Tratamento da água
“Os brasileiros produzem em média diariamente 14,5 milhões de metros cúbicos de esgoto, dos quais somente 5,1 milhões recebem tratamento. A destinação inadequada desse material ajuda a explicar por que ainda estamos às voltas com males do século XIX, como febre amarela, hepatite, diarréia e mesmo a dengue. No Rio de Janeiro, mais de 50% do esgoto coletado não recebe tratamento” (IBGE,2000).
Um dos fatores que vem contribuir para essa grande disseminação de patologias vinculadas à água, é a sua contaminação através dos esgotos e do consumo sem o devido tratamento.
Diante da importância da água limpa para a preservação da vida no planeta e, ao mesmo tempo, da consciência cada vez maior de que estamos em risco, os problemas da água, suas causas e soluções têm sido foco de estudos cada vez mais freqüentes e rigorosos.
Surpreendentemente, aumentou o volume de água sem tratamento: em 1989, era de apenas 3,9% e em 2000 subiu para 7,2%. O crescimento da infra-estrutura não acompanhou o crescimento do abastecimento. O aumento do volume de água sem tratamento é um dos grandes causadores da disseminação de doenças veiculadas pela água.
Para garantir a qualidade da água acessível à população, ela é processada em estações de tratamento através de processos diversos e subseqüentes. Numa Estação de Tratamento (ETA), a água é coletada dos mananciais, transformando-se em um produto potável, pronto para ser consumido, sem riscos à saúde. No processo, são utilizados equipamentos especiais e reagentes químicos próprios para remoer impurezas. Basicamente, o tratamento consta das seguintes fases: decantação, filtração e cloração.
A decantação é a etapa inicial do processo em que a água é levada para tanques com esse fim, onde é misturada com alúmen e hidróxido de cálcio, para em seguida ficar em repouso por várias horas. Quando sai dos tanques de decantação, a água já está livre da sujeira mais grossa, mas o processo está apenas iniciado – ela ainda deverá passar por filtros de cascalho, areia e carvão, e, por isso, essa etapa tem o nome de filtração. Ao sair dos filtros, a água parece estar completamente limpa, mas ainda não é potável, pois contém muitos micróbios que podem causar doenças. A nova etapa é a cloração e tem esse nome devido ao uso do cloro, uma substância gasosa que, misturada à água, deverá matar os micróbios. Depois de ter sido clorada, pode a água finalmente ser usada sem perigo à saúde. Em algumas estações de tratamento, o cloro é adicionado antes que a água passe pelos filtros.
Além desses três processos, também se adiciona flúor com a finalidade de fortalecer os dentes e evitar a incidência de cáries. Sua utilização difundiu-se, apesar da oposição de algumas autoridades sanitárias que também se insurgiram em relação à mistura do flúor em algumas marcas de pastas de dentes.
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