentes, através do website das instituições.
Você, que acompanha as notícias da Thalamus com regularidade, já percebeu os problemas ambientais causados pelo acúmulo de resíduos tóxicos, principalmente em destinos pouco elaborados. Além do assoreamento dos lençóis freáticos e contaminação dos solos, o metano emitido pelo lixo aumenta (e muito!) o acúmulo de gases estufa na atmosfera, responsável pelo aquecimento global. Em conseqüência, o ciclo de chuvas é alterado, o que atrapalha a reprodução de alimentação de alta parcela da biodiversidade mundial; o nível dos oceanos tende a aumentar, e assim por diante.
Por isso, além da série “Os casos do lixo” (publicada no último ano), que explica noções de redução, reutilização e reciclagem, a Thalamus também criou o “Manual do Síndico”, disponível na página do Zeko. Ele ensina como fazer a coleta seletiva nos condomínios e dá dicas de como separar os resíduos corretamente. Desta forma, não há desperdício, os recursos naturais são menos utilizados e os aterros sanitários aumentam suas capacidades.
Um dos principais problemas do tema, no entanto, atende pelo nome de lixo hospitalar. Ainda com destino incorreto, muitos resíduos usados em clínicas vão parar ao ar livre, em algum lixão das cidades. Para além do perigo de contaminação das pessoas que o tocam ou têm contato direto com o manuseio dos resíduos, o lixo hospitalar possui material tóxico suficiente para causar um grande desastre ambiental na região para a qual foi levado após seu uso.
O hospital Vera Cruz, situado no interior de São Paulo, pensou em como resolver estes problemas há mais de uma década. Na ocasião, todos os seus departamentos foram equipados com o sistema de coletas seletivas. Para alcançar os objetivos traçados, foi necessário fazer um amplo processo de treinamento e conscientização de todos os colaboradores e médicos do hospital. Durante este período, tema como responsabilidades social e ambiental foram amplamente discutidos.
A partir de 2000, com a instalação de lixeiras apropriadas por todo o hospital, o Vera Cruz firmou uma interessante parceria com a Não-Governamental Ecologia e Dignidade Humana (EDH). A partir daí, foi possível separar todos os resíduos (metal, papel, plástico e etc) e encaminhar todos os produtos passíveis de reciclagem para a ONG. Os resultados foram ótimos: no começo da parceria, estes materiais eram recolhidos pela Cooperativa São Judas Tadeu, parceira da EDH. Hoje, quem faz este trabalho é a Cooperativa Santos Dumont, também ligada à organização.
Orlando Nista Jr, gerente executivo de Recursos Humanos, Qualidade e Serviços de Apoio do hospital, garante que o trabalho não pára por aí. “Com relação aos resíduos contaminados gerados pelo Hospital, mantemos contrato com empresa especializada, que vem e recolhe o nosso lixo, pesa, e dá a destinação e tratamento apropriados”, explica. Deste modo, há um apoio irrestrito ao meio ambiente e, é claro, auxílio financeiro para comunidades carentes que trabalham nas cooperativas.
Outro fator importante e que merece ser mencionado pelo seu caráter pioneiro é o aproveitamento das lâmpadas fluorescentes usadas pelo Vera Cruz. Quando ela acaba, uma empresa realiza o serviço de descontaminação de mercúrio, fato fundamental em virtude do elevado nível tóxico deste componente químico. Algo semelhante acontece com as pilhas e baterias, que são devolvidas ao fabricante quando esgotadas lá, eles dão o melhor destino para elas.
È claro, no entanto, que as cooperativas precisam de material adequado para o manuseio e separação do lixo. Para fazer o serviço completo, o hospital doa as proteções. Entre novembro de 2000 e setembro de 2008, o Vera Cruz há havia doado cerca de 88 mil pares de luvas. Até o final do ano, por outro lado, estima-se que um total de 75 mil toneladas de resíduos sólidos (que antes iriam para os aterros sem tratamento) sejam reciclados. Até agora, já foram 50 mil.
Conheça o IBISS
Publicado em 10/10/2008
Na próxima semana, a Thalamus publica a primeira parte da entrevista com o holandês Nanko van Buuren, presidente do Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social (IBISS). O papo foi tão esclarecedor e produtivo que decidimos separá-lo em dois para que os amigos e parceiros tenham a oportunidade de conhecer cada detalhe deste brilhante trabalho. Enquanto os próximos dias não chegam, no entanto, você poderá começar a entender os motivos pelos quais este europeu trafega por todos os cantos do Rio de Janeiro sem o menor problema.
Em 1988, Nanko veio morar no Brasil com uma difícil missão: trabalhar diretamente com comunidades e excluídas, como gosta de dizer. Serviço difícil para qualquer brasileiro, este holandês de olhos azuis aceitou o desafio com coragem e dedicação e já colhe os frutos de tantos anos de esforços intensos. Com sede no Centro da Cidade do Rio de Janeiro, o IBISS é uma das principais organizações não-governamentais de todo o país e conta com importantes parceiros, como o BNDES, a Anistia Internacional e a Organização Internacional do Trabalho.
Nanko se sente em casa no Brasil. Também, pudera. Poucos cariocas conhecem tanto o Rio de Janeiro quanto ele. Atualmente, para se ter uma idéia, o IBISS leva projetos em 68 comunidades diferentes. O holandês já foi em todas, várias vezes. O trabalho, basicamente, se resume na “construção de pontes entre as populações excluídas e os serviços públicos, fornecendo suporte às ações governamentais nas áreas de educação e saúde, mas sempre lutando para que, a médio prazo, os governos se responsabilizem pelas ações tanto logística quanto financeiramente”, diz o texto de um dos folhetos distribuídos pela entidade.
Além disso, uma das principais vertentes capitaneadas pelo IBISS é a formação de lideranças locais dentro das favelas do estado Fluminense. Apontados por moradores locais, associações ou descobertos pela própria equipe da ONG, estes jovens têm plena capacidade de posicionamento à frente de decisões importantes para o futuro pacífico e repleto de direitos humanos dos lugares onde vivem. Para tanto, são oferecidos cursos de capacitação, ensino e acompanhamento de anos.
Entre os projetos e objetivos levados por Nanko e sua equipe, estão:
Desenvolvimento sustentável nas favelas e inclusão social das comunidades;
Desenvolvimento de novas formas de prevenção de doenças como subnutrição e hanseníase;
Atendimento de grupos de idosos e pessoas portadoras de deficiências;
Promover formação política e capacitação de edeucadores sociais;
Garantir os Direitos Humanos fundamentais, com denúncias da exploração sexual e do trabalho infantil, por exemplo.
Como o leitor verá nas entrevistas, a linha de atuação do IBISS é dividida em tópicos. Nanko explicará com mais detalhes no bate-papo. Basicamente, no entanto, há o trabalho nas ruas para levar crianças e pessoas sem-teto para outras famílias; os projetos comunitários, como os na área de saúde, educação e esportes, por exemplo (baseados nas necessidades de cada favela). A partir deles, estruturas físicas são montadas para o maior aprendizado dos moradores de cada região.
Há muitas outras iniciativas, como os grupos coletores de material passível de reciclagem e o de saúde preventiva. Além deles, existe o programa de intercâmbio elaborado em parceria com apoiadores internacionais do IBISS. Através deles, jovens brasileiros vão para outros países com o intuito de conhecer novas culturas e abordagens sociais, e depois recebem adolescentes e jovens estrangeiros em suas comunidades. Trata-se de uma espetacular troca de experiências.
Esta é apenas uma pequena demonstração de um trabalho sério e competente que é desenvolvido no Brasil há mais de duas décadas por um grupo de profissionais altamente qualificado. Os planos, é claro, se baseiam em um crescimento acelerado de todo o processo, a fim de promover maior saúde e eqüidade social para toda a população do Rio de Janeiro e, em um futuro, quem sabe, de todo o Brasil. Confira a primeira parte da entrevista na próxima semana.
Cruzada do Menor em festa
Publicado em 03/10/2008
A Cruzada do Menor recebeu uma excelente notícia na última semana. O documentário “Um Nobre Olhar sobre Del Castilho”, realizado pelos alunos do curso de Comunicação Digital oferecido pelo Plantando o Amanhã (um projeto social capitaneado pela Cruzada em parceria com o Shopping Nova América) recebeu um prêmio para lá de importante: foi um dos vencedores do Prêmio Cufa, oferecido pelos organizadores do Festival Internacional de Filmes da Periferia o Cine Cufa.
De todo o evento, apenas dois filmes foram premiados: e um deles foi justamente aquele produzido pelos jovens que, antes do Plantando o Amanhã, tinham poucas perspectivas de vencer na vida. Agora, como um dos mais representativos recursos de áudio-visual da mostra, o “Um Nobre Olhar sobre Del Castilho” terá direito a legendagem e tradução para o inglês. Desta forma, a participação do curta nos diversos festivais espalhados pelo mundo se torna muito mais acessível e estimulada.
Em seu boletim informativo, a Cruzada do Menor mostrou sua felicidade pelo reconhecimento do trabalho arduamente elaborado pelos alunos do Plantando o Amanhã.”Estamos muito honrados com a premiação concedida por um festival que tem como premissas o incentivo à consolidação de um espaço democrático do audiovisual e a inclusão social. Este reconhecimento é um grande estímulo para que os nossos jovens possam continuar mostrando o olhar da periferia para o mundo”, diz o comunicado oficial.
Mas não foi apenas esta a boa notícia do mês de setembro para o projeto que englobal diversos programas de responsabilidade social, como a Creche Tio Beto (criada e mantida pelo Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais, com apoio da Thalamus). No final de semana dos dias 30 e 31 de agosto, como anunciamos nesta seção de notícias, houve a quarta e dição da Ação cruzada, um evento com serviços gratuitos de saúde, cidadania e inclusão social.
Nestes dois dias, o Nova América recebeu diversas comunidades vizinhas a Del Castilho, além de voluntários, parceiros e colaboradores da Cruzada do Menor. Para animar um pouco a festa, a abertura contou com a participação do coral das crianças e idosos e uma apresentação de dença sênior da Casa Emilien Lacay. Para completar, os jovens do dos projetos liados à Cruzada distribuíram sementes e jornais de confecção própria. A Creche Tio Beto também esteve presente nas oficinas de fuxico e narração de histórias, que fizeram a alegria do público infanto-juvenil.
Também foi muito bem-vinda a participação de voluntários da Fundação Leão XIII, Gomes Advogados e Associação Junior Achievement, responsáveis pelas ações de cidadanis e atividades de lazer fato que contribuiu muito para a tranqüilidade e importância do evento.
Um outro destaque absoluto do último mês foram as festas em comemoração à chegada da primavera, já figuras carimbadas no calendário da Cruzada do Menor. Todo ano, celebra-se a estação de cores e exuberância das flores pela analogia com a constante renovação imposta pela vida. No dia 13 de setembro, portanto, houve a celebração com os idosos da Casa Emilien Lacay, em Jacarepaguá. Maria Antônia Cordeiro (79 anos), eleita Rainha pela primeira vez, estava muito elegante, assim como Sebastião Miranda (75 anos), o Rei.
No dia 31 de outubro será a vez da festa no Plantando o Amanhã, às 16:30hs. O evento acontecerá na sede do projeto, na Avenida Pastor Martin Luther King, 126, Del Castilho, Rio de Janeiro. Essa comemoração será imperdível, e os presentes poderão ajudar a escolher o Rei e a Rainha da vez.
Novidades ecológicas
Publicado em 03/10/2008
Há 71 anos, o Brasil ganhou o seu primeiro Parque Nacional. O setentão Itatiaia, um dos maiores do país, é também palco de espécies endêmicas (que só existem ali) de fauna e flora e de trilhas que deixam montanhistas e aventureiros exaustos. Para conhecê-lo por completo, é necessário tirar pelo menos uma semana de férias e andar bastante. Mas a recompensa é enorme, com um visual inesquecível e muita natureza para apreciar.
Apesar de ser fundamental para a conservação do meio ambiente e de sua biodiversidade, esta categoria de unidade de conservação ainda está longe de ser unanimidade nos corredores de Brasília. Ao declarar uma área como Parque Nacional, é implícito que, dentro de seus limites, não pode viver nenhuma família sejam grandes proprietários, índios ou comunidades quilombolas (descendentes de escravos). Além disso, o espaço fica velado para atividades que não tenham caráter científico ou de eco-turismo.
Essa dificuldade de implantação gera muitas dúvidas no alto-escalão do governo federal associado à, em teoria, proibição de manejo da floresta. Em virtude da visão míope do Poder Público, a floresta no chão parece render mais do que árvores em pé. Ou, pelo menos, é o que parece, infelizmente. Na última semana, porém, os ambientalistas receberam uma boa notícia. Em companhia do presidente do Instituto Chico Mendes, Rômulo Mello, e do ministro-interino do turismo, Luiz Eduardo Pereira Barretto Filho, o midiático chefe da pasta do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou o investimento de 28 milhões de reais em seis parques nacionais.
Os felizardos que vão receber uma injeção de recursos nos seus combalidos cofres são: Aparados da Serra (RS/SC), Chapada dos Veadeiros (GO), Serra dos Órgãos (RJ), Serra da Capivara (PI), Jaú (AM) e Lençóis Maranhenses. De acordo com notícia da Folha do Meio Ambiente, outros quatro parques que mantêm elevada concentração de turistas também devem receber investimentos a partir de acordos com a iniciativa privada. São eles: Parque do Iguaçu (PR), Marinho de Fernando de Noronha (PE), Marinho dos Abrolhos (BA) e Parque da Tijuca (RJ).
O dinheiro investido terá algumas prioridades imediatas, como melhorar a estrutura de visitação dos parques e os centros de visitantes. Mas não foi apenas esta a boa notícia do dia. Na mesma ocasião, o presidente Lula assinou um decreto que amplia o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Rio de Janeiro, de 9.450 hectares para 10.527 hac. O total do acréscimo foi de 89%, um número considerado altíssimo. Com esta medida, diversas montanhas importantes serão protegidas da intensa especulação urbana que existe no entorno da unidade de conservação, assim como mananciais imprescindíveis para o abastecimento de água a cidades próximas, como a floresta da Alcobaca e o rio da Cachoeira Grande.
Um outro decreto, também assinado por Lula durante o evento realizado em Petrópolis (RJ), definiu os parâmetros para o surgimento de estradas-parques. Quando construídas dentro de unidades de conservação, elas só receberão o aval no momento em que for comprovada a sua utilidade para a gestão do território. Este passo é muito importante, pois preserva a biodiversidade e as florestas da invasão impensada de cimento para a passagem de automóveis dentro dos parques e reservas.
Uma outra informação importante: novas sete Reservas Particulares do Patrimônio Natural receberão o certificado para iniciar suas atividades. São elas: Bom Sossego, Nossa Senhora Aparecida, Tanguá e Rogério Marinho, no Rio de Janeiro; Cachoeira Alta, no Espírito Santo; Conjunto Outeiros do Córrego Grande, na Bahia; e Emílio Einsfeld Filho, em Santa Catarina. Com isso, mais centenas de hectares de Mata Atlântica serão conservados. Bela notícia.
A arte do consumismo
Publicado em 25/09/2008
Fotógrafo norte-americano, Chris Jordan tem uma preocupação que transcende a maioria de seus pares: a questão ambiental. Ao mesmo tempo em que se mostra um artista do primeiro time, usa sua profissão para exibir às pessoas os sérios problemas causados pelas ações insustentáveis dos seres humanos. O resultado desta combinação entre arte e ativismo ecológico é um brilhante ensaio conhecido como “Running the Numbers - An American Self-Portrait”. Ele trata sobre o absurdo consumismo dos habitantes de seu país de uma forma leve, bonita e, ao mesmo tempo, caótica e intrigante.
O seu processo é simples, mas doloroso e original. Em 2006, Chris começou a juntar exemplos do consumo exagerado e da cultura de desperdícios nos Estados Unidos para chamar a atenção do público acerca do uso abusivo de recursos naturais do planeta. Um exemplo é o descarte incorreto de milhares de pilhas ao longo de apenas um mês, donas de alto componente químico que destróem solos e recursos hídricos.
Um exemplo de seu trabalho: Jordan empilhou 170 mil pilhas diferentes (o equivalente à produção norte-americana em apenas 15 minutos). Vendo de longe da posição na qual elas foram fotogradas -, elas estão dispostas de tal maneira que lê-se a seguinte frase: “Já que as baterias agora são feitas são adição de mercúrio, nós não acreditamos que um programa de reciclagem seja necessário “. Realmente incrível.
E não é o único meio que ele encontrou para se manifestar. Em outro quadro, uma caveira parece estar fumando um cigarro. Dito e feito. Quando os cliques da máquina de Jordan chegam mais perto dos detalhes, observa-se um conjunto de 200 mil embalagens de nicotina, número de americanos que morrem a cada seis meses em virtude de danos causados pelo hábito.
Uma outra impressionante figura aparenta ser o chiado de uma televisão com defeito, tamanha graduação de cinza. No detalhe, o que há no quadro são 426 mil celulares número equivalente ao total de aparelhos que saem de circulação somente nos Estados Unidos diariamente. O curioso é notar que, se com as taxas referentes a apenas um país, já é possível realizar um trabalho impressionante. Isto, sem dúvida, leva a pensar como seria o esforço de Chris Jordan caso todos os países fossem usados como referência.
O mais interessante, no entanto, é a cópia que Chris faz do quadro “Domingo á tarde na Grande Jatte”, pintado em 1884 por Georges Seurat. O painel, que é um ícone da pintura moderna, ganha novas formas nas mãos do fotógrafo, que utiliza 106 mil latas de alumínio para recriar a famosa pintura com uma impressionante riqueza de detalhes e rigidez na fidelidade ao original. A beleza da fotografia mostra a quantidade de latinhas jogadas no lixo a cada 30 segundos em territótio Tio Sam.
Para Chris, o seu trabalho gera mais impacto nas pessoas e ajuda a conscientizar de forma mais direta do que se os mesmos números estivessem publicados em livros didáticos ou revistas. De fato, ele parece ter razão. Quando o olho bate pela primeira vez em suas imagens, o que se vê são belas figuras, um exemplo nítido de arte. Mas, ao mostrar a verdadeira faceta deste resultado, o espanto é conseqüência quase imediata. Para ver seus trabalhos, entre em seu site.
Jornal do Plantando o Amanhã
Publicado em 25/09/2008
No último dia 15 de setembro, uma excelente notícia chegou à redação da Thalamus: os jovens do curso de Comunicação Digital do Plantando o Amanhã, projeto apoiado pela Cruzada do Menor (mesmo instituição que recebe a Creche Tio Beto, capitaneada pelo Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais), lançaram um jornal chamado “Alvo Jovem”. O objetivo é nobre ser um canal de comunicação entre os jovens, com conteúdo que expresse o universo desta garotada.
O primeiro número, publicado em agosto, já mostrou que o projeto tem tudo para fazer grande sucesso. Com desenhos, charges, artigos e entrevistas elaborados pelo pessoal da Comunicação Digital, o jornal traz informações sobre gravidez na adolescência, preconceito racial e o documentário de Del Castilho feito pelo pessoal do mesmo curso (acerca do qual a Thalamus já falou em edições anteriores).
Beatriz Lopres, uma adolescente de apenas 15 anos, emplacou no lançamento um texto muito bem escrito sobre gravidez precoce. Para ela, o maior problema de gerar um filho enquanto jovem é a falta de estrutura para mantê-lo o que acarreta em ajuda de terceiros, sempre. Além disso, a perspectiva de futuro não costuma passar pela cabeça da mãe, o que a faz abandonar a escola e entrar muito cedo no mercado de trabalho, sem preparação para evoluir em uma profissão. O excelente artigo é escrito com uma linguagem bastante acessível que pode chamar a atenção dos jovens, sem dúvida. E ainda é acompanhado por um belo desenho de Raphael dos Santos, um talento com apenas 16 anos.
Mas o jornal também tem espaço para entrevistas, e a primeira foi realizada por Elias carvalho, também de 16 anos, com a psicóloga Léia Alvez. O tema da conversa foi como se preparar adequadamente para uma entrevista de trabalho. De acordo com Alvez, não se deve chegar atrasado, mascar chicletes ou usar gírias. É muito importante, também, falar de seus objetivos e deixar claros os seus pontos fortes e fracos e, neste caso, dizer o que pretende fazer para corrigí-los. Ela falou, inclusive, sobre os processos da dinâmica em grupo, momento no qual é preciso saber respeitar os outros entrevistados e saber o momento exato de falar.
Ao longo das três páginas do jornal, é possível conferir também uma coluna sobre separação dos pais e a importância de ambos permanecerem fiéis aos filhos. A importãncia de permenecer na escola para um bom futuro profissional e a possibilidade de não pagar a inscrição do vestibular também foram temas de destaque no mês de agosto. Sempre produzidos por jovens, os textos são acompanhados por charges de pessoas diferentes. Um excelente estímulo ao desenvolvimento de habilidades e ótimo canal de comunicação. Não perca.
Ainda é tempo de doar sangue
Publicado em 19/09/2008
A Campanha de Doação de Sangue em Prol da Vida deste semestre, uma parceria entre a Thalamus e o Hemorio (principal banco de sangue do estado do Rio de Janeiro), começou na última quarta-feira, dia 17 de setembro. Como todos sabem, a Associação convida seus amigos e parceiros a participarem da coleta e seguirem o slogan do projeto Mais Um. Em outras palavras, é muito importante que uma nova pessoa seja convocada por todos os que praticam esse bonito gesto; desta forma, os hospitais públicos do estado serão muito bem servidos e diversas vidas poderão ser salvas.
Este argumento já é forte o suficiente para convencer que o gesto é, de fato, muito bonito. Milhares de pessoas, em todos os municípios do Rio de Janeiro, precisam urgentemente de doação de sangue, mas muitas vezes não há estoque para isso. No último mês, esse problema ficou muito intenso em virtude da campanha nacional de vacinação contra rubéola.
Esse esforço do governo é emblemático, pois existe uma tentativa de erradicar a rubéola no país um ato digno, já que se trata de uma doença perigosa. Apesar de seu enorme valor, há um grande problema: quem toma a vacina não pode doar sangue durante um mês. Resultado: os estoques do Hemorio estão escassos. Por isso, mais do que nunca, precisamos de sua ajuda para contornar o problema e ajudar a salvar a vida de famílias inteiras que esperam por um transplante para um ente querido.
Para tentar solucionar um pouco este imbróglio, o Hemorio decidiu oferecer a vacina contra rubéola logo após a doação de sangue até a última sexta-feira, quando a campanha de vacinação se encerrou nos onze estados restantes (o Rio de Janeiro é um deles). Esta iniciativa, sem dúvida, aumentou a disposição e o entusiasmo de algumas pessoas. Mas ainda não foi o bastante e é preciso um arsenal de sangue muito maior.
Com este pensamento, decidimos fazer uma notícia diferente e contar um pouco como é o processo de doação de sangue desde o momento em que se chega ao Hemorio. Situado na Frei Caneca, 8, o local é grande e fácil de ser encontrado. Ao entrar, uma moça da recepção pedirá a sua identidade ou algum documento oficial com foto. Depois de fazer o seu cadastro e tirar uma foto, você ganha um senha que é colada em sua camisa.
A primeira pessoa a lhe chamar será a responsável por fazer um novo cadastro, agora mais completo, e lhe fornecer um questionário com indagações pertinentes sobre a sua vida pessoal. É preciso falar a verdade, sempre! Enquanto você espera sua vez para a triagem, um lance lhe é oferecido para a hidratação: biscoitos, balas e refrescos.
Uma vez que o seu número aparecer no placar eletrônico, você pode ir para a triagem. Lá, uma médica lhe fará uma série de perguntas, medirá sua pressão e seu peso e fará um rápido e indolor exame de coagulação sangüínea. A partir daí, basta um pouco mais de espera e será chamado para a coleta.
O tempo de duração da coleta varia, em média, de cinco a dez minutos, mas pode ser menor. Depende da rapidez de seu fluxo sangüíneo. Depois, você é encaminhado para a sala dos lanches (mais um!) e estará liberado. Basta isso para colaborar com milhares de pessoas. Portanto, não perca tempo e corra para o Hemorio, todos os dias das 7 às 18hs. A nossa campanha dura o mês inteiro.
Entrevista Teresa Corção
Publicado em 19/09/2008
Teresa Corção é uma mulher de muitos talentos e, por isso, um tanto atarefada. Chef de cozinha reconhecida na profissão, ela comanda o restaurante O Navegador, no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Famoso por seu glamour e amplos salões, o local oferece um variado cardápio para os clientes, com especial atenção para os produtos naturais e orgânicos. Há 32 anos anos situado no prédio histórico do Clube Naval, o restaurante já se tornou uma paisagem inesquecível do estado fluminense.
Mas quem pensa que o tempo de Corção é ocupado apenas por suas funções como empresária e chef, está muito enganado. Ela também encontra energia para tocar o Instituto Maniva, uma organização sem fins lucrativos que utiliza a culinária como instrumento de transformação social. Como ela gosta de dizer, trata-se do primeiro exemplo no Brasil. A Thalamus têm um especial orgulho pelo projeto, já que ele foi criado a partir da experiência bem sucedida com o Mandioca, um programa que teve apoio irrestrito de nossa associação há três anos.
Nesta entrevista, realizada por e-mail e num fim de semana (já que, para dar conta dos inúmeros afazeres, a chef precisa levar trabalho para casa), Teresa conta um pouco de suas expectativas para o Maniva e explica sua versatilidade. Confira abaixo o papo na íntegra.
Thalamus: Quando teve início o projeto Mandioca e quais eram as suas características?
Teresa Corção: O projeto mandioca iniciou em outubro de 2002 como uma ação isolada minha, uma contribuição social individual através da minha profissão. Encontrei no CIEP Presidente Agostinho Neto um parceiro confiante que abriu as portas para mim.
Thalamus: O apoio da Thalamus foi importante para o crescimento do projeto? Caso sim,
em qual sentido?
Corção: Sim, muito importante. Através da Thalamus adquiri um sentido critico em relação a vários aspectos do projeto mandioca. Em relação à importância da contrapartida, da união e análise das funções da equipe, do objetivo e missão do projeto. Graças a esse "rito de passagem" e a um desligamento positivo da Thalamus, foi criado o Instituto Maniva.
Thalamus: Qual o período em que esta parceria foi estabelecida?
Corção: Durante todo o ano de 2005.
Thalamus: Foi a partir da experiência com o Mandioca que o Instituto Maniva foi criado, certo? Em que ele se consiste?
Corção: Sim. É a primeira ONG do Brasil a utilizar a culinária como instrumento de transformação social. Nossas ações são nas áreas da educação - com as oficinas e programa de televisão - na área da agricultura - com parcerias com produtores da agricultura familiar - e na área da cultura- com filmes que documentam o modo de fazer da nossa cultura gastronômica
Thalamus: Quais os principais trabalhos exercidos pelo Maniva e o papel do Mandioca dentro dele?
Corção: A mandioca foi o primeiro produto brasileiro que pesquisamos, agora já estamos pesquisando o palmito e o milho. A idéia é mapear nosso Brasil culinario.
Thalamus: Há algum evento previsto a ser realizado pelo Instituto, ou que ele vá participar?
Corção: Estamos no evento do Sebrae em Brasilia este mês; no próximo Terra Madre - evento do Slow Food - em Turim, na Itália, em outubro; no Rio Show gastronomia com uma oficina para 140 crianças em novembro e no Prazeres da Mesa ao vivo no mesmo mês.
Thalamus: Como você concilia a sua vida de chef com a de empresária do Terceiro
Setor?
Corção: Com paixão pelas duas, combinando o .com e o .org que, afinal das contas, não está tão longe assim. E também trazendo dever de casa para os fins de semana como nesse email que estou te respondendo!
Campanha de Doação de Sangue 17 de setembro
Publicado em 11/09/2008
O trabalho continua. Você, que está acostumado a acompanhar a rotina da Thalamus, não ficará surpreso com a notícia. Mas os novos amigos e parceiros podem se deparar com uma boa novidade: na próxima quarta-feira, dia 17 de setembro, a Associação fará mais uma Campanha de Doação de Sangue em Prol da Vida com o apoio do Hemorio, principal banco de coleta de sangue do estado do Rio de Janeiro. O esforço conjunto já deu excelentes resultados e ajudou o órgão governamental a distribuir maior quantidade desde precioso bem para os hospitais públicos fluminenses. O reconhecimento é conseqüência: no último ano, a Thalamus foi eleita pelo Hemorio como um de seus principais e mais efetivos parceiros.
Esta campanha é diferente dos outros projetos tocados pela Associação, a começar pelo fato de que não é um apoio logístico e de gestão a grupos já existentes em comunidades de baixa-renda, por exemplo. A Doar Sangue é Doar Vida foi pensada, planejada e executada pela equipe da Thalamus com a preciosa ajuda do Hemorio desde o seu princípio, no primeiro semestre de 2006. Ela foi uma resposta imediata ao falecimento de Fernanda de Moraes Barboza, vítima da violência carioca aos 22 anos. Trata-se de um gesto de resposabilidade social e preocupação com o próximo, acima de tudo. Por isso, levamos a iniciativa muito a sério.
Durante a próxima quarta-feira, das 7 às 18hs, uma equipe da Thalamus fará prontidão na porta do Hemorio (situado à rua Frei Caneca, 8, Centro da Cidade do Rio de Janeiro) para receber os voluntários. Até hoje, dezenas de pessoas já participaram da campanha que acontece duas vezes por ano e seguiram o espírito: levar sempre mais um para a próxima data. Caso este lema seja perseguido em todos os segundos, a chance de abastecer o banco com muito sangue cresce em níveis consideráveis.
Para conseguir doar sangue, é preciso atender a alguns pré-requisitos básicos: levar documento oficial de identidade com foto, estar bem de saúde, ter entre 18 e 65 anos e pesar mais de 50 quilos são alguns deles. Mas há também os impedimentos temporários, como a ingestão de bebida alcóolica no dia da doação, gravidez, febre acima de 37ºC ou tatuagem feita a um ano ou menos. Infelizmente, quem teve hepatite após os dez anos de idade, malária, alcoolismo crônico ou uso de drogas ilícitas injetáveis não pode doar sangue pelo resto da vida. Mas ainda pode participar da Campanha de Doação de Sangue em Prol da Vida, é claro. Como? Conversando com amigos sobre o tema, a importância da coleta e levando pessoas para o Hemorio.
Para doar sangue, basta disponibilizar poucas horas de seu dia. É verdade, não se trata de um procedimento super rápido, mas nem poderia: é necessário retirar meio litro de sangue de cada pessoa. Mas o período é quase indolor para quem não teme agulha e ajuda a salvar muitas vidas, direta e indiretamente. Um gesto simples, mas que pode transformar o sofrimento de diversas famílias em alegrias eternas.
É necessário, no entanto, tomar alguns cuidados após a doação. Por exemplo, não pratique exercícios físicos pelas doze horas subseqüentes, não fume durante duas horas, beba bastante líquido e mantenha o curativo no local da punção por, no mínimo, quatro horas. Ah, e não dirija veículos de grande porte, trabalhe em andaimes ou pratique esportes radicais, como paraquedismo ou mergulho.
Este convite foi escrito especialmente para você. Não deixe de participar da campanha. Abaixo, veja o vídeo que o cineasta Hugo (colaborador da Thalamus), fez para a campanha em parceria com a equipe da Associação e outros parceiros. Ele está no You Tube e foi veiculado na Rede Globo. E não se esqueça. O dia 17 é apenas o início da campanha. Caso não possa comparecer nesta dia, não se preocuope. Ela permanece durante um mês inteiro. Basta chegar no Hemorio, dizer o nome da Thalamus e fazer a doação. Desde já, muito obrigado!
Documentário sobre Del Castilho
Publicado em 11/09/2008
As tropas francesas de Napoleão Bonaparte se preparam para invadir Portugal em mais uma investida para alcançar a soberania marítima européia e, conseqüentemente, a mundial. Temendo os ataques do poderoso império vizinho de continente, o rei da metrópole, João XI, reúne sua corte e artistas e decide embarcar para a sua maior colônia: em 1808, o litoral brasileiro recebe líderes que nunca antes haviam colocado os pés por estas terras. A partir dali, tudo mudaria para o país de grandes dimensões que, até então, apenas via seus recursos serem explorados sem qualquer motivação ou oportunidade de barrar a farra daqueles visitantes “ilustres”.
Fato é, no entanto, que o Brasil é hoje o que é graças à vinda da Família Real no início do século XIX: no bom e no péssimo sentido. Foi naquela época, por exemplo, que a exploração (natural e humana) se fortaleceu, assim como a desigualdade social e a terrível distribuição de terras. O Brasil já nasceu desequilibrado, com pouca educação e respeito. Porém, ao mesmo tempo, houve a criação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e abertura de bancos e outros progressos. Mas, afinal, o que isso tem a ver com a seção de notícias deste site? Muito, na verdade. Afinal, um filme realizado por jovens da Cruzada do Menor será exibido no Segundo Festival de Filmes da Periferia, o Cine Cufa.
Chamado “Um Nobre Olhar sobre Del Castilho”, o curta-metragem de oito minutos narra a trajetória deste bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro desde o famoso ano de 1808 até os dias atuais. A exibição do filme vai acontecer no próximo dia 17 de setembro, quarta-feira, às 18hs, no Centro Cultural Banco do Brasil. O espaço fica na rua 1º de Março, 66, no Centro da cidade do Rio de Janeiro.
O premiado curta foi desenvolvido pelos jovens alunos do curso de Comunicação Digital capitaneado pelo Plantando o Amanhã, projeto apoiado pela Cruzada do Menor que, como os parceiros da Thalamus já sabem, também é a matriz da Creche Tio Beto, uma iniciativa do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais auxiliada pela nossa Associação. O lugar estimula o parendizado e muitas brincadeiras para mais de cem crianças que vivem em zonas de risco na região de Pedra de Guaratiba (RJ).
O projeto Plantando o Amanhã foi criado em 1995 através de uma parceria entre a Cruzada e o Shopping Nova América, localizado em Del Castilho. Ele é apoiado pelos lojistas e empreendedores da região, e daí retira todos os recursos necessários para cumprir seu orçamento mensal. Atualmente, ele é composto por uma creche, um centro de convivência para idosos e dois cursos de complementação escolar. São eles: Meio ambiente e jardinagem e comunicação digital (este último foi o propulsor do documentário de curta-metragem em questão).
Depois de oito anos de atuação, 1436 crianças já tinham sido atendidas pelo projeto, 1475 jovens e 201 idosos. Ao todo, 3.112 pessoas mudaram sua vida e ganharam oportunidades que, antes, não poderiam sequer imaginar. Agora, muitas estão formadas e conseguem dar um novo significado à vida. Portanto, não perca: dia 17, às 18hs, confira o documentário produzido pelos jovens da oficina de Comunicação Digital. Vale a pena.
Design vira sustentável
Publicado em 05/09/2008
O design sustentável está na moda. Em tempos de crise ambiental, é preciso pensar em todos os mínimos detalhes para colaborar com a preservação ecológica. A começar pela economia de energia dentro de casa e coleta seletiva do lixo, até trabalhos mais específicos na área como negociações de créditos de carbono dentro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), plataforma criada pelo Protocolo de Quioto. Uma outra alternativa é olhar para o que, há um tempo, se consideraria lixo e transformá-lo em tesouro. É o que indica uma excelente reportagem de Sophie Morris, escrita para o diário britânico The Independent.
Há opções de sobra para reaproveitar materiais que acabariam nos aterros sanitários da cidade, poupando recursos naturais e energia na linha de montagem. Esta foto acima, retirada da matéria, conta a história de uma banheira que, reformada, virou uma linda cadeira. Trata-se de um modo interessante de usufruir da imaginação, gerar conforto e agredir minimamente a natureza. Cada vez mais a nova geração de profissionais se mostra preocupada não apenas com a qualidade do produto que vai oferecer para a população, mas também com o futuro das novas gerações.
A maioria destas novas invenções, diz Sophie Morris, está compilada no livro Cool Hunting Green. Recém-lançado na Europa, o guia repleto de imagens mostra exemplos claros de como transformar um recurso aparentemente feio em um estilo de vida ecológico sem perda da praticidade e confortabilidade inerente a um projeto de design de produto. A reportagem ainda conta que a grande maioria destes novos itens é feito a partir de peças já existentes em outros locais, como pedaços de computadores velhos.
O melhor de tudo é que, além de garantir uma proteção valiosa ao meio ambiente, os novos produtos também são esteticamente agradáveis. Vale lembrar mesmo quem não sabe de sua procedência ecológica tem tudo para achar uma destas peças muito belas, já que o trabalho de composição é minimamente estudado pelos profissionais conceituados que estão dentro do livro. Talvez, a palavra mais convencional seja “charmoso”.
Mas não é apenas no exterior que este trabalho é executado. No Brasil, os designers e arquitetos estão começando a construir uma visão própria sobre sustentabilidade. Com isso, cresce a preocupação com a escolha dos materiais e as próprias formas dos produtos que serão criados. Marcelo Lobo e Pedro Braga, sócios do escritório LB2 Design, sabem bem como é o novo mercado. Jovens recém-formados na PUC do Rio de Janeiro, eles procuram proteger os recursos naturais no planeta em suas rotinas.
Para tanto, já criaram cadeiras revestidas com lonas de caminhão recicladas e sempre buscam madeira de reflorestamento com o selo específico de manejo florestal. Além disso, são responsáveis pelo projeto da casa modular Curupira, um alojamento para operários em obras espalhadas pelo Brasil. A estrutura é pensada na influência dos ventos tropicais e na incidência do sol, para economizar o uso de luz e resfriamentos artificiais. Para completar, o piso é erguido a alguns centímetros do solo, o que minimiza o impacto, e placas de captação da energia solar marcam presença.
Desta forma, a água do banho é aquecida através de uma fonte natural. Cisternas para coletar a água da chuva são responsáveis pela economia deste precioso recurso e atuam no processo de reciclagem da água. Caso tenha interesse em conferir de perto o planejamento, entre no Oikos Já!, site que apresentou o trabalho durante sete semanas seguidas.
Relatório de atividades mostra proteção ecológica
Publicado em 05/09/2008
Como toda empresa ou organização de seu porte deve fazer, a The Nature Conservancy publicou o seu “Relatório de Atividades” relativas ao ano de 2007. Bem completo, o documento mostra os planos de ação da ong e quais os resultados alcançados durante a última temporada no objetivo de preservar o meio ambiente. Com o objetivo de fortalecer a imagem e demonstrar clara preocupação com a divisão dos trabalhos, os autores do livreto decidiram dividir os assuntos por tópicos.
Um deles, e muito curioso, é o que se refere diretamente à água. No último ano, a TNC conseguiu fechar com alguns parceiros uma proposta aprovada junto ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Piracicaba. Trata-se, em outros palavras, de um esforço conjunto para fornecer pagamentos por serviços ambientais. A idéia é simples: os proprietários que toparem reflorestar seus terrenos com mata nativa para proteger os recursos hídricos e ajudar no seqüestro de carbono recebem quantias em dinheiro. Para tanto, é preciso que haja financiadores: neste caso, exiswtem vários, desde recursos do governo até da sociedade civil.
A conservação dos recursos naturais também mereceu amplo destaque no documento. Para início de conversa, a TNC forneceu apoio logístico para o Ministério de Meio Ambiente criar duas unidades de conservação e aumentar uma terceira na Mata Atlãntica baiana. São elas: Refúgio de Vida Selvestre de Una, com 23 mil hectares; Refúgio de Vida Silvestre Rio dos Frades, com 894 hectares e acréscimo de mais de sete mil hectares à Reserva Biológica de Una.Mas não é só: em parceria com a TNC, a Fundação O Boticário criou a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Serra do Tombador, no município de Cavalcante (GO).
No total de 8.700 hectares, esta RPPN ajudou na consolidação do corredor de biodiversidade que conecta a Serra do Tombador à Chapada dos Veadeiros. Além disso, outras parcerias foram firmadas. Um exemplo é o contato com a Confederação Nacional de Reservas Particulares do Patrimônio Natural. Juntos, eles lançaram o primeiro banco de dados sobre este tipo de unidade de conservação no país. Agora, com a interface do Google Earth, é possível viasualizar todas as reservas criadas no país. Basta clicar aqui.
Ao lado do Instituto Ambiental do Paraná, a The Nature Conservancy - ong que tem sede em diversos países do mundo e visa a proteção ecológica em todos estudou as áreas prioritárias para conservação em todo o estado. Ele serve para implementar unidades de conservação já existentes e que, na prática, ainda não saíram do papel, além de criar uma Central de Monitoramento Ambiental.
A criação e regulamentação da lei do ICMS Ecológico no Estado do Rio de Janeiro também contou com o apoio dos membros do The Nature Conservancy. Ele é um incentivo repassado aos municípios que possuem unidades de conservação para gerar uma espécie de compensação já que o trabalho é realizado em determinada região, mas presta serviços ambientais para todo o planeta. Só no Brasil já são onze os estados cadastrados no ICMS-E (de ecológico, é claro).
Para finalizar, mas não menos importante, estão os esforços contra as mudanças climáticas promovidos pela TNC. Com o apoio da Conservação Internacional, Instituto BioAtlântica, Instituto Cidade, Cooplantar e o grupo Ambiental Natureza Bela, teve início um projeto de seqUestro de carbono a partir do plantio de mudas nativas. O trabalho é realizado no sul da bahia, na bacia do rio caraíva. “Os primeiros créditos serão usados pela Kraft Food Co. Para neutralizar as emissões de uma regata internacional entre França e Brasil (Slvador, BA)”, diz um trecho do documento.
Creche Tio Beto faz aniversário
Publicado em 28/08/2008
O último dia 15 de agosto foi muito especial para um grupo de meninos e meninas que moram na região de Pedra de Guaratiba, no Rio de Janeiro. Explica-se: eles são alunos da Creche do Tio Beto, projeto apoiado pela Thalamus que que fornece oportunidades de desenvolvimento para crianças que vivem em áreas de conflito social e comunidades de baixa renda. A instituição de ensino, naquela data, celebrou seus 13 anos de vida e muito auxílio a quem realmente precisa.
Como o dia era muito importante, foi organizada uma bonita festa na sede da creche. Estavam presentes, é claro, funcionários do projeto e também do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais, responsáveis pela criação e gestão do trabalho. Além deles, a pequena escola também recebeu os parabéns da Cruzada do Menor, ong à qual o Tio Beto está vinculado. O aniversário foi aproveitado por diversos colaboradores, os pequenos alunos, seus familiares e parceiros da creche. Além disso, equipes de outras unidades da Cruzada do Menor também fizeram questão de curtir este momento mais do que especial, já que são muitos anos de luta e dedicação ao Terceiro Setor de todo o time envolvido.
Como já é característica dos eventos realizados na creche, a festa foi temática. Desta vez, o mote escolhido foram os contos de Monteiro Lobato, um dos maiores autores de histórias infantis que o Brasil já teve. Para completar a festança, um delicioso almoço foi servido para os presentes, que ainda puderam se divertir com inúmeras homenagens e apresentações das crianças umas mais bela do que a outra. Depois, como não poderia deixar de ser, foi cantado um parabéns com direito a bolo e velas de aniversário.
Um dos momentos mais emocionantes do dia aconteceu quando Karen dos Santos, a primeira aluna da creche e hoje com 17 anos, se juntou a Kacillene dos Santos, de 14, para fazer uma homenagem a representante do grupo fundador e mantenedor do projeto: Renata Becskowski. Ela ficou muito feliz com as palavras das duas meninas e disse ser uma honra batalhar por uma iniciativa que dá certo e enche de sorrisos os rostos de meninos e meninas sem tantas oportunidades na vida.
Antes de terminar, vale lembrar as principais funções da Creche Tio Beto. Uma delas é a creche propriamente dita, onde crianças de dois a quatro anos são educados através de uma pedagogia transformadora, capaz de adequá-los ao ensino público tradicional. Fora isso, há também o projeto complementar para jovens de quatro a seis anos, com atividades educativas, culturais e recreativas. Eles podem, deste modo, desenvolver seus sensos motor e afetivo de uma só vez.
Entre os principais parceiros do projeto estão a Prefeitura do Rio de Janeiro, o Shopping Nova América, a Ipiranga e, sem dúvida, a Thalamus. Por isso, não perca tempo: ligue para a Creche Tio Beto, conheça seus projetos e necessidades e contribua para que o trabalho permaneça por longo tempo. A chance é ótima, a iniciativa é muito séria e os resultados são excelentes.
A água nos jornais
Publicado em 15/08/2008
Há alguns verões, eram raros os casos em que uma matéria sobre meio ambiente ganhava lugar de destaque nos principais veículos impressos de comunicação no Brasil. A época mais efervescente aconteceu logo depois da Rio-92, época em que os principais líderes políticos e da sociedade civil de centenas de países se encontraram na Cidade Maravilhosa para conversar sobre a crise climática. Mas, pouco tempo depois, o trabalho dos repórteres voltou a cair na velha linha editorial e a natureza ficou novamente relegada a segundo plano.
Há poucos anos, porém, um grupo chamado de Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), apareceu com estudos realizados por mais de dois mil cientistas espalhados pelo mundo para mostrar que os impactos do aquecimento global não recairiam sobre o planeta; mas, sim, sobre a raça humana. Junto com eles, celebridades, políticos e ongs ganharam maior visibilidade sob o ponto de vista ecológico, e o tema voltou a crescer nas redações dos jornais. Mas ainda está longe do ideal. Para entender um pouco do processo, preparamos dois textos com a quantidade de matérias que saíram nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo sobre dois assuntos: Água e Clima. As datas variam de 1 de janeiro de 2005 a 10 de novembro de 2006, quando o último levantamento foi realizado.
O Globo: 17 documentos.
Dentre estes documentos, se destaca uma interessante matéria de Luciana Casemiro, publicada no jornal O Globo do dia 22 de Maio de 2005. Nesta reportagem, Luciana relata o elevado custo das contas de água que alguns condomínios cobram por cada morador. Um pequeno trecho segue logo abaixo:
As campanhas para redução do consumo de água estão abrindo os olhos dos condomínios para uma questão controvertida: a cobrança de tarifa mínima pelas concessionárias. É que muitos prédios começaram a perceber que, apesar dos consertos de vazamentos e dos esforços que fazem para consumir menos, não conseguem diminuir a conta. Aí prestaram atenção em como é calculada a taxa: a cobrança pressupõe que cada apartamento usa mensalmente pelo menos 15 metros cúbicos de água (ou seja, 15 mil litros) e as unidades comerciais, 20 metros cúbicos. Mesmo quando o consumo é muito inferior a isso. (In: O Globo, 22/05/05. Webjornal.net Monitor Setorial).
Isto significa que a cobrança poderá ir além do que cada um consumiu individualmente, algo que soa bastante diferente. Ainda assim, há a preocupação, dentre as 17 matérias analisadas, em tratar com alguma eficiência a qualidade da água e os desperdícios acumulados por cada habitante e pela sociedade em todos os seus níveis e setores. O repórter Paulo Ricardo Moreira aborda bem a questão do desperdício em sua reportagem “Tapando o ralo e sabendo usar, não vai faltar”, publicada no dia 06 de abril de 2006. Na matéria, ele fala sobre uma empresa que promove uma campanha contra o desperdício; mas a importância aqui é o tema tratado.
Folha de S. Paulo: 13 Documentos.
Dentre estes 13 documentos, o que mais se destaca é uma reportagem extraída da Folha no dia 30 de março de 2005. Nesta matéria, a principal relação acontece pois a ligação entre economia e meio ambiente se apresenta de forma clara e objetiva, a partir de uma experiência prática de economia atingida através da reutilização de água. A explicação para isso é um breve resumo da reportagem: O técnico de máquinas de lavar roupas Rubens José de Oliveira Filho tinha altos custos mensais com a conta de água porque era preciso testar todas as máquinas recém consertadas. Sua idéia, portanto, foi a de reciclar a água que havia utilizado, o que lhe possibilitou um lucro muito maior e ainda preserva um bem em escassez ao redor do mundo. Abaixo, um trecho da reportagem:
Oliveira bolou um sistema de filtros, consultou um especialista em produtos químicos e tratamento de água e, em 2003, criou o projeto Safira (Sistema de Armazenamento, Filtragem e Reaproveitamento da Água). É um kit externo com filtro e reservatório que, acoplado a uma lavadora, elimina a sujeira e o sabão da água usada na lavagem. (...) Segundo ele, uma dona de casa que lave roupas diariamente pode reduzir o consumo de 6.000 litros para 15 litros de água por mês, em média. (In: Jornal Folha de S. Paulo, 30/03/05. Webjornal.net Monitor Setorial).
O que chama a atenção, infelizmente, é o número muito reduzido de matérias, reportagens e notas sobre água publicados no decorrer destes dois anos quase inteiros. Vale lembrar, também, que estamos em pleno século 21 e aquele antigo problema precisa ser mencionado: a escassez, o desperdício e a contaminação dos recursos hídricos devem ser pautas precisas e urgentes em todas as redações, pois trata-se de um dos mais avançados riscos para a perpetuação da vida em nosso planeta.
O clima nos jornais
Publicado em 15/08/2008
Neste segundo texto, o leitor poderá entender o que saiu em dois dos maiores jornais impressos do país sobre “clima”, no mesmo período. Vale salientar que, neste tópico, entra de tudo: desde chuvas torrenciais em alguma região brasileira a perda de espécies em virtude do aquecimento global, por exemplo. Aproveite.
O Globo: 133 documentos.
Muitas destas notícias dizem respeito à previsão do tempo no Estado para os próximos dias ou a efeitos e conseqüências de calor elevado ou fortes pancadas de chuvas e temporais. Pode-se perceber, através de uma análise mais apurada destes documentos, que muitos tratam apenas dos efeitos negativos de fenômenos climáticos fora de hora, mas não apresentam claros estudos dos motivos sócio-econômicos que contribuíram para o impasse ambiental. Vale ressaltar que muitas destas matérias foram pautadas pelos recentes furacões, como o Katrina e o Rita.
Não cabe, aqui, falar especificamente de cada uma destas reportagens, notas e artigos. O que vale, de fato, é ressaltar o aspecto global deste material veiculado: primordialmente fatos que, de alguma forma, foram notícias no mundo todo, como estes fenômenos climáticos que ocasionaram os furacões ou as altas velocidades dos ventos no Rio de Janeiro. As conseqüências destes desvios climáticos são amplamente mencionadas, mas o aquecimento global que assola o planeta de forma desenfreada tem pouco destaque nas matérias veiculadas. Este assunto só é tratado quando algo acontece de imediato. Neste exemplo, o timing do noticiário pode ser percebido com maior clareza.
Segue abaixo um trecho de notícia sobre o estado de emergência na Flórida causado pela iminência da chegada do furacão Wilma, em reportagem do enviado especial José Meirelles Passos, do dia 21 de Outubro de 2005:
Embora o Wilma deva tocar a Flórida apenas no domingo, o governador Jeb Bush preferiu não esperar pelo impacto para declarar estado de emergência. Ele fez isso no início da tarde de ontem e, graças a essa iniciativa, agora tem o poder de convocar a Guarda Nacional no momento em que achar necessário. (In: O Globo, 21/10/05. Webjornal.net Monitor Setorial).
Folha de S. Paulo: 199 documentos.
Na Folha, as informações veiculadas tendem a apresentar características semelhantes àquelas do Jornal O Globo. Diversas matérias tratam dos furacões Katrina, Wilma e Rita, além do fato de que muitas apresentam apenas dados sobre previsões de temperatura e clima no Brasil e no mundo. Isto até poderia ser considerado natural; o problema, no entanto, é que as informações apresentam claros sinais de novidade, uma vez que mostram números muito distintos daqueles que vinham sendo apresentados nos anos anteriores. Segue, abaixo, um exemplo claro disto: um trecho da reportagem retirada do dia 05 de Setembro de 2006, feita pela Agência Folha, na qual é mencionado o fato de que as previsões apontavam o mês de Setembro mais frio da região Centro-Sul do Brasil nos últimos 40 anos:
O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) prevê que a mínima de -7,5C, registrada em São Joaquim (SC) em setembro de 1964, possa ser igualada neste ano. Ontem, a cidade teve -3C. A previsão é que a temperatura fique abaixo dos -5C hoje. Em Santa Catarina, Urubici (171 km da capital) teve ontem -6C. A sensação térmica chegou a 17C negativos. Nevou em vários municípios. (In: Folha de S. Paulo, 05/09/06. Webjornal.net Monitor Setorial).
Esta reportagem mostra nítidas evidências de algum distúrbio climático. Ao invés de ser utilizada uma visão holística, que abrange a todas as áreas e setores, e que levante a hipótese da busca de um 3º paradigma, no qual a sociedade teria que rever seus conceitos e valores, o jornal apenas apresenta informações sobre o declive acentuado nos índices de temperatura, sem conceituá-lo ou expor suas causas anteriores. Não é possível perceber até que ponto há falta de interesse ou falta de informação: fato é, no entanto, que há um grave equívoco na abordagem escolhida pelas reportagens.
Escolas Sem Fronteiras
Publicado em 08/08/2008
Há sete anos, um grupo de pessoas no Canadá começava a mudar o mundo por conta própria. Apesar da impossibilidade de fazer uma revolução nos quatro cantos do planeta, a idéia de ajudar ao próximo o tanto quanto suas mãos permitissem já fazia a cabeça e os sonhos da turma. Teve início, assim, o Schools Without Borders (Escolas Sem Fronteiras, na tradução para o português).
Entidade sem fins lucrativos, a SWB tem como objetivo principal oferecer uma educação alternativa para os jovens de classe baixa. Além do Canadá, Quênia e Brasil têm projetos fixos do grupo em favelas. Mas não é só: Nepal, Índia e Tailândia também recebem uma força da equipe, com auxílio para iniciativas locais.
Os principais objetivos da ong são descritos no próprio site, e mostram claramente qual a expectativa do seu quadro de funcionários:
- Criar espaços saudáveis para que os jovens desenvolvam suas habilidades, experiências e confiança;
- Guiar os jovens para transformar o idealismo em ações responsáveis;
- Construir uma rede comunitária duradoura que permita aos jovens aprender uns com os outros a partir da troca de cultura e experiências.
A principal missão do SWB é encontrar e auxiliar líderes nas comunidades carentes para torná-los responsáveis e engajados no desenvolvimento da sociedade. No Brasil, a ong atua em parceria com o Instituto Brasileiro Inovação em Saúde Social (IBISS) há cinco anos. De acordo com Andrew Lenz, coordenador do Escolas Sem Fronteiras no Brasil, a idéia não foi partir do zero, mas sim ajudar propostas já existentes.
- Na comunidade de Vila Aliança, que fica em Bangu, por exemplo, o IBISS já oferecia aulas de percussão. Nós entramos no projeto e passamos a dar aulas de fotografias para os jovens de lá. Nós melhoramos iniciativas que já funcionavam, diz.
Lenz explica que o trabalho é realizado a partir de sistemas de ensino fora do padrão, com muita mídia (como vídeos, por exemplo). Neste momento, estão lutando para trazer um centro de capacitação profissionalizante em áudio visual para o Rio de Janeiro. As aulas devem acontecer no Jardim América. Um dos lemas da SWB é acreditar que as jovens lideranças têm condições de gerar profundas melhorias em suas comunidades e, como conseqüência, em todo o mundo. O acesso à educação, sem dúvida, é uma fundamental ferramenta para isso.
Uma das ferramentas usadas pela ong para alcançar suas metas é o intercâmbio entre jovens dos diferentes países. No último mês de junho, seis jovens lideranças de locais carentes no Canadá passaram duas semanas no Brasil morando nas casas de famílias que fazem parte do projeto. Foi uma experiência ótima para todos, com muitas atividades e o conhecimento de uma nova cultura e realidade.
No final de agosto, será a vez dos representantes brasileiros tomarem o avião rumo ao Canadá, para ver de perto como é a vida de seus novos amigos. Pessoas que nunca teriam a oportunidade de sair do país podem, enfim, enxergar com os próprios olhos a diferença entre os povos. E, por que não, também suas semelhanças. A Thalamus apóia o Schools Without Borders no Brasil e, em breve, terá um espaço no site para a divulgação deste belo trabalho.
Filha de colaborador da Thalamus distribui Manual do Síndico
Publicado em 24/07/2008
Em uma época de notícias desencontradas sobre a vida útil do Aterro de Gramacho (RJ) e dos prós e contras acerca da construção de um novo espaço para a destinação do lixo do estado fluminense em Paciência, a Thalamus tenta fazer a sua parte. Na verdade, o Zeko é o responsável por chamar a atenção para o consumo sustentável e as oportunidades de reciclagem daqueles resíduos que acumulamos diariamente em nossas casas. E olha que eles não são poucos!
Com a certeza de que podemos mudar a atitude de algumas pessoas que moram próximos de nós, o Zeko decidiu colocar em seu site um manual voltado para os síndicos dos prédios seja no Rio de Janeiro ou em qualquer cidade do Brasil. A partir de agora, não há mais desculpas para não implantar a coleta seletiva do lixo nos prédios ou condomínios. É muito fácil e basta seguir as dicas do personagem camarada, que são da maior qualidade. Por exemplo: não precisa separar o plástico do vidro e o vidro do metal. Esse é um trabalho extra, para quem tem disposição. Mas colocar em recipientes diferentes o “lixo seco” (como os materiais citados anteriormente) e o “lixo molhado” (como restos de comida), já faz toda a diferença para a natureza.
Com este simples gesto, é possível economizar os recursos naturais finitos do planeta, já que um produto consumido pode voltar à linha de produção a partir da reciclagem (usando os mesmos recursos há tempos retirados do solo) e ainda reduzir o impacto no lençol freático e no aquecimento global uma vez que a quantidade de resíduos sólidos acumulados nos aterros diminui consideravelmente.
Além do Manual do Síndico, o Zeko também produziu uma carta para os moradores, com um passo-a-passo de como cada apartamento pode fazer a sua própria separação do lixo. Ou seja, é um esforço ainda maior para adequar o prédio inteiro a um sistema de coleta seletiva dos resíduos. É um avanço muito grande e um bem enorme para a natureza.
Depois de serem citados esses enormes benefícios, é com orgulho que contamos aos leitores e parceiros que a Beatrice, filha do nosso colaborador Hugo Moss, se juntou à amiga e vizinha, Martina Davidson, em uma iniciativa muito bacana: elas distribuíram recentemente quase 30 exemplares do Manual do Síndico para os prédios de sua rua, a Nascimento Silva, em Ipanema(RJ).
As moças são amigas do Zeko há anos, desde que fizeram uma campanha na escola com seu primeiro Folder da Água (que também pode ser acessado no site do personagem). Não custa lembrar que este guia completo sobre como implantar um sistema de separação do lixo pode ser facilmente baixado aqui.
Aluna da Favela Education cursa inglês
Publicado em 24/07/2008
Em 1992, o Rio de Janeiro sediou o maior encontro entre líderes políticos globais de sua história. Na lembrança da população, ruas tomadas por um sentimento patriótico e de que algo mudaria no cenário mundial. Os papos e conversas nas escolas, universidades, rodas de amigos e nos veículos de comunicação girava em torno de um só tema: as possibilidades de mudanças para um desenvolvimento sustentável, calcado em responsabilidades sociais e ambientais. O crescimento econômico dos países passava a ser vinculado a outros dois pilares de fundamental importância, e assim continuaria. Pelo menos era essa a intenção.
O tempo passou e, sem dúvida, muitas das promessas na época assinadas ou faladas não foram cumpridas; o meio ambiente sofre o pior estágio de sua crise, com previsões cada vez mais ultrajantes e cientificamente comprovadas, e a sociedade se depara com níveis de pobreza e fome simplesmente alarmantes. Não é difícil encontrar o que deu errado em um evento histórico, que alçou a Cidade Maravilhosa ao topo do mundo durante algumas semanas.
Mas, para além das tristezas, há o que comemorar 16 anos depois. Um dos projetos que tiveram o embrião na Eco-92 e que, hoje, estão plenamente estabelecidos no Terceiro Setor é a Favela Education. A história da Ong é curiosa: o escultor Thomas Schönaeur e o especialista em comunicação Dr. Rainer Zimmermann eram dois membros da delegação alemã no país durante o encontro. Nos intervalos das palestras, eles decidiram visitar algumas favelas do Rio de Janeiro principalmente a Tavares Bastos, situada no bairro do Catete.
Na volta para a Alemanhã, não houve dúvidas: os dois se juntaram a cinco amigos e criaram a Favela Education, responsável por injetar recursos financeitos para ajudar na formação de jovens cariocas de baixa renda. Eles apóiam as crianças nos estudos, compram o material didático e fornecem uma cesta básica mensal para a família. Até hoje, nove jovens já foram atendidos pelo programa.
Para tanto, um acompanhamernto constante do desenvolvimento de cada menino ou menina integrante do projeto é realizado in loco por Eduardo Boaventura, diretor-representante da ong no Brasil. A cada mês, ele envia um relatório para a cidade de Dusseldorf, na Alemanha, para deixar a diretoria informada sobre tudo o que ocorre por aqui.
Um dos casos mais emblemáticos da Favela Education atende pelo nome de Caroline da Silva Gomes, hoje com 24 anos e que começou a receber o incentivo da organização em 1995, há exatas treze temporadas. Ela faz natação três vezes por semana e estuda contabilidade na Universidade Federal do Rio de Janeiro, uma das mais importantes do Brasil. Ela também já faz estágio dentro da própria faculdade.
Há alguns meses, a Thalamus recebeu uma oferta do curso de inglês Acemakers, localizado na rua Buenos Aires, no Centro da Cidade: ele oferecia uma bolsa parcial de estudos para algum membro da Associação, ou outra pessoa indicada. O colaborador Hugo Moss não pensou duas vezes. Ofereceu a oportunidade para a ong Favela Education, que escolheu Caroline para as aulas, por sua extrema dedicação. Ela está adorando aprender uma nova língua, como mostram as fotos, e já faz alguns planos para o futuro: os membros do projeto na Alemanha já planejam levá-la para fazer uma pós-graduação no exterior. Para isso, o inglês será fundamental.
Mundo alternativo
Publicado em 17/07/2008
A cada três meses, a reconhecida organização Greenpeace publica uma revista que apresenta reportagens, entrevistas e artigos sobre os temas mais quentes do momento. Em sua última edição, que contemplou o período entre abril e junho, a sua capa fala sobre um projeto de lei do senador Flexa Ribeiro (PSDB) que tramita no Congresso Nacional. O seu texto pede que a área a ser protegida obrigatoriamente na Amazônia caia de 80% para 50% em cada propriedade. Ora, se hoje, com a conservação assegurada pela Constituição Nacional, 17% da maior floresta tropical do mundo já estão no chão, é no mínimo perigoso propor a redução de árvores teoricamente intocadas.
Mas, neste artigo, a intenção não é tratar deste assunto, muito embora mereça a maior das atenções sua importância é tanta que, a bem da verdade, os grandes veículos de comunicação cobrem o tema com certo gabarito. O objetivo, portanto, é lembrar aos leitores e parceiros da Thalamus sobre algo que, nos últimos tempos, perdeu um pouco em espaço na mídia, mas ganhou em ações e pesquisas feitos pelo Greenpeace: a falta de vontade política em gerar fontes renováveis de energia.
A análise, em última instância, tem início nos primeiros meses deste ano, como lembra a revista organização internacional. Na época, pouco choveu em território tupiniquim, o que causou pânico entre políticos e membros do governo. O temor era a iminência de um novo apagão elétrico, nos moldes daquele de 2001, em virtude do baixo estoque de água nos reservatórios das hidrelétricas (responsável por 90% da cadeia brasileira de energia). Em vez de usar este período nebulosos para, enfim, investir em alternativas limpas, viáveis e renováveis, o governo decidiu caminhar para o lado oposto da crise ambiental usou a energia termoelétrica movida a gás, óleo e carvão, fontes extremamente poluentes, para impedir maiores problemas.
O grande ponto, no entanto, parece ter passado despercebido: uma imbróglio foi resolvido e, em seu lugar, um ainda maior foi instaurado: uma ajuda extra para o já fortalecido aquecimento global. Coberta de razão, a publicação trimestral do Greenpeace lembra que Brasília está perdendo uma excelente chance de injetar recursos financeiros em fontes como a energia eólica e a biomassa. Segundo Ricardo Baitelo, da camapnha de energias renováveis da ong, seria interessante pensar em pequenas centrais hidrelétricas e usinas de biomassa, por exemplo. Sua opinião é ilustrada com uma entrevista na reportagem aqui analisada.
Como se não bastasse, investir em termoelétricas e negligenciar as alternativas limpas e infinitas significa andar na contramão daquilo que o mundo inteiro entende como certo. Na última década, por exemplo, a taxa de crescimento anual das energias renováveis fechou em uma média de 30%. Isso é muito, e o Brasil tem extenso potencial para seguir este padrão e até fazê-lo emergir. Explica-se: de acordo com o relatório “(R)Evolução Energética”, desenvolvido pelo Greenpeace, se o Brasil usar seus recursos corretamente, pode chegar a 2050 com 88% de sua matriz energética comandada por energias alternativas contando as hidrelétricas.
É preciso seguir o exemplo de quem já anda com suas próprias pernas. A Alemanha, um dos países que mais combatem as mudanças climáticas, tem 10% de sua matriz energética total abastecida com energia oriunda de fontes limpas. E a tendência é aumentar, assim como a China, que pretende multiplicar em dez vezes o uso de alternativas dentro de apenas sete anos. Um passo largo, mas com amplo potencial para ser alcançado. Há muito o que fazer. Para isso, no entanto, é preciso correr atrás do prejuízo.
O Brasil, mais uma vez, desperdiça um potencial lhe fornecido pela natureza e que, de uma forma ou outra, poderia lhe ajudar no combate ao aquecimento global. Em seu lugar, usa fontes sujas e poluentes para ligar a luz do país mais uma derrota na eterna queda de braço política que toma conta não apenas da capital federal, mas também dos palácios de governo estaduais.
Táxis sem motor
Publicado em 17/07/2008
Sucesso na Europa, os eco-táxis já estão prontos para chegar ao Brasil. Nesta quinta-feira, dia 17, os veículos movidos à propulsão humana desembarcaram em Volta Redonda, no Rio de Janeiro, para celebrar os 54 anos da cidade do aço. Na ocasião, a secretaria de Transportes do estado vai lançar o programa Pedala VR, com o objetivo de estimular o uso das magrelas entre os habitantes. Além de colaborar para a saúde dos usuários, também ajuda no bem-estar do planeta, já que reduz consideravelmente as emissões de gases estufa na atmosfera.
De acordo com release enviado pela subsecretaria de comunicação do governo fluminense, o secretário de Transportes, Julio Lopes, crê no sucesso da empreitada - em especial nas cidades do interior, caracterizadas por distâncias curtas. Aliás, duas pessoas podem ser transportadas nos eco-táxis por um motorista, ideal para casais mesmo famílias divididas em alguns veículos.
Apesar do lançamento desta nova tendência acontecer em um município um tanto distante da capital, há motivos para os cariocas comemorarem. E eles não ficam apenas na certeza de que o acúmulo de gases estufa responsáveis pelo aquecimento global será reduzido; em breve, também poderão usufruir da novidade. Pelo menos é o que pensa Lopes. “Acho que esse tipo de transporte seria super bem-vindo na orla do Rio e no Caminho Niemeyer, em Niterói. Agora que os primeiros modelos chegaram, vamos apresentá-los para as prefeituras”, disse.
Mas isso ainda deve demorar um pouco. Afinal, apenas quatro exemplares dos eco-táxis já pisaram em terras nacionais, e todas foram diretamente levados à Volta Redonda. Inicialmente, os moradores poderão percorrer os 35 quilômetros de ciclovia que estão sendo construídos na cidade. Trata-se de um caminho considerável, que pode levar diversas pessoas diferentes a muitos lugares com calma, segurança e conforto.
Ao todo, são 29 as cidades do velho Continente que já estão à frente no tempo e utilizam seus eco-táxis com qualidade, como Paris, Barcelona, Atenas, Amsterdã, Roma e Berlim, além de Tóquio e Hiroshima, para citar alguns. Incorporar esta rotina à cidade do Rio de Janeiro poderia, inclusive, incentivar o turismo, já que passear de táxi movido à pedal nas orlas da capital fluminense seria extremamente agradável.
A escolha de Volta Redonda para receber os triciclos não foi exatamente uma novidade para ninguém. Além de completar seus 54 anos e merecer uma comemoração à altura, símbolo do local é um homem indo ao trabalho de bicicleta. Isso mostra que a cultura de seus habitantes em relação às magrelas já é bem consolidada.
Idéias verdes II
Publicado em 11/07/2008
Um dos maiores jornalistas do país, e grande personalidade do jornalismo ambiental, Washington Novaes lembra o grande desafio de abordar com maior regularidade matérias acerca da chamada crise ambiental. Segundo o jornalista, não é simples tratar de problemas como este, uma vez que eles ameaçam diversas classes: políticos, porque precisariam modificar suas formas de governo; empresários, porque temem a perda de seus rendimentos a partir do corte de gastos e ações; comunicadores, porque enfrentarão problemas com seus anunciantes, além dos governantes e dos empresários; jornalistas, pois mudaria em completo sua visão acerca da estrutura jornalística e, finalmente, para os cidadãos, que ‘se sentem impotentes diante de tudo isso’- suas próprias palavras.
É, sobretudo, a partir do ponto de vista social, que se deve pensar esta conclusão. O acúmulo de práticas insustentáveis de cada cidadão é notório, assim como a falta de acesso a informações que poderiam tornar menor este número. É impressionante a percepção de que, aproximadamente, 50% dos trajetos percorridos por automóveis de passeio são feitos entre distâncias de até 5 km, perfeitos para caminhar ou para o uso de outros transportes sustentáveis.
São inúmeros os exemplos de outras simples mudanças que poderiam fazer enormes diferenças, se um grande número de pessoas adquirissem subsídios para tanto apenas possíveis se houver as informações necessárias, como lembra Adalberto Marcondes, editor-chefe do site Envolverde. Segundo Hélio Mattar, Presidente do Instituto Akatu de Consumo Consciente, 9 minutos diários de queda das Cataratas de Iguaçu seriam economizados caso as 17 milhões de pessoas da Grande São Paulo fechassem suas torneiras na hora que escovassem os dentes. Este é um típico exemplo de como um simples ato, se aceito por muitas pessoas, é capaz de promover grandes transformações. E, como este, há outros.
A importância de que as emissões de gases estufa sejam reduzidas é uma das principais preocupações mundiais, segundo Washington Novaes. A mudança nas matrizes energéticas, hoje compostas pelos combustíveis fósseis, carvão mineral e gás natural, não é muito bem aceita pelos Estados Unidos, que acredita perder grande potencial de sua economia caso isto aconteça. Além dos EUA, a Austrália e os principais países exportadores de petróleo também não vêem com bons olhos tamanha reestruturação na base de suas economias.
Esta mudança, no entanto, encontra algumas outras dificuldades, de acordo com Washington Novaes. Os Estados Unidos apostam em novas tecnologias que vêm sendo desenvolvidas para o seqüestro de carbono, opção que os especialistas do Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC) acreditam ser viável tecnicamente; mas terão que responder a exigências legais de hidrologia, geologia e etc. Existem também as energias alternativas, como biomassa, eólica, solar, das marés e hidrogênio. A grande questão que se impõe para estas energias é que ainda não é feita a contagem dos gastos com petróleo, carvão mineral e gás natural, o que contribui para o argumento, ainda sem fundamento, de que estas alternativas seriam mais caras que as energias tradicionais.
A verdade é que a população é despreparada para lidar com a crise ambiental e para perceber suas ações insustentáveis e as perspectivas de soluções. Talvez, este seja um ciclo importante que deva ser pensado: segundo o físico e ambientalista Fritjof Capra, vivemos em uma rede de interdependência, a teia da vida, na qual todos os elementos da Terra estão interligados e são pré-requisitos para o bom funcionamento do planeta.
A partir desta afirmativa, pode-se pensar em uma idéia interessante. O impasse ambiental, dia após dia, apresenta contornos mais nítidos de sua existência; cabe a mídia veicular estas informações, apresentar suas causas e conseqüências para o futuro da humanidade, e apontar soluções e caminhos para as mudanças. Apenas desta forma a população mundial irá se deparar com a realidade urgente e galopante de crise e mudará não apenas seus costumes, mas também as cobranças de transformações em todos os setores da sociedade.
Idéias verdes I
Publicado em 11/07/2008
O impasse ambiental está aí. As mudanças climáticas, o descaso com a infra-estrutura da destinação e da coleta dos resíduos sólidos, o desmatamento, o abuso na utilização dos recursos naturais finitos do planeta, o consumismo desenfreado calcado nas bases sólidas do capitalismo, a necessidade urgente de mudanças das matrizes energéticas. Todas estas informações, no entanto, ainda não encontraram veículos suficientes para serem divulgadas, nem muitos jornalistas com potencial para tratar desta questão com capacidades técnicas e científicas ligadas ao desafio prático de transmití-las para um grande público de leitores e ouvintes.
São extensas as possíveis mudanças. Lester Brown afirma que elas estarão em todos os setores da sociedade. De acordo com suas palavras, no livro eco-economia: “carros e ônibus serão movidos por motores de células de combustível, alimentados por eletricidade gerada através de um processo eletroquímico que utiliza hidrogênio como combustível, em vez de motores de combustão interna. Com células de combustíveis movidas a hidrogênio, não existirá o CO2, perturbador do clima, nem poluentes nocivos à saúde” Percebem-se, portanto, novos horizontes: uma economia baseada no hidrogênio, e não mais no carbono, como o é nos dias atuais.
Além disso, a essência dos três erres da produção deve ser preservada, em sua ordem estabelecida. Em primeiro lugar, há a redução. Reduz-se a quantidade dos materiais comercializados, a partir do consumo consciente exclui-se ao máximo os supérfluos -, o que preserva uma maior quantidade de recursos naturais que não serão retirados do planeta sem fundamentos práticos. Logo após, deve-se pensar na reutilização. Neste processo, reutiliza-se tudo o que for possível, para que se elimine uma grande quantidade de lixo que poderia, na verdade, ser uma solução. E, necessariamente por último, aparece a reciclagem, etapa necessária para que alguns objetos já usados possam voltar às etapas de produção. Tem fim a economia do descarte e surge um novo modelo de produção/ armazenamento.
Todos estes fatores acima relacionados, no entanto, não possuem qualquer fundamento prático caso não haja um interesse extenso da mídia em conhecer com maior discernimento sobre a crise ambiental, suas causas, conseqüências e soluções, e em disponibilizar espaços atraentes nos mais diversos veículos de comunicação para as notícias do tema incorporadas à visão holística necessária. Há, porém, um fator de fundamental importância que atesta a credibilidade e importância da mídia para que se chegue ao menos próximo das soluções: é muito possível que apenas ela, em seus grandes jornais e veículos de comunicação, possa informar dentro do tempo necessário sobre o impasse ambiental vigente.
É possível dizer, sem medo de errar, que a população mundial tendo em vista que o despreparo jornalístico não acontece apenas no Brasil não recebe as notícias necessárias para comprovar a urgente necessidade de promover mudanças drásticas em seus estilos de vida, além de exigir reformas estruturais na economia e na política de seus governantes. Apenas assim, será possível que ainda haja tempo para que o planeta não sucumba ao entrave da insustentabilidade, causado, em grande parte, pelas ações antrópicas provenientes da estrutura econômica e social calcada em sólidas bases de combustíveis fósseis e lucro a todo custo.
Cruzada do Menor faz 88 anos
Publicado em 04/07/2008
Quando se pensa no dia 1º de julho, a primeira imagem que vem à cabeça é a de que exatamente metade do ano já se foi, e falta apenas a outra para completar o enredo. Mas outros acontecimentos que marcaram a história também são lembrados por uns e outros. Nesta lista, tem a independência da Somália, em 1960; a chegada do primeiro walkman ao Brasil, trazido pela Sony, em 1979; o Real assumia o papel do Cruzeiro Real e se tornava a moeda oficial do país em 1994; o comando de Hong kong foi entregue à China pelo Reino Unido, 1997; e, uma memória nada agradável para a pátria tupiniquim, o Brasil saía da Copa do Mundo de futebol de 2006 com uma derrota acachapante por 1 a 0 para a eterna rival França.
Mas não é só de passado que vive a data responsável por cortar a temporada ao meio ela também celebra, com a mesma importância das outras, o aniversário da Cruzada do Menor, projeto que reúne algumas creches para menores carentes, como a Tio Beto. Em 2008, o espaço completou incríveis 88 anos, com muita estrada para lembrar e outra ainda mais longa a percorrer no combate contra a desigualdade no Brasil.
Com a simplicidade de um projeto que construiu sua sólida base em pilares como solidariedade, assistência social, alegria e educação, a Cruzada do Menor postou em seu site um agradecimento especial a todos os seus parceiros, doadores, voluntários, amigos e colaboradores que, durante este período, de alguma forma ajudaram a manter a instituição de pé.
É com extremo orgulho que a Thalamus se sente também homenageada, já que apóia a Creche Tio Beto, um dos importantes braços da Cruzada. Criada e mantida pelo Núcleo de Responsabilidade Social do grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais, a pequena instituição de ensino atende a crianças em risco social da comunidade de Pedra de Guaratiba, um dos bairros mais pobres da cidade do Rio de Janeiro.
Com isso, meninos e meninas que não poderiam sonhar com mudanças em suas vidas, ganham novas perspectivas e passam a integrar a sociedade. Através de métodos de aprendizagens modernos, com incentivo ao desenvolvimento psico-motor, os jovens que freqüentam a Tio Beto são inseridos no sistema de ensino público, preparados para os desafios que terão pela frente.
O mais incrível, no entanto, é que a Cruzada do Menor reúne sob suas diretrizes outras atividades sociais de suma importância para diversos bairros. Ela atua, por exemplo, em diferentes localidades da capital fluminense e também no município de Petrópolis. Ao todo, são cinco creches, dois grandes programas para adolescentes e dois projetos de convivência dirigidos para idosos. Com isso, todas as faixas etárias são contempladas pelo sério e competente trabalho desenvolvido pelos profissionais envolvidos com a cruzada.
No site, há link para todos os projetos, com explicações sobre cada um, o número total de pessoas assistidas, a localização e outras curiosidades interessantes. Na página destinada a Creche Tio Beto, por exemplo, há tabelas que mostram o número de crianças atendidas no local nos últimos seis anos e a evolução durante o mesmo período. É mais do que gratificante fazer parte deste time. Parabéns, Cruzada do menor.
Novo curso no Rio Carioca
Publicado em 04/07/2008
Na última semana, a Thalamus escreveu uma reportagem sobre o Movimento Rio Carioca, sua história e valores. Para coroar esta explicação, nada mais justo do que divulgar o próximo de seus cursos, a ser realizado entre os dias 16 e 18 de julho, sempre das 18 às 22hs. Desta vez, o título da oficina é “Metodologias participativas” - como o nome já diz, ela falará sobre a importância dos trabalhos participativos a partir da redemocratização do Brasil, o que abriu ampla gama de discussão e, em conseqüência, gerou maior consistência para projetos sociais.
Em resumo, o curso pretende abordar alguns pontos com maior ênfase. Entre eles, destacam-se: descobrir os instrumentos que ajudam na reflexão do grupo e em alguns diagnósticos e, principalmente, estudar os enfoques participativos na relação direta com a população. Faz sentido: a Lei Orgânica de Assistência Social (Laos), contida na Constituição federal de 1988, atribui grande vigor à influência social em diversos projetos, desde o princípio do diagnóstico de demanda.
O programa do curso, já fechado, mostra basicamente o que o curso pretende abordar com o auxílio de aulas expositivas, debates, estudos de caso e uma reflexão atualizada. Afinal, é necessário dialogar com os três pilares das metodologias participativas: o diagnóstico, a elaboração e a gestão de projetos sociais. Trata-se de uma oportunidade incrível para as pessoas interessadas em atuar no Terceiro Setor, de forma efetiva ou periódica. De acordo com a própria ong que oferece a oficina, a sua ordem será composta por:
1- O conceito da participação
2- Os diferentes níveis de participação
3- O desenvolvimento de um processo participativo
4- Algumas metodologias participativas
5- O papel do moderador
6- O manejo de conflitos
Para alcançar a excelência de ensino, o Movimento Rio Carioca convidou uma especialista no assunto. O nome da professora é mais um convite aos interessados, já que há muito o que aprender com ela: Maria Cristina Salomão. Mestre em serviço social pela PUC-Rio, Salomão é professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Veiga de Almeida. Além disso, é Coordenadora Geral de Extensão desta última faculdade, e assessora de inúmeros projetos sociais.
Em 12 horas de aulas, dirigentes, coordenadores, assistentes sociais, supervisores, voluntários de entidades sem fins lucrativos, estudantes e outros possíveis interessados terão o privilégio de aprender muito sobre o mercado. Desta forma, ganha-se um bom diferencial no momento de gerir equipes ou participar de alguma atividade dentro do trabalho. Vale lembrar que o curso tem um investimento de 200 reais, pode ser pago até o dia 8 de julho e será realizado na Avenida Rio Branco, 257, sala 611. É na esquina com Santa Luzia, logo ali na Cinelândia.
É bom dizer que instituições recebem 10% de desconto na inscrição. Caso três ou mais funcionários de um mesmo local decidem participar da oficina lecionada por Maria Cristina Salomão, o desconto sobe para 15%. Esse investimento já vem com material didático e certificado de presença. Algo interessante para o currículo.
Caso deseje maiores informações, fique à vontade para ligar nos números 21. 3285-0184 ou 2220-9133 de segunda a sexta-feira, das 10 às 17hs. Pode também entrar no site do Movimento Rio Carioca ou enviar um e-mail para cursos@movimentoriocarioca.org.br. Mas não se esqueça: se escolher pela última opção, informe seu nome, endereço, telefone de contato, e-mail, entidade onde atua e o endereço da mesma. Também diga como conheceu o curso. As vagas são limitadas. Aproveite.
Arraia na Creche Tio Beto
Publicado em 04/07/2008
A época é mesmo de festa junina. Em todo o país, incontáveis celebrações do dia de São João fazem a alegria dos cidadãos espalhados por capitais, grandes metrópoles e pequenos municípios. Nestas ocasiões, a tradição fala mais alto e é comum topar em alguma esquina com alguém fantasiado de quadriculado, bigode desenhado e caixa de fósforo no lugar da gravata.
Tudo isso, é claro, regado por comidas típicas e brincadeiras para lá de divertidas, como as barracas da pesca e do beijo. Basta pegar uma fichinha e pronto: a diversão está garantida. Além disso, a quadrilha também é fundamental, com o casamento de mentira e as coreografias ensaiadas entre elas, destacam-se o caracol e o cumprimento entre as damas e os cavalheiros.
Apesar da festa junina ser também muito bem vista em diversas regiões da Europa ela, aliás, teve sua origem no Velho Continente, como a Thalamus já contou aos leitores e parceiros a brasileira tem um sabor especial. Primeiro porque adequou a celebração à cultura nacional, com peculiaridades que só existem por estas bandas. E, para completar, há também o frio característico do inverno no hemisfério sul, bom para dançar acompanhado e vestir uma roupa mais quente e elaborada.
Como já é costume, a Creche Tio Beto, criada e gerida pelo Núcleo de Responsabilidade Social do grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais, também montou o seu animado arraia. Sempre com a presença das crianças alunas da instituição de ensino, seus familiares e todos os funcionários, a festa recebeu uma visita ilustre: Renata Beckskowski, diretora da empresa que cuida do projeto social situado em Pedra de Guaratiba.
Mas não foi só. Este ano, mais uma novidade foi guardada para a festa: a organização da Barraca do Amor, que vendeu muitas maçãs doadas pelas famílias dos alunos da Creche. O seu sucesso foi estrondoso. Aliás, o de toda a festa, que superou as expectativas da comissão com a multiplicação do projeto Prazer em Ler. Inesquecível.
Recital beneficente Pablo Lapidusas
Publicado em 27/06/2008
Para quem gosta de apreciar uma excelente música e, de quebra, ajudar projetos sociais bem administrados, aí vai uma dica: na próxima segunda-feira, dia 30 de junho, o pianista Pablo Lapidusas faz um recital beneficente na Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, na Praia do Flamengo, Rio de Janeiro. O músico não cobrou cachê.
O evento, que acontece às 19 horas, tem apoio da Thalamus e terá sua renda revestida para a Creche Tio Beto e Obra de Missão Social Jardim Vovó Carmen, projetos apoiados pela associação e tocados com competência pelo Núcleo de Responsabilidade Social do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais.
Como todos sabem, as duas instituições de ensino são responsáveis por atender mais de 200 crianças em risco social na capital fluminense: nos bairros de Botafogo e Pedra de Guaratiba e em suas proximidades. Para continuar com o trabalho de inserir os meninos e meninas nas redes de ensino público com potencial para seguir em frente com desenvoltura, as ajudas e doações são sempre muito bem-vindas. Afinal, manter a estrutura das duas creches é uma tarefa bastante difícil.
Por isso, a Thalamus convida a todos para assistir a este belo concerto, cujos ingressos custarão 30 reais. Vale lembrar que, por esse preço, além de assistir ao espetáculo, a platéia também ganha o cd “Ouriço” do músico o mesmo que ele vai lançar no show. Depois do sucesso da série “Piano Solo”, que mesclou grandes intérpretes brasileiros consagrados no exterior com novos nomes do cenário clássico nacional em palcos paulistas e cariocas, chegou a hora deste novo recital.
O protagonista da noite, além da responsabilidade social e das crianças assistidas pela Tio Beto e OMS atende pelo nome de Pablo Lapidusas, como dito anteriormente. Nascido na Argentina, o pianista se mudou para o Brasil com a família muito cedo e adotou o país como sua terra. Foi nesta época que o também compositor e arranjador iniciou seus estudos de piano no Conservatório Municipal de Poços de caldas, em Minas Gerais.
Em 2001, ele se radicou no Rio de Janeiro e começou a tocar com diversos artistas da MPB e da música instrumental, como Sandra de Sá, Marcelo D2 e Quarteto em Cy. Neste momento, ele também se apresentava como solista. O cd Ouriço é o seu primeiro trabalho autoral. Já participou de mais de vinte festivais mundo afora. Para conhecer um pouco do concertista, visite seu site.
Revitalização do Velho Chico
Publicado em 27/06/2008
Um dos rios mais conhecidos do Brasil, o São Francisco passa por um momento crucial de sua história: o governo federal parece mesmo decidido a colocar em prática o projeto de transposição das suas águas. A justificativa oficial atende pela falta de água para as populações nordestinas que sofrem com a seca; mas, de acordo com um estudo feito pelo Instituto Terramar, organização não-governamental com sede em Fortaleza (CE), as obras serão feitas para levar este precioso recurso natural até grandes empreendimentos com inúmeros impactos ambientais. É o caso, por exemplo, da termoelétrica movida a carvão que o grupo MPX, de Eike Batista, pretende erguer na praia de Pecém, a 60 quilômetros da capital cearense.
Ao modificar o curso natural de um rio, desastres ecológicos surgirão sem pedir licença, um atrás do outro. Um exemplo disso será a perda de espécies acostumadas com o volume atual do rio, ou seja, o ecossistema será bastante afetado perdas de habitat e de alimentação são alguns dos culpados por isso. Outra crítica bem fundamentada diz respeito ao percentual da população do semi-árido nordestino que, teoricamente, iria se beneficiar da mudança: apenas 0,3%.
O rio São Francisco, também conhecido carinhosamente como Velho Chico, é enorme. Depois de nascer na Serra da Canastra, em Minas gerais, a uma altitude de 1.200 metros, o leito sobe pelo mapa, passa por Bahia, Pernambuco, faz a divisão natural entre Sergipe e Alagoas e depois deságua no oceano Atlântico. Ao todo, são 2.800 quilômetros de extensão.
Apesar de o governo insistir na estapafúrdia idéia de deslocar o fluxo original do curso d’água, há ações interessantes pela sua preservação. É o caso, por exemplo, do investimento de quase 400 mil reais em mobilização social, educação ambiental e obras para a revitalização do Velho Chico. Saído diretamente do Programa de Revitalização do São Francisco, parece que o esforço vem dando resultado.
A campanha foi de conscientização sobre o correto uso da água, e contou com a distribuição de mil cartilhas educativas, construção de 140 bacias de contenção da água da chuva e o planio de 40 mil mudas de espécies nativas em 40 nascentes diferentes. O projeto ocorreu no Córrego da Velha, no município de Luz, em Minas Gerais, e foi coordenado pela Agência Nacional de Águas (ANA). Os resultados foram apresentados nesta última sexta-feira.
O local escolhido para o programa, que está sendo feito desde 2006, não poderia ser mais apropriado. Com cerca de 17 mil habitantes, o município de Luz fica bem próximo à nascente do Velho Chico, mas convivia com o desmatamento acelerado das matas ciliares do curso d’água, processos de erosão e profundo assoreamento. Ágoras, as expectativas são outras e muita coisa já mudou para melhor.
De acordo com nota oficial divulgada pela assessoria de imprensa, o projeto foi um sucesso e trabalhou na recuperação, conservação e manejo do solo e da água. Para tanto, foi necessário convidar e mostrar a importância de professores, produtores, estudantes e companhia.
Para Herbert Cardoso, assessor da ANA e em entrevista para o mesmo comunicado, ações como essa são importantes para recuperar e preservar as nascentes, facilitar a infiltração da água e evitar os carreamentos superficiais de solo. Ao todo, 200 estudates participaram da campanha educativa. Além disso, houve oito reuniões sobre a possibilidade de mobilização social na sociedade.
Conheça o Movimento Rio Carioca
Publicado em 27/06/2008
De vez em quando, a Thalamus publica nessas mesmas páginas uma dica de algum curso promovido pelo Movimento Rio Carioca, organização situada na capital do Rio de Janeiro. Entre eles, há oficinas sobre legislação para o Terceiro Setor e indicação e monitoramento acerca da confecção de projetos. É, sem dúvida, uma excelente oportunidade para profissionais que desejam maior aperfeiçoamento em suas áreas de atuação. E o melhor: as aulas são sempre baratas e ministradas por profissionais com gabarito do mercado de trabalho.
Depois de indicar o seu trabalho para os leitores e amigos, a Thalamus decidiu escrever um pouco sobre a história do Movimento rio Carioca. Nada mais natural, uma vez que é sempre melhor conhecer o lugar que lhe oferece um curso ou algo parecido. Mas, vale lembrar, trata-se de uma associação séria e com propostas interessantes, como veremos a seguir.
Para início de conversa, a Ong surgiu a partir da Rede Social do Cosme Velho, uma associação formada por moradores, colégios, voluntários e empresários do simpático bairro da Zona Sul carioca, mais conhecido por abrigar o bondinho que leva turistas até o Cristo Redentor.
Mais curioso ainda é a origem do nome: o rio carioca é um leito que nasce na base do Corcovado, passa por Laranjeiras e Flamengo e deságua na Baía de Guanabara. Há séculos, era ele o curso d’água que abastecia a cidade e para levar suas águas até o Largo da Carioca, construíram um aqueduto. Esta obra, até hoje, é um grande símbolo da cidade, palco de cenas de cinema, de boêmios, do samba e da alma nacional: são os Arcos da Lapa.
A missão do Movimento Rio Carioca é, como diz seu site, “Promover e estimular a ética, cidadania e a solidariedade, através da atuação nas áreas de projeto, educação, cultura e meio ambiente, oferecendo capacitação, consultoria e assessoria para os diversos segmentos do terceiro setor no âmbito do território nacional”.
Os seus objetivos são inúmeros, e parece que todos estão sendo muito bem cumpridos. Entre eles, três são muito interessantes e merecem citação: promover a cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; promover ações que visem a melhoria da qualidade de vida, através de trabalho, lazer e companhia; promover o desenvolvimento sustentável e a preservação do meio ambiente.
Para conhecer as outras atribuições e sonhos da Ong, visite o site.
Bicicleta e saúde
Publicado em 27/06/2008
Ainda está para chegar o dia em que a Thalamus vai cansar de sugerir um passeio de bicicleta para os seus leitores e parceiros. Vivendo no Rio de Janeiro ou fora dele, a oportunidade de subir em uma magrela e pedalar pelas ruas de sua cidade pode se transformar em uma experiência inesquecível. Motivos para isso é que não faltam: ajuda a preservar o meio ambiente, pois evita a emissão de gases estufa emitidos pelos automóveis motorizados; permite uma contemplação maior da paisagem e um contato direto com os outros pedestres; não há qualquer trânsito; você não ficará de mal - humor.
Mas talvez o principal benefício tenha sido escrito pela organização de apoio aos meios de locomoção movidos pela propulsão humana, Transporte Ativo (TA). Reconhecida internacionalmente pelos serviços prestados em favor das bicicletas, principalmente, a TA produziu um folheto com os ganhos do ciclista em relação à saúde. Eles não são poucos.
Os argumentos usados falam sozinhos. De acordo com a entidade sem fins lucrativas, 75% das viagens feitas com carros na cidade têm distâncias iguais ou menores do que cinco quilômetros. Um verdadeiro absurdo, já que esse percurso pode facilmente ser percorrido pelas bicicletas. E o melhor: sem grandes esforços basta andar na velocidade de cruzeiro que você chegará ao seu destino sem estar suado, mesmo vivendo em um ambiente tropical, como o Rio de Janeiro.
Em outras palavras, a natureza é preservada, a vida na cidade também, em virtude da baixa poluição sonora e atmosférica, e a sua saúde dá um salto de qualidade. Aliás, as vantagens para o ciclista são inúmeras, como diz o folheto da TA. A começar pelo stress. É comum observar motoristas absolutamente irritados, seja pelo trânsito que já dura horas, ou pelas manobras displicentes de seus pares.
Andar de bicicleta, ao contrário, libera endorfina e ativa a circulação sangüínea, o que reduz consideravelmente o stress. Fora isso, combate o excesso de peso, porque estimula a queima de calorias e previne doenças cardíacas. Explica-se: os músculos do coração são reforçados e o nível de gordura no sangue e o pulso basal são reduzidos. Portanto, não perca tempo: pedale e ainda melhore sua forma física.
Um dos assuntos mais comentados em todos os jornais e veículos de comunicação nos últimos tempos tem como protagonista uma das grandes bandeiras levantadas pelo presidente Lula: a eficiência dos biocombustíveis. Afinal, eles são ou não uma boa oportunidade para o presente e futuro? Embora sem uma resposta absoluta por enquanto, é este o questionamento levantado pela edição de maio do jornal Folha do Meio Ambiente.
Em reportagem escrita pelo jornalista Milano Lopes, torna-se bastante claro o problema existente neste tema. O repórter narra o encontro em Brasília de parlamentares integrantes do Congresso dos Países do G-8 (grupo das sete economias mais desenvolvidas do mundo, mais a Rússia). O perigo é real e assume linhas de dramaticidade ao redor de todo o planeta: até que ponto utilizar alimentos para gerar combustíveis renováveis pode atrapalhar a segurança alimentar de todo o globo?
Como cita a matéria de Lopes, os parlamentares presentes ao encontro na capital brasileira explicam que o Fundo Monetário Internacional relaciona diretamente o aumento do preço de várias commodities agrícolas à crescente demanda dos Estados Unidos e União Européia pelo biocombustível. Mas, para quem avalia que o nervosismo ainda está longe de chegar ao Brasil, o texto envia um recado na pátria tupiniquim, este combustível é gerado principalmente a partir da soja, alimento disputado por animais e seres humanos.
Como se não bastasse, um outro problema vem à tona. É possível que o carbono seqüestrado da atmosfera pelos vegetais no seu período de crescimento seja revertido novamente para a atmosfera em determinado momento do cultivo. Em outras palavras, isso significa que o benefício encontrado por não queimar petróleo, por exemplo, pode ser absolutamente ineficiente: já que o CO2 emitido das plantas seria enorme.
Uma análise fria e apurada dos fatos mostra que, de fato, o biocombustível pode ser uma solução bastante viável para reduzir o lançamento de gases estufa na atmosfera e, com isso, segurar os efeitos nocivos do aquecimento global. Mas é necessário, antes de tudo, saber usar este recurso; caso contrário, uma boa idéia pode se transformar em uma verdadeira catástrofe.
Em nosso país, por exemplo, há ampla possibilidade de produzir o etanol, proveniente do cultivo de cana de açúcar. O presidente Lula levanta esta bandeira há algum tempo, sempre explicando que esta prática não invade florestas virgens. Além disso, está se tornando sua especialidade criticar os opositores da atividade em todos os continentes seus discursos inflamados comprovam.
Mas ele não está com toda a razão. É notório o fato de que, além do uso cada vez maior de técnicas de desmatamento de áreas com ampla biodiversidade para o plantio da cana, o país também está se especializando em empurrar o gado para seus biomas. Quando o anseio pelo etanol toma o lugar dos pastos, os mesmos são levados em uma só passo para dentro da floresta: é o que acontece, por exemplo, com a Amazônia, maior cobertura vegetal tropical do planeta. Hoje, ela já conta com 17% a menos de seu território do que em suas origens.
A opção dos biocombustíveis para conter o avanço das mudanças climáticas pode, de verdade, ser uma excelente experiência. Mas é preciso acertar a mão.
Incentivo ao artista
Publicado em 19/06/2008
O Brasil é um país enorme, repleto de culturas e diversidade. Por isso, é comum encontrar características típicas de cada região em passeios pelos quatro cantos da pátria tupiniquim. Mas, seja onde for, o artesanato estará presente de alguma forma: com formas e sotaques diferentes, é bem verdade; mas sua presença faz parte do imaginário coletivo do povo brasileiro.
Um passeio pelas ruas do Rio de Janeiro, para citar apenas uma das inúmeras cidades que estão no mapa do Oiapoque ao Chuí, mostra uma gama incrível de trabalhos desenvolvidos pelas próprias mãos de seus vendedores. E, justamente em virtude do tamanho da metrópole em questão, são produtos com origens curiosas e divertidas. Uma volta pelo calçadão da praia de Copacabana é uma viagem de milhares e milhares de quilômetros: lá, existem objetos confeccionados por peruanos, chilenos, argentinos, cearenses, baianos, catarinenses, e até cariocas.
São poucos aqueles que nascem com a desenvoltura de, com apenas o auxílio das mãos e de escassa matéria-prima, encontrar um artefato lindo e de tanta história. Dos que conseguem, aliás, poucos são conhecidos do grande público, pelo fato de que não vivem em grandes cidades.
Pois é mostrar o trabalho desse pessoal o grande lema da Obra O Sol, situada no Jardim Botânico, conhecido bairro do estado fluminense. Todo ano, um caminhão da equipe do projeto percorre as mais longínquas ruas desse Brasil em busca de novos talentos, produtos, técnicas escondidas por aí. A intenção é uma só: desenvolver o artesanato da forma mais atraente possível, e mostrar a produção das pessoas em um dos maiores mercados do país. Estes mesmos artistas, possivelmente, jamais teriam a chance de mostrar ao grande público as suas criações.
Mas quem não nasceu com o talento para o artesanato não precisa desanimar: a grande maioria não possui esse enorme prazer. A O Sol também atua com aqueles que, em princípio, não conseguiriam traduzir em arte pedaços de madeira ou cerâmica soltos. Trata-se das oficinas de artesanato, ministrados por profissionais gabaritados e com grande experiência.
Os alunos que se destacam, é bom lembrar, podem ter os seus trabalhos expostos na Feira Permanente da O Sol, que acontece no primeiro andar do prédio do projeto. É neste local que o garimpo feito ao redor do Brasil mostra as suas caras para os cariocas e turistas os produtos também estão à venda, e a renda é revertida, claro, para os seus criadores.
Desde o mês de abril, a O Sol firmou uma parceria com o conceituado e tradicional colégio Divina Providência, também situado no Jardim Botânico. De acordo com Alcinea Miranda, coordenadora de cursos da associação, duas turmas de bolsistas já foram formadas. Os alunos da escola freqüentam, gratuitamente, as aulas de cerâmica e desenhos/ pinturas.
Mas vai além: bolsas de capacitação em algumas técnicas artesanais também são oferecidas para familiares dos alunos. Uma excelente oportunidade. E não é só: nos próximos meses de agosto e setembro acontece, no Jardim Botânico, mais uma edição do Circuito das Artes. A O Sol, é claro, vai marcar presença. Assim que a programação estiver pronta, os leitores e parceiros da Thalamus poderão acompanhá-la por aqui.
Zeko lança Manual para síndicos
Publicado em 13/06/2008
O site do Zeko está bem movimentado. Depois da última notícia que divulgamos aqui, uma novidade chama a atenção do internauta ao clicar no endereço do divertido personagem: um novo material produzido especialmente para colaborar na gestão dos recursos hídricos. Nunca a famosa frase “Think Globaly, act localy” (Pense globalmente, aja localmente) foi tão bem empregada.
O motivo é simples a partir da separação correta do lixo dentro da própria casa, é possível fazer a diferença, economizar muitos recursos naturais e dar maior vida útil aos aterros das cidades. Além, é claro, do acúmulo de metano que não será descarregado na atmosfera com a decomposição dos produtos ao ar livre, triste realidade da maior parte de municípios brasileiros que não possuem destinos adequados aos resíduos.
Esta nova página eletrônica tem, portanto, um papel muito importante para a nossa sociedade: falar um pouco e dar dicas sobre a correta destinação do lixo de cada dia. O esforço é pequeno e as diferenças, enormes tanto para a saúde das pessoas, quanto do planeta. Mais do que nunca, a educação deve começar dentro de cada residência, com a separação dos resíduos sólidos em duas sacolas. Uma delas vai levar tudo o que pode ser reciclado; a outra, por sua vez, deve carregar o acúmulo destinado ao aterro sanitário.
É assim mesmo o que você leu! Basta separar o lixo seco (vidro, papel, metal, alumínio ou plástico) do resíduo orgânico (conhecido como molhado) e pronto, a natureza será bem cuidada. A Comlurb passa em todos os bairros para coletar o material passível de reciclagem é preciso apenas entrar no site da empresa ou telefonar para 21. 2204.9999 e descobrir em qual dia da semana o caminhão especial bate à porta de seu condomínio.
Depois de praticar este exercício dentro de casa, procure o síndico de seu edifício para contar a novidade e sugira que a ação se estenda aos outros apartamentos. Assim, a quantidade de lixo que vai parar nos aterros fica muito menor e o ciclo de vida dos recursos naturais, bem maior. Produtos que seriam desperdiçados podem sair de seu lar e voltar para a linha de produção.
Não perca tempo, coloque a separação do lixo em sua rotina. Para lhe ajudar a superar este desafio, o Zeko criou um manual para o síndico e uma carta destinada aos moradores. No primeiro documento, dez passos de como implantar a coleta seletiva em seu edifício sem traumas. Já no segundo, um texto pronto para convencer seu vizinho a embarcar nessa idéia.
O propósito dos documentos é bastante simples, e ele pode ser percebido pelos próprios destinatários dos textos. De início, é muito complicado abraçar a idéia da coleta seletiva em um condomínio no qual o síndico é contra a prática. Isso porque o exercício implica em alguns fundamentos básicos de logística, como o surgimento de contêiners separados em uma área destinada no prédio. Ninguém melhor do que a pessoa que administra aquele conjunto de apartamentos para topar e colocar a solução na prática.
Mas, para que o esforço atinja os resultados esperados, é também fundamental que todos os condôminos façam a sua parte afinal, é a soma de todos os fatores que alcança um produto final adequado. Por isso, o Zeko também fez uma carta aos moradores com dicas simples de como praticar a coleta seletiva sem sustos. Para os síndicos, dez passos mostram os procedimentos seguintes. Visite o site e divirta-se com a novidade. Imprima para quem desejar, mas lembre-se: economize papel.
São João na Tio Beto
Publicado em 13/06/2008
No próximo dia 14 de junho (ou seja, este sábado), a Creche Tio Beto celebra uma das festas mais aguardadas do ano: a festa junina. Todo ano, tanto a instituição de ensino em questão, quanto a Obra de Missão Social Jardim Vovó Carmem, realizam grandes produções nesta época, com muita diversão e barracas das mais variadas. Em comum, o alicerce dos dois projetos apoiados pela Thalamus: ambas são administradas pelo Núcleo de Responsabilidade Social do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais. O trabalho, é claro, está sendo absolutamente bem feito e as famílias e crianças têm momentos de muito prazer nestas comemorações.
Já que o espírito é mesmo de São João, decidimos contar um pouco para nossos leitores e parceiros sobre a história desta celebração. Afinal, de onde ela vem? Antes de mais nada, uma notícia um tanto triste para nós, brasileiros: trata-se de uma festividade européia nós puxamos de lá e fizemos de nosso jeito. De acordo com o site Wikipedia, uma das fontes mais interessantes da internet, o festejo está historicamente ligado à festa do solstício de verão, à época comemorada no dia 24 de junho.
Como diversos outros acervos de nossa cultura, a festa junina chegou ao país por meio das mãos dos portugueses, ainda na época da colonização. Rapidamente ela foi incorporada aos costumes dos índios e das populações afro-brasileiras. Mas, quem pensa que esta data é comemorada apenas por estas bandas, está bem enganado. Até hoje, quem visitar países como França, Irlanda ou as nações nórdicos no meio do ano corre o risco de esbarrar com algum casamento fictício por pessoas fantasiadas, tão comum nas festas se São João praticadas pelo Brasil afora, em suas quadrilhas.
Em nosso país, a celebração é típica da região nordeste, que de tão árida comemora o período em que as chuvas caem e agradece a São João e São Pedro. Normalmente, elas ocorrem em locais conhecidos como arraial daí o termo arraiá, também usado para sugerir brincadeiras deste tipo. Trata-se de um local muito animado, repleto de barracas com brincadeiras, como a pesca, bandeirinhas coloridas (talvez o maior símbolo da ocasião), balões e pau de sebo. Além disso, é claro, tem as quadrilhas onde casais se unem para brincar e dançar sob o som das tradicionais músicas. No nordeste, muito forró alimenta os sonhos dos foliões durante toda a noite e, muitas vezes, vara a madrugada até o amanhecer.
Apesar da festa não ser, tecnicamente, um costume original do Brasil, podemos nos gabar de ter a maior de todas. Ela acontece na cidade de Caruaru, em Pernambuco, e está no Livro dos Recordes (Guinness Book) como a maior festa regional ao ar livre que existe em todo o planeta. Incrível!! Apesar de ser comemorada apenas uma vez ao ano, há diversas instituições que protagonizam verdadeiras produções em dias diferentes. Isso significa que uma mesma pessoa, no êxtase da época comparável ao carnaval pode participar de diversas celebrações de São João. E ainda comer os alimentos típicos do período.
Antes de terminar esta curta explicação, vale destacar um parágrafo para contar sobre um dos protagonistas do grande festejo: a fogueira. Da mesma forma que a árvore de natal é sempre verde, como prega o cristianismo, a fogueira começou a ser eternizada como membro fixo da festa junina ainda na Idade Média, já que a ocasião celebrava o solstício de verão, como sito anteriormente. Hoje, depois de muitos e muitos anos, ela é o elo em comum entre todas as festas juninas realizadas em todos os países europeus.
Depois de conhecer um pouco mais sobre a história desta época, você não pode perder a festa junina da Criche Tio Beto. Ela terá de tudo um pouco: barracas com jogos, quadrilha, bandeirinhas e pessoas fantasiadas e pintadas como se viessem do campo. Tudo, é claro, com muita cor e animação. Não deixe de ir!
Aquecimento global fere oceanos
Publicado em 13/06/2008
Acostumado a gerar noticiais ambientais de grande impacto, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) não perdeu a postura no boletim bimestral desenvolvido pelo seu comitê brasileiro. Desta vez, o alvo foi o aquecimento global e uma conseqüência do aquecimento global que nunca foi mencionada antes por outro veículo ou entidade: além de aumentar o nível do fluxo dos mares, as mudanças climáticas também devem desacelerar a circulação térmica dos oceanos. Em outras palavras, é provável que depois de cem anos sejam graves os prejuízos no mecanismo natural de “descarga e limpeza” das águas.
Como afirma o estudo “Em água morta”, desenvolvido pelo Instituto Brasil Pnuma e esmiuçado na reportagem, esses ciclos são responsáveis pela qualidade da água, circulação de nutrientes e reprodução em águas profundas. Ou seja, o número de espécies perdidas por verdadeiro caos marinho seria insubstituível.
Para completar tamanho imbróglio, há ainda a pesca de arrasto, espécies invasoras e muita poluição. Além disso, 80% dos melhores lugares do mundo para segurar um bom pescado sofrem com a exploração além de sua capacidade de reprodução. Até 2050, na metade deste século, portanto, é possível que 90% das costas do Hemisfério Norte estejam absolutamente afetadas em virtude de ações antrópicas insustentável que determinam a falência de inúmeras espécies.
Em setembro de 2007, a União Internacional para a Conservação da Natureza divulgou a sua Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de extinção em varas categorias: criticamente em perigo, perigo, vulnerável e etc. Na ocasião, os corais faziam parte pela primeira vez da relação, já que o acréscimo nas temperaturas contribui para o seu embranquecimento e futura morte. Esses incríveis recifes de berçários de peixes, também defesas naturais para diversos ecossistemas, correm o risco de desaparecer em até 80% do volume atual nas próximas décadas.
Apesar dos oceanos serem uma excelente esponja para coletar o gás carbônico na atmosfera, o homem está conseguindo transformá-los em simples produto, já que as causas do aquecimento estão diretamente relacionadas ao uso indiscriminado de recursos naturais feitos pela minoria da população mundial.
Conheça a 2 Alianças Armazéns Gerais
Publicado em 29/05/2008
O belo trabalho exercido pela Creche Tio Beto é reconhecido por diversos setores da sociedade e, é claro, pelos parceiros e amigos da Thalamus que acompanham o trabalho da associação pela página na internet ou pela rotina de projetos apoiados e desenvolvidos. Um deles é a instituição de ensino em questão, responsável por proporcionar uma oportunidade única para crianças de baixa renda da comunidade de Pedra de Guaratiba (RJ) e seu entorno.
Com a creche, as crianças desenvolvem o lado psico-motor com diversas brincadeiras e aprendizagens, o que as ajuda na transição para o ensino público convencional. Desta forma voluntária, centenas de famílias podem acreditar em um futuro melhor para seus filhos. Esta é uma colaboração grandiosa praticada há mais de uma década por profissionais dedicados e competentes.
Em todas as reportagens publicadas nestas mesmas páginas, nos referimos à Creche Tio Beto como uma instituição formada e administrada pelo Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais e que faz parte da Cruzada do Menor. Pois bem: chegou a hora de contar um pouco para os leitores o que é, afinal, 2 Alianças?
Trata-se de uma empresa criada em 1953 no Rio de Janeiro e que atua nas áreas de armazenagem e logística. Como diz o seu site, “sua expertise está respaldada na incorporação de novos conceitos e práticas, no treinamento continuo de seu capital humano e na adoção de soluções tecnológicas para planejar, operar, monitorar e otimizar a cadeia de suprimentos, aumentando a rentabilidade e assegurando a melhoria dos serviços”.
Mas, além disso, ela é uma firma que investe no futuro e, por isso, criou a Creche Tio Beto em 1995, para dar maior credibilidade e acesso à educação para as crianças que vivem em situação de risco social situadas na zona oeste da capital fluminense. Nada melhor do que ela própria para resumir suas atividades: “Com uma proposta pedagógica transformadora, o objetivo da entidade é educar e ajudar as crianças a desenvolver suas potencialidades, conhecer seus limites, valorizar os cuidados com a saúde e o bem-estar na família”.
Hoje, 80 crianças são atendidas por ano, de segunda a sexta-feira, das 7:30hs às 17hs. Vale lembrar que diversas atividades são comemoradas nos finais de semana, como festa junina, almoços beneficentes e festas em homenagem ao dia do meio ambiente, dos pais e das mães. Sem dúvida, um local maravilhoso para alegrar pessoas que tanto precisam.
Para finalizar, é bom dizer que o Núcleo de Responsabilidade Social do Grupo 3 Irmãos & 2 Alianças Armazéns Gerais conta com contribuições de empresas e pessoas físicas para continuar com seu trabalho. Mesmo assim, uma série de planejamentos são feitos para a possibilidade de levantar novos recursos, pelo menos os básicos para assegurar a continuação do projeto.
Visite o Zeko
Publicado em 29/05/2008
Faz um bom tempo que a seção de notícias da Thalamus não fala sobre o Zeko. Projeto desenvolvido pela associação, ele chama a atenção para o uso indevido de água doce no planeta e como cada pessoa pode ajudar a conter o desperdício deste precioso recurso natural. E o melhor: tudo em uma linguagem simples e divertida, ideal para a interação entre professores e alunos dos colégios de todo o Brasil. Aí vai uma interessante dica.
O Zeko é um personagem muito engraçado. A página virtual, que pode ser acessada com um simples clique do mouse aqui, foi pensada para ser um excelente canal de comunicação para os jovens, com o intuito de transformar um assunto muito importante em pauta acessível àqueles que farão diferença quando se tornarem adultos e formadores de opinião.
À medida que a cultura de reaproveitamento da água começa a ser entendida por crianças e adolescentes, é mais simples transformá-los em adultos conscientes. Muito mais difícil, no entanto, é mudar o pensamento de alguém que já tem todos os vícios e costumes de desrespeitar o acesso à água potável. De acordo com dados das Nações Unidas, cerca de 64 mil pessoas morrem diariamente em virtude de alguma doença relacionada ao pouco cuidado dos recursos hídricos. Não é pouco.
No site, o leitor pode baixar a primeira edição da revista do Zeko, chamada de “Um mergulho no mundo da água”. É uma viagem de fato muito interessante, já que ela fala sobre desligar a torneira enquanto se escova os dentes e sobre a capacidade de reaproveitar a água da chuva, por exemplo. Existem diversas maneiras, e não é complicado apenas a sociedade contemporânea desconhece as simples técnicas.
Além disso, quem acessar a página eletrônica do projeto poderá se divertir com o funk do Zeko e também com o seu videoclipe. Um verdadeiro volume de muitas brincadeiras e informação para os estudantes de todos os cantos do Brasil, do Oiapoque ao Chuí já que o conteúdo da iniciativa pode ser levado para diferentes culturas e posições geográficas.
Um dos tópicos do site traz uma carta aos alunos feita pelo Zeko, que passa a exata dimensão da importância de cuidar deste recurso finito e que deveria servir a todos. O problema, infelizmente, é que o uso desregrado e o monopólio de poucos acaba impedindo que grande parcela da população mundial tenha acesso a este benefício. Leia a seguir um trecho da carta:
“ (...) 2002 a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o Dia Mundial da Água. Você sabe por que foi criado este dia? Bem, a água no planeta está a cada dia correndo mais riscos devido o mau uso, a contaminação, etc., e todos precisam ajudar a mudar o rumo desta história.
Conter o desperdício, gerenciar os recursos hídricos e impedir a poluição de rios e mares passou a ser a meta para a preservação da vida, o que motivou o ex-secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas) Kofi Annan, em 2002, a instituir o dia 22 de março como o Dia Mundial da Água.
Esse dia tem como objetivo manter todas as pessoas adultos e crianças, professores e voluntários de todas as partes do mundo muito atentas para a quantidade de água que cada comunidade usa, para os modos diferentes de uso da água, para proteger, garantir e controlar o gerenciamento da água doce do planeta (...)”.
Não perca tempo. Corra para conferir este completo conteúdo, que ainda conta com jogos e outros links relaxionados.
No próximo dia 28 de maio, a Cruzada do Menor viverá um dia muito especial e que servirá de coroação para o trabalho profissional realizado dentro da instituição. Local que agrega diversas unidades de ensino destinadas e jovens carentes, como a Creche Tio Beto parceira da Thalamus criada e administrada pelo Núcleo de Responsabilidade Social do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais a Cruzada foi uma das cinco organizações vencedoras da 3ª edição do Troféu de Responsabilidade Social Carlos Fernando de Carvalho.
O principal objetivo do troféu, que é promovido pela Associação de Imprensa da Barra da Tijuca, é eleger os principais projetos sociais destinados ao público da cidade do Rio de Janeiro. Por isso, a escolha é uma enorme honra, já que diversos trabalhos concorreram na disputa, uma verdadeira fábrica de ajuda às pessoas que mais necessitam.
A premiação existe desde junho de 2006 e teve um objetivo inicial: homenagear Carlos Fernando de Carvalho, presidente da empresa Carvalho Hesken, pelos seus mais de 30 anos de auxílio ao bairro carioca da Barra da Tijuca e sua verdadeira preocupação com as causas ambientais. Vale ressaltar, a partir desta observação, que os projetos escolhidos sempre têm algo em comum: são realizados nas proximidades do bairro em questão e combinam solidariedade com profissionalismo.
A Cruzada do Menor fez por merecer. A instituição foi criada em 1985 por um grupo de empresários dispostos a criar oportunidades de inclusão para pessoas de alto risco social, sejam crianças, adolescentes, adultos ou idosos. Depois de 22 anos de existência e muito esforço pela frente, mais de dois milhões de atendimentos já foram realizados apenas nos últimos oito anos, algo incrível e de grande valor.
A Creche Tio Beto, projeto apoiado pela Thalamus há algumas temporadas, faz parte desta rede de auxílio. Apenas no ano de 2007, a instituição de ensino recebeu em sua sede, diariamente, 126 crianças da região de Pedra de Guaratiba. Elas receberam ajuda psicológica e tiveram diversos tipos de aprendizagens, algo sinceramente inesquecível. A partir dali, os meninos e meninas estão aptos a cursar a rede de ensino público tradicional e seguir excelentes caminhos pela frente.
Grupo de voluntários
Publicado em 23/05/2008
O movimento voluntário é um dos tópicos mais importantes nos tempos atuais, em que a diferença social entre classes é gritante principalmente em um país como o Brasil, ainda no status de nação em desenvolvimento. Isto posto, vale pensar que um auxílio a mais para quem precisa é um gesto de profunda responsabilidade cidadã e que não custa mais do que algumas horas da semana. Apesar de tão pouco tempo, a ajuda é enorme e já completa de oportunidades e esperanças milhares de pessoas que nunca sonharam com as novas chances.
É isso o que tenta fazer o Conselho Brasileiro de Voluntariado Empresarial (CBVE), uma rede de empresas, institutos e fundações que já atuam ou pretendem atuar de alguma forma no Terceiro Setor através de programas para colaborar na rotina de cidadãos com baixa renda e risco social. Dele, fazem parte grupos como Coca-Cola Brasil, Bradesco, Itaú Social e Ponto Frio. O site da Organização Não-Governamental RioVoluntário traz um link para uma explicação um pouco mais ampla sobre o trabalho realizado pela equipe.
Aliás, é a própria ong a responsável pela Secretaria Executiva do grupo, responsável pela operacionalização das decisões da Assembléia Geral, da qual fazem parte todos os associados. É ela que define a produção, interação e consolidação de conhecimentos e ferramentas de gestão.
As principais funções do conjuntos são:
- consolidação de conceitos e idéias relacionadas ao voluntariado empresarial
- intercâmbio de experiências
- produção e disseminação de conhecimento
- identificação e divulgação de ferramentas de gestão monitoramento e avaliação
Para alcançar este objetivo, são realizadas reuniões constantes, estudos e pesquisas, criação de bancos de dados sobre o tema, realização de ações conjuntas, entre outras. O valor para os associados é praticamente incomensurável, já que ganha-se acesso à produção coletiva de conhecimentos, aumento do impacto das ações, apoio técnico na gestão, monitoramento e avaliação do trabalho voluntário e fortalecimento interno das ações de voluntariado empresarial.
Definitivamente, todos saem ganhando desta história: a imagem da empresa, os funcionários lá de dentro que se sentem felizes por fazer algo interessante de responsabilidade social e a população assistida, com novas oportunidades.
Brasileiros e a mudança climática
Publicado em 15/05/2008
Foto: UOL
Apesar da clara evidência do aquecimento global e seus potenciais efeitos um tanto devastadores para esta e, principalmente, as próximas gerações, o brasileiro se mostra incapaz de fazer algo para contornar as mudanças climáticas em curso. Pelo menos é o que aponta estudo recém finalizado pelo instituto Market Analysis, especialista neste tipo de trabalho. Na verdade, um dos mais importantes pontos da pesquisa exige uma breve reflexão: entre os entrevistados, 52% dos cidadãos não se importam com o fenômeno que já faz parte da agenda política dos principais líderes mundiais.
Chamado “Os brasileiros diante das mudanças climáticas imaginando o impacto do aquecimento global”, o documento tenta trazer para a realidade nacional os possíveis efeitos de um planeta com altas emissões de carbono. Muito embora a atmosfera seja uma só (o que, em última análise, levanta a certeza de que as alterações acontecerão em todo o globo terrestre), parece que o povo tupiniquim ainda não percebeu a sua capacidade para movimentar um esforço mundial de redução do lançamento de gases estufa.
Uma das conclusões a que se chegou no estudo, por exemplo, é que as pessoas parecem estar mais incomodadas com a situação do que efetivamente informadas. Isso gera, de todas as formas, uma completa ignorância do que pode ser feito para mudar o quadro de crise ambiental já foi mais do que provado que pequenas ações individuais podem fazer a diferença.
Talvez a mídia tenha sua parcela de contribuição para isso, já que os jornais estrangeiros fazem uma cobertura do meio ambiente muito mais acurada e competente do que os diários nacionais. Basta acompanhar, durante um dia, as seções de meio ambiente do New York Times, Los Angeles Times, El País, Le Monde, The Independent ou The Guardian para notar a incrível diferença. Não se trata de melhores jornalistas; apenas dá-se mais importância ao tema nas redações internacionais.
Entre os brasileiros, alguns temas causam profundo temor. Em primeiro lugar absoluto, com 23%, está o medo da escassez de água. Já em segundo, aparece a extinção de espécies, com apenas 16% (o número deveria ser bem maior, dado o absurdo de ações humanas, uma única espécie, acabarem com a existência de muitas outras), seguido bem de perto pelo pavor de viver em um clima cada vez mais radical, com altos e baixos constantes.
"Apesar de as opiniões estarem divididas, - 52% não acreditam que as mudanças climáticas sejam um problema tão grave, enquanto 46% apresentam real preocupação com o assunto -, os brasileiros emergem como o povo mais autoconfiante sobre o tema entre os que pertencem a sociedades em desenvolvimento", avalia Fabián Echegaray, diretor da Market Analysis, em release enviado à imprensa.
Mais do que motivos para comemorar, este fato deveria causar embaraço. Quando o assunto são as mudanças climáticas, de nada adianta separar povos, culturas ou interesses comerciais entre países. O problema é democrático, e atingirá toda face do planeta. Portanto, mais do que crer que o Brasil está no caminho certo, é preciso chamar a atenção para as demais nações em desenvolvimento. É mais do que hora de acordar para a realidade e fazer esforços sérios e coerentes para enfrentá-la.
Sonho distante
Publicado em 15/05/2008
A cada três meses, o Greenpeace publica uma revista muito interessante, sempre com os assuntos em voga e excelentes entrevistas. Desta vez, a primeira reportagem da edição que contempla os meses de janeiro, fevereiro e março, parece que previu o futuro. Seu título já explica metade da afirmação acima: “A hora e a vez de zerar o desmatamento”. Para os mais apressados, aí vai a segunda metade do quebra-cabeça na última terça-feira, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pediu demissão do cargo em virtude das pesadas pressões que sofria da parcela desenvolvimentista do governo. O ex-secretário do Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, assume o posto de sua colega para tentar fazer o mais difícil, que é justamente segurar a onda do desflorestamento ilegal que assombra a Amazônia há muitos anos.
Por esse simples motivo (que, de simples, não tem nada), é certo mostrar que, sem querer, o Greenpeace acertou em cheio na matéria para abrir sua revista. E ela ataca os pontos certos, feridas que o governo federal ainda não cicatrizou e que, em breve, voltará com toda a força de uma ampla pressão internacional: a volta arrebatadora da derrubada de árvores. Afinal, em 2007, o governo levantou a bandeira branca da paz e da vitória, já que nas três temporadas anteriores a queda do desmatamento no maior bioma brasileiro foi notória e respeitável.
Mas o Palácio do Planalto, ainda representado na figura de Marina Silva, preferiu não comentar um ponto importante o preço das commodities agrícolas estava lá em baixo. Bastou os valores pagos por uma porção de grãos de soja voltar a subir para que os tratores voltassem a trabalhar a todo o vapor. Brasília não teve o mérito e a humildade de reconhecer isso. Agora, o resultado é simples e duro. No segundo semestre, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) vai anunciar que milhares de quilômetros de floresta foram ao chão entre os meses de agosto de 2007 e julho de 2008, o período em que a constatação é feita.
De acordo com Paulo Adário, coordenador da campanha da Amazônia no Greenpeace, é importante transformar em lei a medida provisória que determina que 80% da área de uma propriedade situada na Amazônia devem ser mantidos de pé. Como diz a reportagem, zerar o desmatamento iria ajudar muito a fazer com o que o Brasil saia da temida posição de 4º emissor de carbono para a atmosfera. Atualmente, é este posto que o país ocupa no desgostoso ranking. Mas não adianta reclamar, e sim agir. Basta entender, por exemplo, que três quartos de nosso lançamento de gases estufa está atrelado às queimadas. Ainda há tempo.
A cooperativa e outras informações
Publicado em 15/05/2008
O princípio de que deveria ser papel da prefeitura - capacitada pela população para resolver os problemas, urgentes ou não, inerentes a ela - coletar, armazenar e transportar os resíduos sólidos é correto e notório. Não é, no entanto, verificado como fato absolutamente real na prática. Se, por um lado, deve-se fazer esforços ilimitados através de práticas legais de exercício do direito de cidadania para que o efetivo dever do Poder Público seja cumprido, de nada adianta que se permaneça imóvel diante da inoperância do Governo. Há, sem qualquer dúvida, inúmeras maneiras de colaborar com a limpeza do espaço urbano e, deste modo, ajudar a prevenir maiores danos ambientais.
Se o Rio de Janeiro foi palco de um dos maiores eventos já realizados em prol do meio ambiente, a Eco-92, deveria ser este um espaço aberto e destinado a discussões sobre o assunto. Infelizmente, não é o que acontece. Nesta mesma cidade há, de um lado, a beleza construída única e exclusivamente pela natureza, para a qual poderíamos direcionar nossos olhos admirados; neste mesmo lado, há a destruição impensada, os atos inconseqüentes de conseqüências tão eloquentemente assustadoras.
Há o lixo, o descaso, a fome, a miséria. Sim, porque o olhar ambiental não é passível de separação do olhar econômico-social, muito pelo contrário; eles são indissociáveis. E, como tal, exige uma visão holística de todos os problemas. A culpa da crise ambiental não é, obviamente, culpa apenas de nossa cidade. Mas, se aqui vivemos, ela está sob nossa direta responsabilidade.
O Rio de Janeiro é a cidade das montanhas, dos belos mares e praias, da Lagoa Rodrigo de Freitas, da Baía de Guanabara. Praias, Lagoa, Baía. Contaminadas por resíduos sólidos urbanos tão mal administrados pela rede pública e por cada um daqueles que os fabricam. Pois há, nesta mesma cidade, algumas alternativas. Há ONG’s que atuam no Terceiro Setor para tentar cobrir a lacuna deixada pelo governo e há Cooperativas, de tantos tipos. Pois logo ali, na divisa entre Jardim Botânico e Humaitá, existe a Cooperativa de Catadores de Lixo, que coletam os resíduos sólidos com potencial reciclável e, depois de juntá-los e prensá-los, os levam para as instâncias de reciclagem.
A reciclagem é muito importante, ainda que seja a última etapa que deve ser utilizada dos 3 R’s.Cabe aqui citar uma frase que se encontra no relatório do WWF de 2002: “A demanda de recursos naturais já superou em 20% a capacidade de regeneração do Planeta”. Vivemos absortos em um modelo “ecologicamente predatório, socialmente perverso e politicamente injusto”, o que nos leva a entender nosso fundamental papel na preservação do meio ambiente. E isto passa pela reciclagem, uma vez que são muitos os produtos passíveis desta alternativa. Justamente por esta altíssima demanda por recursos naturais, para suprir a necessidade de uma população emergente e consumista, a reciclagem assume tamanha importância, pois reduz este consumo de recursos naturais e de poluição (por reduzir o volume do lixo) ao retornar para o ciclo de produção.
Apesar de tudo isto, a prefeitura decretou o encerramento das atividades desta cooperativa, sem qualquer alternativa e opções de novos espaços. Além de colaborar na preservação ambiental, a cooperativa contribui para que pessoas desempregadas e negligenciadas pela sociedade possam ter empregos dignos e uma fonte de renda mensal. Vale lembrar que, dentro desta sociedade consumista mundial, apenas uma parcela muito pequena pode contribuir para esta estatística, enquanto a grande e absoluta parcela vive em condições miseráveis de vida e saúde. Esta é a visão holística e é por isso que não podemos enxergar a crise ambiental como algo distante ou separada de outros problemas.
Obra de Missão Social ganha site
Publicado em 08/05/2008
A creche Obra de Missão Social Jardim Vovó Carmen é um dos projetos tocados pelo Núcleo de Responsabilidade Social do Grupo 3 Irmãos em parceria com 2 Alianças Armazéns Gerais. Situada no Rio de Janeiro, à rua Bambina nº97, em Botafogo, a instituição de ensino já tem muita história para contar. Agora, no início do ano de 2008, mais uma página de alegrias foi escrita pelos responsáveis da iniciativa, que já têm motivos de sobra para comemorar: o site da creche já está no ar.
Trata-se de um passo muito importante para que ela se torne cada vez mais conhecida pelo grande público do país e, por que não, das nações estrangeiras também. O mundo da internet é uma realidade há algum tempo, e é capaz de cruzar o oceano com muitas informações em apenas frações de segundo, com apenas alguns toques no mouse. Um projeto de tanto respeito e sucesso não poderia, de forma alguma, permanecer fora deste amplo universo que se abriu e que ainda tem muito a crescer. Cada vez mais pessoas têm acesso à grande rede, e é fundamental, no mundo de hoje, que as causas sociais estejam inseridas.
O site, realmente, está muito bonito. Um desenho com animação já deixa mais colorida a tela do computador, que mostra a casa que já virou símbolo da iniciativa com alguns passarinhos voando atrás. Caso a imagem fique parada por um tempo, a noite chega e com ela a lua, uma diversão garantida para as crianças que visitarem a página eletrônica.
Alguns tópicos no canto esquerdo da tela contam absolutamente tudo o que é necessário saber sobre a Obra de Missão Social. O texto inicial diz, por exemplo, que o projeto existe desde 1952, quando foi aberto para atender a mulheres grávidas com baixas condições financeiras sem abrigo durante a gestação. Mas, a partir da década de 70, depois de tantas mudanças nos quadros sociais, a Instituição passou a cuidar dos filhos das antigas gestantes que não conseguiram sair dali. Começava ali o embrião do sistema de creche que perdura até hoje e atende a crianças da comunidade e do entorno de dois a seis anos em situação de risco social.
No final de década de 80, a intenção de apenas cuidar das crianças mudou. Naquele momento, viu-se a necessidade de também educar os meninos e meninas assistidos. Esse foi um grande passo dado pelo projeto no sentido de trabalhar ainda mais em favor da sociedade e daqueles que mais precisam. Vale a pena, nesse momento, citar a Missão e o Valor do projeto, textos que também podem ser encontrados na nova página.
Missão “Semear a cidadania através da educação”.
Valor “Nosso trabalho visa possibilitar a inclusão social das crianças e de suas famílias, e a conscientização de sua cidadania. Entendemos que a Educação é um processo amplo e, para que possa ser atingido, devemos estender ações educacionais que alcancem não só a criança na creche, mas também em seu universo familiar”.
Além de falar sobre os objetivos da creche, como o de aumentar o conhecimento dos alunos através de um direcionamento pedagógico que segue os pressupostos da valorização das crianças através de suas manifestações infantis, o site também mostra fotos muito bonitas do local e dos meninos e meninas felizes ao realizar os trabalhos propostos. Trata-se de um guia completo sobre a Obra, que pode chamar a atenção de muitas pessoas para os esforços desenvolvidos com 105 crianças.
Como se não bastasse, um excelente vídeo sobre o projeto também é disponível: basta clicar no tópico que leva o nome homônimo. Além disso, há um manual de como colaborar com a creche: seja através de divulgação do projeto entre os círculos pessoais e profissionais; com a participação voluntária ou ainda com contribuições financeiras. Todas as formas de ajuda são muito bem-vindas.
Feira Permanente de Artesanato
Publicado em 08/05/2008
O artesanato é uma das formas mais interessantes de perceber o talento de uma pessoa. Trata-se de uma técnica antiga, mas que exige muita habilidade com as mãos e poucos recursos. Não há dúvidas de que se trata de uma capacidade existente em um percentual mínimo da população mundial; mas, quando há um produto muito bem acabado, é bonito de se ver. Espalhados pelo Brasil, milhares de artesãos fazem desta especialidade sua profissão e conseguem seus salários mensais através da divulgação de seus trabalhos.
Por isso, é fundamental que existam locais interessados em expor o resultado final de tanto esforço. A Obra Social Leste Um O Sol é um deles. Durante todo o ano, sua sede na rua Corcovado 213, no Jardim Botânico (RJ), tem um espaço destinado exclusivamente às obras esculpidas detalhadamente por artistas de todo o país. Para encontrar estas relíquias, uma equipe da O Sol viaja uma vez por ano para encontrar novos e antigos talentos. O objetivo é trazer suas peças para expor e vender ao público que visita a loja. Em outras palavras, o projeto colabora com aqueles que precisam sem assistencialismo; ou seja, geram renda para as pessoas a partir de seus próprios talentos e esforços.
O local escolhido para a exposição se situa no primeiro andar do prédio ocupado pela O Sol no bairro do Jardim Botânico, ao lado do famoso parque que leva o nome homônimo. Chamada de Feira Permanente de Artesanato, o local é absolutamente dinâmico e reúne peças de artesãos e artistas populares que vão do Oiapoque ao Chuí. Não custa lembrar que esta experiência traz para os cariocas as particularidades de cada região do Brasil, já que muitos dos produtos são inspirados em culturais diferentes e técnicas distintas.
O site da O Sol resume muito bem o objetivo do trabalho ali realizado. “No intercâmbio com quem faz, a Obra Social “O SOL”, procura repassar conceitos de design, de acabamento, de aperfeiçoamento das técnicas empregadas e melhor aproveitamento das matérias-primas, bem como a forma adequada de embalar cada peça”. Ou seja, do início ao fim, a esperança é aproveitar a imaginação e ajudar a população nacional da forma mais ampla possível.
Há alguns anos e possível visitar a sede da Obra e encontrar uma renovação muito interessante. Os números impressionam pelo sucesso; para se ter uma idéia, mais de 700 mil peças já foram vendidas pela Feira Permanente de Artesanato. Como se vê, não é pouca coisa. Há diversos produtos curiosos, como o sofá de cipó feito por artesãos de Minas Gerais e o tabuleiro de xadrez com figuras folclóricas criado pelo Mestre Vitalino.
Não há tempo a perder. Corra para a casa do projeto e conheça as maravilhas que lá existem. E você também pode aproveitar para se cadastrar em um dos cursos ministrados pela equipe da O Sol: costura, tecelagem, macramê e muitos outros. Basta bater à porta que, sem dúvida, será muito bem atendido. Em pouco tempo, podem ser as suas peças que estarão expostas na Feira.
Como ser voluntário
Publicado em 08/05/2008
A responsabilidade social é uma das atribuições mais importantes de um ser humano, muito embora não sejam todos que encontram disposição ou tempo hábil para realizá-la. Mesmo assim, não há nada mais gratificante do que ajudar ao próximo de uma maneira que seja acessível para quem pratica este belo gesto. Uma das formas interessantes de entrar no ritmo de auxílio fundamental em um país como o Brasil, com tantas pessoas que necessitam, é o trabalho de voluntário.
Diversas organizações do Terceiro Setor incentivam esta prática, ainda pouco comum na terra tupiniquim, pátria recheada de desigualdades sociais e problemas inerentes a nações em fase de desenvolvimento econômico. Uma das boas oportunidades de conhecer alguns caminhos interessantes a fim de ingressar em alternativas para colaborar com aqueles que precisam é navegar pelo site da ONG RioVoluntário, uma das maiores propulsoras do voluntariado. Seu nome, é claro, já deixa essa característica implícita.
Um dos ícones da Homepage mostra claramente algumas boas chances. A falta de tempo, por exemplo, é usada como uma das constantes desculpas para não colaborar de alguma forma com próximo. Pois há solução: basta ligar para 2262-1110, escolher o ramal 461 ou enviar um e-mail para voluntariado@riovoluntario.org.br. Lá, é possível agendar a participação em uma das palestras gratuitas da instituição que capacita as pessoas interessadas em ajuda ao próximo sem qualquer retorno financeiro. Elas duram três horas e acontecem na sede da Ong, no Rio de Janeiro.
Depois disso, seguem mais dois passos, retirados da página virtual em questão:
1) Assista a palestra e cadastre-se gratuitamente no RIOVOLUNTÁRIO.
2) Escolha a oportunidade de atuação voluntária que mais lhe interessa em uma de nossas instituições cadastradas, de acordo com seus interesses e possibilidades: pode ser uma atuação regular, pontual ou mesmo à distância (on line).
Uma outra boa opção é clicar com o botão do mouse no Programa “Mãos à Obra”. Nele, precisamente, acontece todo o relacionamento com o voluntário, desde o momento em que seu cadastro é feito na instituição. Afinal, é necessário que haja um preparo anterior ao envio da pessoa interessada para uma instituição que necessite de seus esforços. Ele poderá ficar à vontade para falar sobre suas disponibilidades e também para conhecer a Lei do Voluntariado, ferramenta de grande importância neste tipo de trabalho.
É justamente aí que o voluntário mostra para a organização em quais áreas têm interesse de atuar e também o público beneficiado, localização e horários de suas preferências. Tudo feito da forma mais profissional e interativa possível para que a função seja exercida com a melhor satisfação.
Vale também lembrar sobre as ações isoladas realizadas pelo RioVoluntário em parceria com a organização americana Hands On Network. Foi criado, a partir desta união, o Calendário da Ação Voluntária, responsável por identificar oportunidades e projetar ações em benefício de diferentes comunidades.
Conheça a Cruzada
Publicado em 01/05/2008
Uma breve visita ao site da Cruzada do Menor, instituição sem fins lucrativos que reúne algumas creches e escolas, para ver que o trabalho não pára. Uma de suas componentes, a Tio Beto, é um projeto apoiado pela Thalamus que ajuda a integrar à sociedade crianças entre dois e quatro anos da comunidade de Pedra de Guaratiba (RJ) e arredores.
Essa função é essencial, já que os meninos e meninas vivem em condições de crise social, uma vez que são provenientes de bairros de baixa renda. Vale lembrar, é claro, que o trabalho é administrado pelo Núcleo de Responsabilidade do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais.
Na homepage (capa) do site da Cruzada do Menor, é possível observar um menu que traz alguns interessantes tópicos, como: O que é a Cruzada, Nossos Programas, Como Participar, Acontece na Cruzada, Divulgação e Fale Conosco. Dentro deles, outros sub-ítens mostram absolutamente tudo o que é necessário conhecer do projeto, desde sua história, missão e oportunidades para pessoas comuns colaborarem.
Na mesma página, um pouco mais à direita, estão as principais notícias referentes à Cruzada, sempre em ordem cronológica. Para receber as últimas informações em suas caixas de e-mail, basta cadastrar o endereço e receber a mailing sem atrasos. Será o primeiro a saber de todas as notícias.
A reportagem mais recente até o fechamento desta edição datava do dia 28 de abril, há exatos dois dias. Ela conta que a superintendente geral do projeto, Maria Tereza O. S. Campos, foi convidada para dar uma entrevista exclusiva a Rádio MEC. O assunto: o novo curso de jovens. Na oportunidade, Maria Teresa contou sobre os principais objetivos do programa o maior deles é oferecer “uma estrutura de aprendizagem e experimentação para desenvolver habilidades e oportunidades de crescimento pessoal e inserção no mercado de trabalho”. Foi um grande sucesso.
Em destaque, na capa do site, há também uma notícia sobre o X Prêmio Bem Eficiente, realizado por um grupo de empresários que premia as entidades sociais que desempenharam um excelente trabalho de gestão e qualidade em suas áreas de atuação. A Cruzada do Menor recebeu o troféu em quatro oportunidades: 1998, 2001, 2004 e 2006, fato que demonstra a seriedade e competência no trabalho desenvolvido.
Portanto, não perca tempo. Entre no endereço eletrônico do projeto, conheça suas ações, sua militância em favor das comunidades que mais precisam de ajuda e colabore com a rotina da Cruzada. Com a sua ajuda, ela sem dúvida continuará realizando um bom trabalho durante muitos e muitos anos.
No ultimo ano, a Thalamus ficou honrada em receber o prêmio de melhor parceiro do Hemorio em consequência da bem sucedida campanha de doação de sangue, que ja dura dois anos inteiros. Agora, é com grande prazer que informamos aos leitores e amigos que um dos principais bancos de sangue do país foi o grande vencedor do Prêmio Nacional de Gestão Pública, promovido pelo Governo Federal. Em ocasião ainda a ser confirmada, o diploma será entregue pelo presidente Lula, em Brasília.
Trata-se de uma verdadeira satisfação, por um simples motivo: o Hemorio é a primeira instituição pública de saúde de todo o Brasil a ser eleita para o prêmio máximo. O assunto merece ainda um maior destaque porque, há três anos, o maior troféu não era entregue a ninguém nenhuma instituição preenchia os requisitos básicos para a conquista.
Durante a cerimônia que anunciou a vitória, realizada em fevereiro na sede do instituto, diversas figurs políticas de renome estiveram presentes, como o governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Cabral enalteceu o feito, de acordo com reportagem do próprio Hemorio. “O instituto é a nossa referência em saúde pública. O mais importante é ver que o governo do estado tem uma instituição que ao longo dos anos vem ganhando credibilidade e respeitabiliade, com uma equipe estável”, disse.
O papel desempenhado ao longo do tempo pelo Hemorio também serviu de base para o discurso de Temporão. Segundo suas próprias palavras, o local é um centro de excelência para todo o Brasil, o que significa que é também um exemplo. Ou seja: os demais conjuntos de saúde públicos devem se espalhar no bom trabalho exercido pelo banco de sangue carioca. Para finalizar seu argumento, o ministro mencionou que o Hemorio não tem recursos sobrando. Pelo contrário. Todas as soluçôes fotam apenas fruto do esforço coletivo.
O Prêmio Nacional de Gestão Pública, no próximo ano, terá apenas três categorias, ao invés das oito deste ano. Mas o processo de avaliacão serea mantido o mesmo, por pontuação. Para o Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, a ntenção é focar o concurso em: admoinistração direta, administracão indireta como empresas públicas e sociedades de economia mista e uma categoria especial com temas diversos a cada ano
O ciclo de 2008 serå focado na saúde, já que existe uma agenda de estímulo ao setor com ações definidas pelo governo federal.
A notícia, é bom lembrar, vem em boa hora, já que o Rio de Janeiro passa por um perigoso surto de dengue que já vitimou dezenas de pessoas no estado. Por enquanto, o estoque de sangue do Hemorio está com bons níveis, mas é sempre doar mais e mais, já que qualquer novo problema que aparecer pode demandar uma grande quantidade deste líquido vital para os seres humanos. Parabéns ao instituto pelo magnífico trabalho.
Conheça o emprego verde
Publicado em 24/04/2008
Não faz muito tempo, a preocupação ambiental era sinônimo de atividade secundária para a sociedade mundial. A crise das mudanças climáticas e os recentes estudos feitos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas, no entanto, ajudaram a criar uma reviravolta no quadro exposto. Faz sentido: o problema é real e poderá afetar as populações dos cinco continentes se não a atual geração, sem dúvida as próximas.
Em artigo publicado, a priori, na excelente revista Eco21 e depois veiculado também pelo site do Instituto Akatu para o Consumo Sustentável, João Guilherme Sabino Ometto discorre com classe sobre o assunto. Engenheiro e vice-presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), ele tem gabarito para falar a respeito do tema. Na verdade, ele aborda algo ainda mais interessante: as conseqüências da mudança de percepção nos quatro cantos do globo terrestre.
Uma das primeiras constatações, afirma, é que o Terceiro Setor passa a atuar muito além de sua primeira atribuição: suprir as necessidades que o governo não consegue. Na verdade, as organizações sem fins lucrativos começam a ocupar um fundamental papel como força econômica de uma nação, a partir do momento em que gera um maior número de empregos. De acordo com estudos da The Johns Hopkins Center for Civil Society Studies, uma das principais instituições de pesquisa da área, o setor já possui mais de 40 milhões de pessoas contratadas ao redor do planeta. Nada mal.
No Brasil, esse crescimento é ainda mais notório, já que o Terceiro Setor evoluiu cerca de 71% entre 1995 e 2002 no número de empregos, é claro. Trata-se de um novo mercado que se abre para a população em geral, com especial ênfase para o “emprego verde”. Segundo João Guilherme, os investimentos em trabalhos como recuperação de ecossistemas, preservação das florestas e redução do aquecimento global são fatores de extrema importância para esta nova realidade.
Explica-se: só no Brasil, 500 mil novos empregos foram criados para a produção de etanol, uma energia renovável com enorme capacidade de expansão pelas terras já degradadas nacionais. E os números acima têm tudo para crescer: a pátria tupiniquim possui toda a tecnologia necessária para a produção deste tipo de potência, algo que deverá ser exportado com notável freqüência nos próximos anos. Basta que a fronteira agrícola não avance mata adentro, como já acontece em alguns biomas nacionais.
O artigo, inclusive, menciona o fato de que cinco milhões de pessoas foram contratadas para trabalhar em alguma área ligada ao meio ambiente nos Estados Unidos apenas em 2005. Mesmo assim, não há motivos para inveja: o Brasil é uma das maiores forças deste novo cenário. Faz sentido, já que seu potencial de geração de energia limpa é enorme e ainda conta com vasta biodiversidade e reserva hídrica em seu território bens fundamentais para a vida.
Não é exagero, portanto, dizer que o “emprego verde poderá constituir-se num substantivo fator de inclusão de milhares de brasileiros nos benefícios da economia, por meio da dignidade da renda conquistada pelo trabalho”. Essas, palavras, de João Guilherme, enchem de esperança aqueles que gostam da natureza e sentem prazer em levar suas vidas de acordo com os preceitos ecológicos. Ganhando salário, ainda melhor.
Cruzada do menor nas telonas
Publicado em 24/04/2008
Os leitores e parceiros da Thalamus já devem ter lido esta informação em algum momento na nossa página, mas vale a pena repetir: a Creche Tio Beto é uma instituição de ensino destinada a crianças carentes da comunidade de Pedra de Guaratiba e seus arredores. Idealizada e administrada pelo Núcleo de Responsabilidade Social do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais, ela está inserida na Cruzada do Menor, cujo foco são os projetos sócio-educativos para cidadãos de todas as idades que estejam em risco social.
Vale dizer que mais de dois milhões de pessoas já foram atendidas pelas creches e projetos da Cruzada nos últimos oito anos, um número de grande expressão. Para se ter uma idéia, de acordo com o site da instituição, o local fez 1.071 atendimentos diários, em média, durante todo o ano de 2006. Este controle está associado às bases espalhadas no Rio de Janeiro, Petrópolis, região serrana fluminense e outras cidades próximas. Não é pouco.
Existem diversas maneiras de participar da Cruzada do Menor, seja pessoa física ou jurídica. Alguns exemplos são: doação de recursos; colaboração com a campanha “Faça uma criança feliz!”; patrocínio de algum programa social da instituição; doação de produtos e/ou serviços. Há, portanto, inúmeras formas de colaborar, e a Cruzada precisa desse apoio, já que se trata de uma entidade sem fins lucrativos.
Uma boa notícia encheu de alegria os membros da organização neste mês de abril: o Fort Lauderdale International Film Festival, um dos principais concursos do cinema independente dos Estados Unidos, beneficiou a cruzada do Menor: ela foi a única entidade social a receber tal honraria. O evento aconteceu entre os dias 5 e 13 de abril no Cinela Paradiso Theater.
A participação foi muito interessante: a edição deste ano ficou conhecida como “Fome de Film” e fez uma grande retrospectiva do cinema brasileiro. Diversos longas-metragens feitos por cineastas brasileiros foram apresentados, como “Cidade de Deus”, por exemplo. Antes de cada sessão, um vídeo sobre o trabalho realizado na cruzada do Menor foi exibido e todos os participantes do festival tiveram a oportunidade de fazer uma doação no valor desejado para a instituição. Como se não bastasse, um filme institucional também foi exibido para os visitantes.
Maiores informações sobre a ocasião podem ser obtidas no site do evento. www.fliff.com
Expectativas para a Obra de Missão Social
Publicado em 17/04/2008
As aulas voltaram na creche da Obra de Missão Social Jardim Vovó Carmen, como a Thalamus divulgou há cerca de um mês. Em fevereiro, as 105 crianças que fazem parte deste trabalho social, que teve início na década de 70, voltaram para as salas de aula dispostas a aprender bastante antes de ingressarem em colégios convencionais da rede pública de ensino. Ao longo deste ano, muitas brincadeiras serão incentivadas, assim como diversos tipos de aprendizado diferentes. Para alcançar estes objetivos, a turma de professores e funcionários da OMS é muito bem treinada.
Mas 2008 não será um ano de realizações como os outros. Na verdade, a expectativa para os próximos meses é enorme, como conta o jornal interno do Grupo 3 Irmãos e 2 Alianças Armazéns Gerais, empresa responsável por tocar o projeto há vários anos. A OMS, que tem sede em Botafogo, no Rio de Janeiro, está pronta para desenvolver um trabalho que, sem dúvida, tem tudo para ser de grande valia para o futuro da creche e todas os meninos, meninas e familiares envolvidos.
A estratégia é simples e, justamente por isso, tem grande potencial para dar certo. Com o auxílio de algumas parcerias e a força de um planejamento específico, está em fase de construção um site para o projeto, algo de imenso valor palpável e emocional. Nele, muitas informações estarão disponíveis para consulta de todos os interessados, o que deve atrair cada vez mais pessoas identificadas com a causa de responsabilidade social.
Como se não bastasse, também está prevista a criação de um folder da instituição com linhas gerais sobre sua história, seu campo de trabalho e as atividades proporcionadas para os alunos entre dois e seis anos. Além disso, outras notícias que mereçam ser transmitidas também devem constar no documento. Todo este esforço visa, é claro, a divulga&cced